Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Guia do empreendedorismo

A Sedes, que hoje realiza o seu IV Congresso dedicado ao tema «A Qualidade da Democracia e o Pós-crise», tem dado nos últimos anos um importante contributo para a sociedade portuguesa identificar as suas lacunas e erros, e para os corrigir no sentido de se modernizar.

Mas, para além das intervenções públicas, editou em 2007 um Guia do Empreendedorismo (disponível em PDF aqui) que trata de:

- Os 10 Mandamentos do Empreendedor de Sucesso.
- Como Criar uma Empresa em 9 Passos.
- Erros a Evitar na Altura de Criar a sua Empresa.
- A Importância da Propriedade Intelectual.
- Empresa na Hora e Marca na Hora.
- Financiamento à Medida das Necessidades.
- Programas de Apoio.
- Contactos de Incubadoras e Financiadores.
- Ensino do Empreendedorismo.
- Case Studies.


Ainda não li mas promete ser uma boa ajuda para todos aqueles que encaram a possibilidade de iniciar a sua própria empresa, e também para quem já é empresário mas que pode sempre aprender alguma coisa mais.

Na minha opinião, a iniciativa para uma publicação deste género deveria partir da esfera governamental. Mas felizmente que Portugal ainda pode contar com o dinamismo de alguma da dita sociedade civil.

Chifres

Agora que há touradas no Parlamento, será que os defensores dos animais se vão manifestar frente a São Bento?

Cada um é para o que nasce

Ontem ao fim da tarde, enquanto no parlamento se debatia o estado da Nação, eu estava a ouvir o Perguntas Proibidas na Rádio Europa dedicado ao centenário da República, onde eram convidados alguns dos que fazem o blog do mesmo nome. Lembrava-se a balbúrdia a que a política desceu durante a I República, a níveis inacreditáveis como por exemplo o direito ao porte de armas de fogo em pleno parlamento. Findo o programa, ouvi o noticiário das 19h onde tomei conhecimento do episódio do último dia desta legislatura.

Manuel Pinho, e isso tornou-se óbvio desde que tomou posse, não é um político, mas um técnico que, tal como Teixeira dos Santos, chegou ao governo transferido do "plantel" dos quadros do Banco Espírito Santo. Sem jeito nem vocação para a política. Mas, e apesar de não se poder dizer que tenha sido um bom ministro, a governação do país precisa de pessoas assim, cuja competência técnica seja a razão de chegarem a cargos de responsabilidade.

Mas numa altura em que se governa sob a mira do mediatismo e do culto da imagem, um ministro assim não pode ser abandonado pelos seus colegas políticos. E foi isso que aconteceu a Manuel Pinho. Houve gaffes desculpáveis, umas mais, outras menos. Houve falta de jeito para lidar com jornalistas, mas é para isso que os governos têm a sua frente mediática. Mas houve também uma agenda mediática que obrigou a episódios dolorosos como a longa novela da Quimonda, em que o Governo precisava de mostrar (ou será de fingir?) que estava a tentar resolver um problema, e em que Sócrates frequentemente deixou Manuel Pinho entregue "às feras".

Ninguém é obrigado a ter jeito para a política, e a ter paciência para suportar todo o desgaste psicológico e pessoal que ocupar um cargo político implica hoje em dia. Manuel Pinho encheu durante quatro anos e meio, e rebentou na sua última ida ao parlamento.

Um próximo governo PS é bem capaz de ter dificuldade em recrutar um ministro da Economia entre quadros capazes e com currículo. Muita gente "ministeriável" deve estar por esta altura a jurar nunca na vida aceitar um convite para ser ministro, qualquer que seja o governo. Não precisam e não estão para se sujeitar a tanto.

É este também o estado da Nação.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Portugal visto do Sião

No Mundo ainda há quem nos lembre de como fomos grandes, e nos respeite por isso.

Mais um grande post no Combustões.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Guerra ao interesse nacional

Os últimos tempos têm sido férteis em acontecimentos contra o interesse nacional no que ao mar diz respeito.

A semana passada, a Sacor Marítima (pertença da Galp Energia) vendeu o seu último navio, que era também o último petroleiro português, o pequeno Galp Lisboa.

Também na semana passada, Cabo Verde firmou um acordo com o Reino Unido para que a Royal Navy patrulhe as águas territoriais e a Zona Económica Exclusiva (ZEE) caboverdiana, para combate ao narco-tráfico (enquanto isso, em Portugal decorrem os Jogos da Lusofonia).

Sexta-feira, a Força Aérea admitiu que não tem meios para fiscalizar a ZEE dos Açores, onde anda um grande número de navios de pesca estrangeiros.

Entre o não fazer, e o deixar que outros façam, quem é o Inimigo de Portugal?

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Aeroporto para quê?

Para quem não souber, existe um fabricante de aviões 100% português. Trata-se da BRM, uma empresa de Pêro Pinheiro especializada em avionetas ultra-ligeiras.

Um dos modelos, o Land Africa, consegue fazer aterragens e descolagens curtas. Mesmo muito curtas:

Site da BRM. Aconselho uma visita à galeria de fotos e vídeos.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Stabilitas mediocritas

(Sobre o Manifesto dos 28)

É que, se atentarmos bem na coisa, estão lá alguns dos que opinaram junto de Sampaio que Santana Lopes devia suceder a Barroso - sem votinhos do povo por causa da "economia" e da "estabilidade" -, outros (os mesmos) que a seguir imploraram ao resoluto Sampaio que expulsasse Lopes por causa da "estabilidade" e da "economia" e, finalmente, outros (porventura sempre os mesmos) que, nos primeiros tempos de Sócrates, tornaram imediatamente admirável, "reformista" e "corajoso" o nosso homem de Vilar de Maçada. Também, claro está, em nome da "economia" e da "estabilidade". Impressionaram-se, então, com a "determinação" da criatura e, na sua imensa vacuidade política e em nome da "decência", supuseram que Sócrates era melhor do que qualquer direita.

(João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos)

Com o déficit a disparar e com a perspectiva de, depois de Outubro, discursos da tanga e orçamentos de apertar ainda mais o cinto, que mais manifestos surgirão a reclamar "estabilidade"?

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Duche frio para cabeças quentes

Rodrigo Adão da Fonseca, n'O Insurgente

Santo António nos valha

Do filme As Bonecas Russas, de Cédric Klapisch.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Haverá coisa mais patriótica do que ser europeísta?

Não postei isto antes das eleições para que a abstenção não fosse ainda maior.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Os requintes do Zézito

Rodeo Collection é um pequeno centro comercial de luxo no Rodeo Drive, em Beverly Hills, onde se garante total exclusividade. Uma das lojas, a House of Bijan, gaba-se de ser a mais cara do mundo.

Reparem quem consta da lista de clientes exibida na entrada, na última linha:Mais detalhes aqui e aqui.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Uma questão de prudência

A propósito deste post no Portugal dos Pequeninos: Cavaco recandidatar-se? Eu não apostaria o meu dinheiro nisso...

O fim da treta italiana

Depois da contestação do pseudo-pretendente italiano à Corôa Portuguesa, o Instituto dos Registos e do Notariado confirmou a nacionalidade portuguesa de S.A.R. Dom Duarte de Bragança, pulverizando qualquer dúvida que subsistisse sobre a sua legitimidade ao trono de Portugal, caso o regime monárquico seja restaurado.

A Europa civilizada e a imprensa democrática

Se alguma dúvida restasse sobre a cor política da imprensa europeia, e da portuguesa em particular, ela desfez-se com estas eleições europeias. Durante meses foi prevista uma vaga de Esquerda em todo o continente, resultante da crise («do Capitalismo», «provocada pelas políticas de Direita» - entenda-se) e do descontentamento que ela acarreta. As sondagens eram unânimes, e o futuro anunciava-se recheado de estrelas, foices e martelos.

E o resultado das urnas? Uma Europa a virar toda ela à Direita, com uma excepção (a Grécia) e duas ressalvas (Portugal e França) com a subida de partidos da Extrema-esquerda, dita alternativa. Precisamente os três países europeus que sempre foram mais à Esquerda.

Em Portugal o caso foi particularmente escandaloso nos resultados previstos para o PSD e sobretudo o CDS, a quem as sondagens há anos vaticinam a extinção.

Sob o pretexto da vontade de informar, e a alegação de obedecer a métodos científicos, as sondagens são uma arma política que actua criando um quadro ilusório da orientação política da opinião pública, procurando influenciar o seu ânimo e sentido de voto, em particular dos indecisos com recurso a dados que se provam falsos e enganadores. Por fim, no dia das eleições, e para encobrir as sondagens enganadoras anunciadas durantes meses ou anos, as empresas de sondagens fazem inquéritos à saídas dos locais de voto cujos resultados são anunciados a partir das 19h, com resultados já próximos da realidade que são proclamados como prova da sua suposta competência técnica.

Mas há outra situação grave e que condiciona o funcionamento do sufrágio democrático em Portugal: a desigualdade do tratamento dos partidos, com a permanente exclusão dos pequenos partidos do espaço informativo. Seja no acompanhamento das campanhas eleitorais, nas entrevistas, ou na divulgação de sondagens e projecções, os ditos 5 partidos do sistema monopolizam a atenção dada pelos media, assumindo esta situação contornos de autêntico cartel da vida política. A desculpa habitualmente usada pela imprensa é da falta de espaço informativo; mas, no passado, quando havia 4 grandes partidos, não faltou espaço informativo oferecido ao PSR (hoje Bloco de Esquerda) quando, eleição após eleição, não conseguia eleger ninguém para nenhum cargo durante muitos anos.

Não é portanto de estranhar que tantas vezes, em dias de eleições, se ouçam as pessoas a comentarem que não sabiam que existiam tantos partidos, alguns dos quais nunca ouviram falar. Aos partidos deve ser dada igual atenção e visibilidade, não por especial favor ou condescendência para com os pequenos mas porque o respeito pela liberdade de escolha dos eleitores e a seriedade do sistema democrático o impõe. Caso contrário, a imprensa está a proteger o cartel dos 5 grandes, impedindo a concorrência.

As sondagens enganadoras e a desigualdade no tratamento informativo dos partidos são duas situações que podem estar a comprometer seriamente a qualidade da democracia. É algo que é preciso ser tratado e eventualmente regulado (actualmente está no moda querer regular tudo...) e é mais importante do que algumas das cassetes tocadas hipocraticamente todos os anos no dia 25 de Abril.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Pedro Malagueta / Michel Legrand - Era uma vez... o Espaço.

(1981. No tempo em que a televisão prestava)


Vale a pena comparar com a versão original, francesa, com a inglesa, alemã, e espanhola (esta última não tem nada a ver com a original).

Isto sim eram programas para crianças, para instruir e educar, sem prejuízo do entretenimento. É chocante a diferença para o lixo que se faz hoje, destinado a degradar os indivíduos desde tenra idade.

Isto sim era produção de uma França que hoje, culturalmente falando, desapareceu, fruto de deixar a Cultura ficar refém de foices e martelos subsidiados pelo estado.

Mas a versão portuguesa também é simbólica de uma época em que nós, Portugueses, ainda não pertencendo ao "clube europeu" e sem estarmos esmagados por complexos de inferioridade, quando mostrávamos do que éramos capazes em comparação com os melhores que de lá vinham, ficava evidente que pouco nos conseguiam superar.

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

O Horror, o Drama, a Tragédia!

Sol quente, rajadas de vento frio, e o resultado previsível: apanhei uma carraspana de fazer inveja a um mexicano.

O que me traz ao seguinte: não há dúvida que hoje a mediocracia impõe-nos que vivamos num constante tragedy-reality-show, em que somos supostos estar em permanente ansiedade causada por um sofrimento alheiro que, da maneira como nos é apresentado, somos supostos partilhar.

Há um mês atrás fomos levados a crer que o planeta enfrentava uma pandemia catastrófica, e que doravante teríamos todos de usar máscaras em lugares públicos se tivéssemos amor à vida. O México passou a ser uma terra maldita, e a própria Organização Mundial de Saúde alinhou nisso; mas quase ninguém noticiou as conclusões das análises feitas por cientistas dos EUA que desvalorizavam a gravidade atribuída ao vírus H1N1.

Entretanto, a pandemia já não é assunto até porque, afinal, já se passaram umas semanas e não há milhares de mortos. Mas há uma tragédia melhor, ainda por cima com aviões: 228 mortes em pleno Atlântico, e não se sabem ainda as causas. Mas são 228 famílias desfeitas que é preciso exibir.

Ah, sim: e há outro drama, o de Susan Boyle que não ter ganho o concurso de TV e ter sido internada em resultado de uma depressão. Logo ela, a favorita do público, o que promove a história à dimensão de tragédia colectiva.

A seguir? Uma pneumonia das galinhas, talvez? Alguma coisa má se há de arranjar. Até porque na aviação fala-se da Regra dos Três: os grandes acidentes aéreos acontecem sempre aos trios, no espaço de poucos dias. É questão de estar atento às notícias, e aguardar por mais sofrimento.

É um circo romano, em que nos devemos sentir critãos mas continuar a assistir como romanos.

Entretanto, já me baixou a febre. Não vim de Cancún, o que é pena, mas ao menos assim evitei voar sobre o Atlântico. A tornar-me notícia, prefiro que seja num escândalo financeiro com uma pitada de sexo à mistura. Não me importo com tanto sofrimento.