Não suporto o Acordo Analfabetográfico; aquele que Cavaco ratificou e Soares promulgou, e Cavaco ratificou em definitivo (versão final), em 2008.
É um atentado contra a Língua Portuguesa e, ao contrário do que é propagandeado, é um desastre para a influência portuguesa no Mundo, já que a Língua Portuguesa passa a ser uniformizada no Brasil; e o Português de Portugal, ou seja a nossa construção de frases, o nosso vocabulário e a nossa pronúncia deixam de ser considerados internacionalmente, por força da dimensão brasileira e pela simples razão que, agora e como já diziam os americanos, «Português é aquela língua que se fala no Brasil». Daí a que aquilo que nós temos para dizer deixe de ser ouvido, é um passo.
Não se soubesse da putrefacção que varre este país, e surpreenderia a prontidão com que a parasitagem politicamente correta correu a aderir ao analfabetismo promulgado.
Recorde-se o Acordo "só" é vinculativo para a «ortografia constante de actos, normas, orientações ou documentos provenientes de entidades públicas, de bens culturais, bem como de manuais escolares e outros recursos didáctico -pedagógicos, com valor oficial ou legalmente sujeitos a reconhecimento, validação ou certificação», apesar do Governo no ano passado ter anunciado que só seria aplicado a documentos oficiais (mais uma mentira). Alguma imprensa (e mais recentemente a RTP) já obedece à política do fato consumado. É a ação, é o direto, é o projeto, é a adoção do projeto, a exceção, a atualidade, o avião a jato, o setor económico.
É claro que sendo a norma seguida tão simplesmente a dos erros ortográficos praticados no Brasil, e não podendo nós portugueses adivinhá-los todos, já se pode ler na imprensa portuguesa coisas como receção (recepção), coisa que nem os brasileiros dizem.
Este código que nos é imposto é o que acontece quando não se diz como se escreve, e se deixa o hábito de dizer erros enraizar-se tanto que o analfabetismo se torna regra. E então, diz-se que a língua «evoluíu», e que agora se deve escrever como se fala - mal - porque é mais fácil isso do que ensinar muitos milhões de pessoas a falarem correctamente.
E acontece porque em Portugal vigora a ideologia do anti-patriotismo, de que tudo o que servir para abandalhar e empobrecer o país é que está correcto. Porque é que a nossa língua, a trave-mestra da nossa cultura e a nossa maior riqueza, haveria de ser excepção? O Povo que amoche, que já está habituado!
Pois é, mas comigo isso não funciona. Não autorizei ninguém a mudar a minha língua; não votei nunca em ninguém delegando esse poder; nunca ninguém me perguntou se eu concordava, que obviamente não concordo.
E, portanto, eu simplesmente não obedeço.
Não só não escrevo, como não compro nada que seja escrito nesta porcaria. Nem jornais, nem livros, nem sequer vejo filmes com legendas analfabetas. E algum livro que me interesse mas que esteja escrito em Analfabetoguês, não compro e espero até que saia publicado em Português, nem que seja em edição pirata a circular pela Internet (eureka!)
Se toda a gente agir assim, vai haver prejuízos que servirão de castigo por nos tratarem desta maneira, e haverá pressão para que o acordo seja anulado. E sem direito a indenização.