quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Serious season

«Em Agosto, este país pára!» - foi o que sempre ouvi dizer. Toda a gente ía de férias ao mesmo tempo, Estado e empresas, e tudo parava.

Mas este ano, quando o normal seria que desde a Sexta-feira passada Lisboa se esvaziasse e o Algarve se enchesse, temos exactamente o contrário. Na primeira semana de Agosto, Lisboa parece estar a funcionar a 100% ou perto disso, como no resto do ano. Em vez de trânsito fluente e lugares de estacionamento à escolha, temos parques de estacionamento quase completos, e centros comerciais cheios até mais não à hora de almoço. Se a isso juntarmos o facto de estarmos com temperaturas de Outono, ninguém diria que estamos em Agosto.

É da crise, sem dúvida, e muita gente não tira férias porque não as pode pagar. Mas também porque, visivelmente o sector privado decidiu ficar a trabalhar.

É um contraste surpreendente e que dá um certo gosto de ver. Tanto que, de fora, nos acusam de trabalharmos pouco e de vivermos à custa da Europa do Norte.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Scarlett Johansson & Pete Yorn - Relator

A música fica no ouvido mas merecia um vídeo melhor.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Guerra no Médio Oriente para muito breve

Nos últimos meses, o processo que levará a um inevitável ataque israelita às instalações do programa nuclear do Irão tem dado os últimos passos. Israel tem a capacidade militar para o fazer e conta com a solidariedade dos seus vizinhos árabes que não desejam um Irão forte, e muito menos com armas nucleares. Já há meses, o Egipto anunciou que deixará passar navios de guerra israelitas pelo Canal do Suez, mais concretamente os submarinos equipados com mísseis de cruzeiro (que poderão ter carga nuclear), podendo assim aceder ao Golfo Pérsico e Mar Arábico, ameaçando o Irão e o Paquistão. A Arábia Saudita já fez saber que abrirá o seu espaço aéreo à aviação israelita. Jordânia, Kuwait e Iraque - escusado será dizer - não só não colocam dificuldades, como se pudessem estenderiam uma passadeira vermelha no céu. Além disso, é sabido que os Curdos iraquianos vão mais longe e consentem no uso dos seus aeródromos em caso de necessidade de escala.

Do outro lado, o Irão conta com a Síria (que se tiver juízo não se envolverá directamente na questão), com o Hezbollah a Norte e o Hamas a Sul. Ao mesmo tempo que a flotilha "humanitária" tentava furar o bloqueio naval israelita à Faixa de Gaza (e assim exercitando a máquina de propaganda da esquerda europeia contratada pelos iranianos), o Hezbollah era abastecido em armamento incluindo alguns milhares de mísseis (estima-se que 3000) pelo Irão, incluindo os famosos Scud de fabrico soviético (obsoletos, de alcance limitado, mas suficiente para atacar todo o território israelita a partir do Líbano). [Com a devida vénia ao A.M.G. :) ]

Uma semana depois, o Hamas tentou infiltrar mergulhadores de combate em Israel, tendo sido prontamente apanhados pelos israelitas, no que foi um óbvio teste encomendado pelos iranianos.

Em finais de Maio, Israel levou a cabo o maior exercício de defesa civil da sua História, preparando a população para ataques com mísseis disparados tanto pelo Hamas como pelo Hezbollah.

Há três semanas, os EUA renderam a esquadra que têm no Oceano Índico com o grupo chefiado pelo porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower, ao mesmo tempo que os franceses enviaram o seu porta-aviões Charles de Gaulle.

Entretanto, a Turquia (agora aliada do Irão) rejeitou o uso do seu espaço aéreo aos israelitas, a ONU decretou novas e duras sanções contra o Irão e queimam-se os últimos cartuchos diplomáticos (como esta visita do MNE iraniano a Lisboa).

Deverá ser renhido, os israelitas preparam-se à anos para efectuar este ataque, e os iranianos para lhe resistir. Poderá ser um curto confronto, mas é mais provável que seja uma guerra de vulto, envolvendo também o Hamas e o Hezbollah e sabe-se lá quem mais. Não são de excluir ataques terroristas na Europa.

Ou seja, nós vamos ser afectados por esta guerra, quanto mais não seja pelo disparar do preço do petróleo.

Não é por acaso que a NATO lançou esta semana um apelo a que se constituam reservas para situações de emergência (aqui e aqui).

Está na hora de passar pelo supermercado e comprar enlatados, massas e outros alimentos duradouros. Ah, e atestar o carro. Just in case.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Calor...

Vida boa, a de aeroporto!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Grande Fuga

Um carro chamado Figo

Mais um carro baptizado com um nome português. Depois do Suzuki Escudo (Vitara de 1º geração, no mercado japonês), do Volkwagen Vento (mas também ser em Italiano), do Opel Sintra (e se calhar outros), surge agora o Ford Figo. Trata-se do Ford Fiesta da anterior geração, com um pequeno facelift, fabricado na Índia (esperam produzir 200 mil este ano), e destina-se aos mercados emergentes.

Aliás, nalguns destes países continuam a fabricar-se modelos retirados dos mercados desenvolvidos, de forma a abastecer os mercados locais com produtos acessíveis, que não têm custos de desenvolvimento e para os quais se reaproveita a maquinaria e moldes existentes, e que estão mais que provados. Além disso, se é certo que os automóveis têm evoluído em segurança e economia, têm perdido muito em solidez, simplicidade de manutenção e altura ao solo, factores importantes em África, por exemplo. Se juntarmos a isso a mão de obra barata percebe-se porque esses automóveis ainda são uma proposta válida.

Por exemplo, só este ano é que o VW Golf de primeira geração (dos anos 70) de deixou se fabricar na África do Sul. Mais surpreendente ainda, há três anos o Fiat 131 (dos anos 70), voltou a fabricar-se na Etiópia, numa versão modernizada, onde é o principal produto do fabricante automóvel local (coisa de que Portugal não se pode gabar de ter), a Holland Car. E na Sérvia, a Zastava (anteriormente conhecida por Yugo) continua a fabricar o Fiat 128 (modernizado com injecção electrónica) com preço base de 3500€.

Quanto ao Ford Figo, começou a vender-se na África do Sul e na Índia, onde o modelo-base custa o equivalente a 6.200€.
O Luis Filipe Madeira Caeiro é que não vai ganhar nenhum royalty por ter tornado popular em todo o Mundo o nome português de um fruto muito saboroso.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ele é que não gostou nada

Agora a sério: conhecendo-se os hábitos da Coreia do Norte (onde, por exemplo, os navios da Marinha não têm quaisquer meios de salvação para impedir deserções), eu não gostaria de estar na pele dos jogadores ou do técnico.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Lena d'Agua - Dou-te um doce

Esta figura da cultura portuguesa vale por mil Saramagos.

Será que ele aprendeu com o Sócrates?

Barack Obama tem sido sempre acusado pelos seus adversários de ser um socialista, de querer instaurar o socialismo e o estatismo europeu nos EUA. E não se pode dizer que as críticas não tenham tido razão de ser desde que entrou na Casa Branca.

A mais recente medida é proposta pela Federal Trade Comission, a pretexto de contrariar o crescente número de jornalistas no desemprego, devido ao fecho de muitos jornais e revistas: o Estado dar subsídios a empresas ou outros organismos governamentais que empreguem jornalistas desempregados. A polémica já começou.

Escusado será dizer a quem é que seria favorável a linha editorial seguida por esses jornalistas.

A América irreconhecível.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O maior escândalo da História da Medicina

“A pandemia de gripe A nunca existiu”.

Esta é a conclusão do relatório aprovado ontem pela assembleia parlamentar do Conselho da Europa, que acusa a Organização Mundial de Saúde (OMS) de ter “sobrestimado o vírus H1N1”.
A investigação, chefiada pelo deputado britânico Paul Flynn, denuncia o “desperdício de fundos públicos na compra de vacinas” e as “ligações entre os peritos da OMS e os laboratórios farmacêuticos”.

Um relatório publicado também ontem pelo British Medical Journal revela que as recomendações da OMS teriam sido redigidas por peritos, contratados como consultores por vários laboratórios farmacêuticos.

A OMS enfrenta assim uma nova vaga de críticas, um dia depois de ter decidido prolongar até Julho o nível máximo de alerta de pandemia, em vigor desde Julho de 2009.

Em um ano, a gripe A provocou mais de 18 mil mortos, um número distante das previsões iniciais, quando a gripe sasonal provoca anualmente mais de 500 mil mortes.

Da Euronews.

Para além da corrupção e das verbas públicas astronómicas que este caso envolve, há a questão dos prejuízos para a economia mundial decorrentes de toda a gente seguir os conselhos dados pelas autoridades de saúde (horas de trabalho, viagens, turismo, frequência de eventos e espaços públicos).

A corrupção tem um custo, e provavelmente esta falsa pandemia aprofundou os efeitos da crise mundial. Como de costume, o assunto desapareceu da agenda mediática tão depressa quanto surgiu.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sondagens: como obter as que se querem

Está visto que nos próximos tempos não vão faltar sondagens na agenda noticiosa. Quanto é que teria o PSD se as eleições legislativas fossem hoje? Ganharia Cavaco as Presidenciais à primeira volta? Quanto teria Fernando Nobre? Quanto teriam os potenciais candidatos de Direita, para castigar Cavaco?

Mas, afinal, que credibilidade têm as sondagens? Convém perguntar a quem realmente sabe do assunto.

Por exemplo, sobre a reintrodução do Serviço Militar Obrigatório:

quarta-feira, 19 de maio de 2010

«Casamento homossexual: Calculismo político não resolve crise»

Nota de abertura do noticiário das 23h de ontem, da Rádio Renascença:

O Presidente da República promulgou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Invoca, para o efeito, duas razões: a irrelevância de um possível veto e a crise económica que enfrentamos.
Se o Presidente da República considera irrelevante o poder de veto que a Constituição lhe confere, mais valia dele prescindir, porque o risco de uma maioria confirmar uma lei que o Presidente vetou existe sempre. Cabe perguntar: a partir de agora não teremos vetos presidenciais ou o Presidente Cavaco Silva só vetará um diploma, quando tiver a certeza de não ser contrariado?

Quanto à situação económica, o Presidente sugere que um veto sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo seria pretexto para não combater a crise; e chega a invocar a ética da responsabilidade política para justificar a sua decisão.

Mas dos argumentos presidenciais, resulta exactamente o contrário: a crise é que surge como um triste pretexto para não vetar o casamento de pessoas do mesmo sexo. Alguém acredita que agora, com esta promulgação, a crise será melhor combatida? E o que fará o Presidente se a crise piorar, apesar da promulgação desta lei? Até onde irá, nessa circunstância, a sua ética da responsabilidade?

Como toda a gente sabe, e o Presidente melhor que ninguém, a crise é antiga, estrutural; e se não foi melhor combatida a outros motivos se deve; muitos, aliás, o têm dito: antes de ser económica, é uma profundíssima crise de valores e de convicções que chega às elites e fragiliza as lideranças.

Sem mudar estilos de vida e de liderança, Portugal não sairá da situação em que se encontra neste momento.

O mero calculismo político nunca resolve crises; pelo contrário, só as agrava.

Vitória da dignidade

A Tailândia venceu a ofensiva da decadência que lhe querem impor, em nome dos "ventos da História". Quem nos dera poder dizer o mesmo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O fim do mito Cavaco Silva

O que fez ontem foi o seu suicídio político. Sendo certo que a inteligência política nunca foi o forte de Cavaco Silva (apoiar Mário Soares para Belém em 1991 foi uma das maiores burrices da História da partidocracia portuguesa), devia pelo menos ter instinto de sobrevivência suficiente para preservar o mito que lhe valeu a carreira política que teve até agora.

E digo até agora porque Cavaco cometeu o seu último erro, e deitou pela janela as hipóteses que tinha de garantir um segundo mandato em Belém.

Com a habitual dose de basófia para esconder a cobardia política, Cavaco traíu a confiança do seu eleitorado, e as expectativas de todos aqueles que, não tendo votado nele, abominam a ideia de ser aprovada a lei do casamento homossexual. E esses vão da Extrema-esquerda à Extrema-direita.

Há males que vêm por bem; há muita gente que dizia que o País precisava de bater mesmo no fundo para se iniciar o processo de regeneração. Mas, mesmo que esse efeito se dê, não precisava de ser sujeito a esta bandalheira, a esta humilhação. Não precisava de bater tão fundo.

Quanto à lei em si, é tudo menos certo que tenha vindo para ficar. A habitual tolerância do povo português foi uma vez mais abusada, e o isto vai ter um preço nas próximas eleições.

Isto porque, independentemente da ideologia de cada um, um homem "casado" com um homem ou uma mulher "casada" com uma mulher não são casamentos: são homossexuais a brincarem aos casamentos.

A sociedade e a definição de família não se mudam por decreto.

O último requinte do desastre nacional


Portugal trepa tudo quanto é escala e aproxima-se vertiginosamente dos países da UE com valores mais altos. Impostos mais elevados, salários mais baixos, ensino mais deficiente, avaliação mais ridícula, língua mais maltratada, ciência mais incipiente, sabedoria mais fraca, autoestradas mais numerosas, défice mais profundo, dívida mais assustadora, política mais ineficaz, políticos mais impreparados, corrupção mais activa, imprensa mais controlada, justiça mais lenta, economia mais débil, finanças mais desperdiçadas, orçamentos mais irrealistas, crescimento mais tímido, trabalho mais precário, desemprego mais dramático, pobreza mais acentuada e homossexuais mais casadoiros.
Só falta sermos felizes. O que se explica: quanto mais o país trepa mais a gente se afunda.

João Carvalho, no Delito de Opinião.