domingo, 16 de setembro de 2012
Nada como um bom amuo
sábado, 28 de julho de 2012
Quinque annis
O tempo passa depressa e o Regabophe já completou cinco anos de vida.
Continua como começou: um hobby e apenas isso. É de periodicidade ganária: quando me dá na gana de escrever sai uma nova edição. Em pelo menos um aspecto falhou redondamente: quando começou, era suposto não falar de política e o facto é que foi um dos temas mais frequentes ao longo destes cinco anos. Mas, com tudo o que se passou neste período e a situação a que o país chegou, dificilmente eu poderia evitar o tema. Mas doravante procurarei voltar às origens.
Obrigado a todos quantos têm lido e seguido este blogue.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A grande Espanha e o Portugal dos Pequeninos
Curta mas relevante, a conferência de imprensa de Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy na Cimeira Luso-Espanhola (que os idiotas da televisão estatal insistem em chamar de "ibérica", precisamente o termo que a diplomacia portuguesa quer evitar). Esta cimeira, suposta realizar-se anualmente, não se realizou nos últimos anos pela simples razão que o governo de Zapatero não queria tirar fotografias ao lado de Sócrates e sus muchachos. Mas esta cimeira é diferente pelo momento de crise económica que afecta Espanha e de relações de poder dentro na União Europeia. Não por acaso foi agendada para hoje, "Dia da Europa", desvalorizando a "efeméride". A Espanha de Rajoy não aceita que situação económica seja usada para diminuir o seu prestígio e a sua posição como potência emergente e deixou isso claro quando disse, de peito aberto, que não iria cumprir a meta para o déficit público.
Nos discursos, ficou evidente a diferença entre os governos: entre os que sabem o que é governar, e os outros que acham que governar é anunciar medidas avulsas e, de quando em vez, dar uma explicação sobre o que estão a fazer.
Passos Coelho discursou para português (e, com alguma sorte, espanhol) ouvir enumerando as medidas acordadas entre ambos os governos para cooperação nisto, entendimento naquilo, abordagem comum para aqui e para ali.
Já Mariano Rajoy falou para ser ouvido na Europa, e sobretudo em Paris e Berlim, sobre a estratégia para combater a crise económica a nível continental. Sem condescendência para com o tradutor simultâneo, falou depressa e foi rapidamente ao cerne da questão: Espanha rejeita por completo a anti-austeridade defendida por François Hollande. Rajoy defende para a Europa a mesma estratégia que aplica em casa e que se baseia em três pilares: primeiro, austeridade (não gastar aquilo que não se tem) e controlo do déficit; segundo, sustentabilidade da dívida; e terceiro, crescimento por via de reformas estruturais, dinamizando o mercado interno.
Passos Coelho, nitidamente subalternizado pelo tema, pareceu ter sido apanhado de surpresa pelo alcance do discurso (o que não é suposto acontecer), com semblante de quem estava claramente «out of his depth»: os politicos portugueses não estão habituados a grande política, que é um campeonato que só conhecem pela televisão.
Não se esquecendo que estava em Portugal, Rajoy disse que a cimeira luso-espanhola servia para relançar as relações entre os dois países (depreendendo-se que tenham passado por um mau momento), referiu-se à importância de ambos os mercados como destino de exportações em ambos os sentidos, e das vantagens da cooperação e entre-ajuda. Pouco mais se referiu a Portugal em concreto e com relevância, não sem deixar de lembrar que - tal como a Grécia - o país foi intervencionado.
Passos Coelho correspondeu com um auto-elogio, na forma de um elogio aos esforços do novo governo de Madrid para restaurar a confiança dos mercados nas finanças espanholas, e nas corajosas reformas que está empreender.
É uma inevitabilidade que nas cimeiras luso-espanholas Portugal apareça subalternizado, e para tal basta a diferença de mentalidade e de postura entre os políticos dos dois lados. Não estamos propriamente a falar de Franco e de Salazar, que jogavam no mesmo campeonato e apareciam em pé de igualdade. No geral, os políticos espanhóis interiorizaram o projecto nacional de fazer Espanha voltar a ser uma das grandes potências europeias e uma com projecção mundial, nomeadamente no seu espaço de influência cultural. É algo que vem desde a derrota na guerra com os Estados Unidos, em 1898, altura quem que a sociedade espanhola sentiu que o país tinha batido no fundo e que tinha que recuperar da decadência para ocupar o seu lugar de direito na hierarquia internacional. Um século depois, após atravessar crises políticas e uma guerra civil que a deixou em ruínas, a Espanha conseguiu alcançar muito do pretendido e hoje reclama um lugar no G-8. Por isso, não aceita agora que a crise económica a obrigue a retroceder nesse processo, muito menos por diktat da Alemanha e de França.
Do lado português, a diferença de mentalidade é obviamente abissal e escusado será desenvolver o tema. Na cimeira luso-espanhola de 1992, Cavaco Silva foi ao ponto de obsequiar Felipe Gonzalez com a promessa que no ensino português o programa de História iria ser revisto de forma a ser mais simpático para com Espanha. Por exemplo, passaria a ensinar-se que a Batalha de Aljubarrota tinha sido, não a monumental derrota castelhana que foi, mas antes um empate e um acidente no bom relacionamento entre os dois povos - honra seja feita ao jornal Expresso, o único que na altura reparou nesta questão. Felizmente que muito do que é assinado nas cimeiras não é cumprido.
À diplomacia espanhola nunca interessa que Portugal apareça na cena internacional. A menos que queiram falar com os europeus maiores, e para isso os espanhóis recorrem ao escadote português, sempre disponível e honrado por tão nobre tarefa. Por isso, esta cimeira "ibérica" foi tão oportuna para Madrid.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
A Independência Nacional continuará a ser comemorada
terça-feira, 8 de novembro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
A hora mais dolorosa
E veio, mas tarde e a más horas, e somos nós todos que pagamos a conta. A doença evoluiu ao ponto de atingir proporções catastróficas e agora a cirurgia necessária é muito, muito dolorosa.
Tenho esperança que a situação um dia seja aceitável (a prosperidade já está guardada na memória e nos livros de História), mas que ninguém tenha dúvida que Portugal será um país pobre nos próximos 15-20 anos. É demasiada dívida para pagar, demasiada reconstrução do zero que o país terá de empreender, a começar pela mentalidade.
Para já, e para não cairmos no abismo, vamos vendendo os anéis.
sábado, 17 de setembro de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Portugal irá mudar muito com as próximas eleições?
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Coisas que passaram despercebidas em 2010 - 3
"Um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas
23.03.2010 - 17:30 Por Catarina Gomes
Um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas, constata o primeiro estudo que faz o retrato da saúde mental em Portugal. Em comparação com dados de outros seis países europeus Portugal é o que tem a prevalência mais alta, com números que se aproximam dos Estados Unidos, "o país com maior prevalência de perturbações de psiquiátricas no mundo", disse hoje o coordenador nacional de Saúde Mental, Caldas de Almeida.
"Portugal tem um padrão atípico em termos europeus", constata o responsável, que apresentou hoje o estudo na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, em Lisboa. Isto porque o inquérito realizado junto de 3849 portugueses (uma amostra representativa da população portuguesa) revela que 22,9 por cento manifesta sintomas que os colocam na categoria da perturbação mental, um número que só se aproxima dos 26,3 por cento americanos.
A prevalência nacional está muito distante dos países do Sul da Europa - Espanha só tem 9,2 por cento de prevalência e Itália 8,2 por cento - e mesmo assim longe dos dois países com prevalências maiores, como é o caso de França (18,4 por cento) e a Holanda (14,8 por cento).
No topo dos problemas estão as perturbações de ansiedade (16,5 por cento), as perturbações depressivas (7,9 por cento), perturbações de controlo dos impulsos (3,5 por cento) e as perturbações relacionadas com o álcool (1,6 por cento).
O estudo constata que os mais afectados são as mulheres, os jovens dos 18 aos 24 anos, as pessoas mais sós (separados, viúvos e divorciados) e pessoas com níveis baixo e médio de literacia.
Analisado o acesso a serviços de saúde constata-se que a grande maioria dos que sofrem de perturbações não têm acesso a qualquer tratamento médico, mesmo tratando-se de problemas graves (como a depressão major) - neste grupo 33,6 por cento não recebe tratamento. Verifica-se que a maioria das pessoas com doença mental recorre sobretudo aos médicos de família."
Acontece que, ao contrário do que diz esta notícia, este não é o primeiro estudo destes que se faz em Portugal: recordo-me que no princípio dos anos 90 (creio que foi mesmo em 1990) já tinha sido feito, indicando que a taxa de incidência na população era de 10%, o que nos colocava na média europeia. Na altura achei bastante, mas o facto de no espaço de apenas 20 anos não só a situação não ter melhorado como ter aumentado em mais de 100% é perfeitamente calamitoso e diz muito do rumo que o país seguiu, para já não bater no sacralizado Sistema Nacional de Saúde. Nestas duas décadas, o consumo de anti-depressivos disparou, mas eu pergunto que mais medidas foram tomadas para lidar com este problema. Provavelmente, nenhuma.
Neste estudo, há outro número que ressalta: apenas 1,6% dos casos estão relacionados com o alcoolismo (pessoalmente, presumia mais). 35 anos depois do fim da Guerra do Ultramar, não surpreende que o stress de guerra (que, de acordo com as previsões, afectará 10% dos ex-combatentes) não surja como uma das causas principais. E fica claro que o bem-estar material não significa uma vida necessariamente melhor.
Podemos gracejar concluindo que Portugal tinha mais juízo no tempo em que bebia vinho do que agora que bebe água com gás. Mas o Portugal dos últimos 20 anos modernizou-se e europeizou-se, mas neste caso no pior sentido, superando os piores casos da Europa. Não me surpreende que a França seja, a seguir a nós, o pior caso da Europa. E também não surpreende que a Itália e Espanha gozem de melhor saúde mental que os restantes. Não são precisas muitas estatísticas: basta conhecer os povos.
O melhor saúde de italianos e espanhóis será, acima de tudo, o resultado da cultura cristã-mediterrânica, de um modo de vida mais saudável porque menos centrado no materialismo e nas aparências, no viver a vida e não no viver os números, e onde a família e os valores morais continuam a ser fortes, apesar das "modernizações" impostas à força por governos "progressistas".
Em Portugal, à conta de ilusões modernizadoras e de um enorme complexo de inferioridade, venera-se o mundo anglosaxónico e as sociedades pseudo-perfeitas do Norte da Europa; e, nalguns casos, implantam-se soluções soviéticas. E assim também se tem perdido o que temos e herdámos de bom de séculos de civilização - do nosso próprio modelo de civilização, que não deve ser desprezado.
As conclusões deste estudo revelam uma verdadeira catástrofe nacional, que ultrapassa em muito o domínio da saúde pública. Não explicam, obviamente, todos os problemas do país, mas podem ajudar a explicar bastantes: da falta de produtividade, aos níveis de stress no dia-a-dia, à conflitualidade laboral, familiar e até mesmo no trânsito (onde facilmente se detectam grandes sociopatias). Deveria ser um problema a ser atacado por futuros governos com a máxima decisão. Um país não pode esperar alcançar o sucesso com 20% de malucos - desculpem-me a frontalidade.
Mas por muitas medidas preventivas que se tomem no ensino, no mundo laboral, e até mesmo no ordenamento das cidades e do trânsito (evitando a confusão e a conflitualidade; não é preciso ser um especialista para se constatar as diferenças entre os níveis de stress de populações que vivem em bairros de moradias, mesmo das económicas, e as que vivem em bairros de grandes blocos de apartamentos, mesmo os de luxo), a mais importante será voltarmos a uma sociedade de valores, e de combatermos o relativismo e o anti-moralismo vigentes e impostos politica e culturalmente.
Pode parecer linguagem bonita e fácil, mas sou da opinião que a grande saída para a crise deste país será voltarmos a ser mais portugueses. Verdadeiros portugueses, motivados para o bem comum e com respeito pelo próximo, algo que no passado no fez ultrapassar desafios e vencer guerras. Temos de recuperar a sociedade portuguesa, a Nação Portuguesa, e rejeitar quem defende a sua adulteração. Temos de voltar às origens, ao que é nosso e que sabemos que deu bons resultados a gerações de portugueses. Temos de valorizar a Família (nas suas várias vertentes), mas rejeitar a sua adulteração. Temos de ser patriotas e intolerantes com a falta de patriotismo ou a traição. Temos de ser honestos, de dar o exemplo, e punir a fraude e a corrupção. Temos de ter consciência nacional, e não de classe, de tribo social ou de região.
Em suma, temos todos de puxar para o mesmo lado, no sentido que se sabe que é certo. Quando regressarmos a uma sociedade mais pacífica e respeitadora do próximo, sem dúvida teremos (entre outras coisas) níveis de saúde mental menos maus (e vergonhosos) do que temos hoje.
E nem acredito que acabei por escrever tudo isto à conta de um estudo sobre saúde mental da população.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Mau demais para ser verdade... Mas é verdade!
domingo, 19 de dezembro de 2010
En garde!
A frequência com que na vida pública, e na política em particular, as discussões ou o simples comentário descambam na ofensa pessoal, levam-me por vezes a pensar se não seria mais saudável voltar a instituir os duelos, tal qual existiam dantes. Em suma: cada um ter o direito de defender a sua honra de forma mais contundente e dissuasora do que por simples meios indolores. terça-feira, 19 de outubro de 2010
Passos Coelho e o OE2011
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Lá e cá
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Cortar despesa: comecemos pelos institutos
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
A seguir, a nacionalização dos PPR?
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Ah, grande malandro!

Dizem que exagerava nas poupanças, na mania de gerir bem o dinheiro do Estado. Era o botas. O rapa-tachos. O forreta. Era autoritário, não deixava que se gastasse inutilmente. Era preciso pedir autorização para comprar uma borracha. Era preciso pedir autorização para se ter isqueiro, para não prejudicar as fábricas de fósforos portuguesas. Preferia obras públicas que utilizassem materiais portugueses e tecnologia portuguesa, como barragens e pontes em betão. Obrigava a que todos os automóveis fossem montados em fábricas portuguesas, com 25% de peças portuguesas, para gerar emprego e conter a saída de divisas. Os bancos, coitadinhos, não podiam praticar spreads acima de 1%. As contas eram rigorosas, pão-pão queijo-queijo, e o Estado só representava 20% do PIB, ao contrário dos 50% actuais. O Escudo era uma das moedas mais fortes do Mundo, a par do Franco Suíço, do Rand, e do Dólar. Não tínhamos dívida externa.
Um grande malandro.
Mais um PEC porreiro, Pá!
Daqui por uns meses, em nome da credibilidade externa e do interesse nacional, lá vai ser preciso aumentar mais impostos, cortar isto, reduzir aquilo.
Excelente análise de Álvaros Santos Pereira ao PEC III, no Desmitos








