terça-feira, 5 de outubro de 2010

Vale a pena ler

Alguns bons artigos a propósito do Centenário da República:




Navegações, no Albergue Espanhol



O que se festeja amanhã? e Persistência, no Delito de Opinião

867 anos de vida: Parabéns Portugal!

5 de Outubro de 1143 - Tratado de Zamora
Portugal torna-se num estado independente.

O 5 de Outubro que os poderes instalados não comemoram, nem sequer lembram.

In memoriam: Prós e Contras

O "grande debate da Televisão Portuguesa" ,já estava moribundo há muito tempo, com debates chatíssimos, onde se fala muito e conclui pouco, repisando as mesmas explicações há muito conhecidas para a situação económica, ou então em que os intervenientes estão todos de acordo, sem que se ouçam trocas de argumentos que justifiquem o nome do programa.

Mas no debate de ontem sobre a República bateu mesmo no fundo: todos os convidados eram republicanos, entre os quais não faltava António Reis, o Grão-Mestre da Maçonaria. Um autêntico Prós e Prós.

Depois de toda a propaganda, em doses industriais, sobre as maravilhas e liberdades supostamente trazidas pela República, esta é cereja no topo do bolo. Para fazerem destas, é porque a velha meretriz não deve estar assim tão sólida.

1910 e 2010

Proclamação da República.
Das fotos deste momento, normalmente só se vê a metade direita.
Isto porque, segundo a "História oficial", na metade esquerda é suposto estar uma multidão que enchia a Praça do Município.

Em 1910, os meus bisavós moravam em Lisboa, mais concretamente na Rua Andrade Corvo, nas Picoas.

Da minha família dessa época só conheci a minha avó Maria José, nascida em 1899, e que se recordava pouco do 4-5 de Outubro. Lembrava-se de que quando os problemas começaram, com tiros de artilharia ao longe e tiroteio ao virar da esquina (na Avenida Duque de Loulé) o meu bisavô fechou as portadas de madeira das janelas e mandou toda a gente para as traseiras do apartamento. Não sei que mais fez nesse dia, mas o facto é que, tal como todos os oficiais do Exército que não aderiram à revolução republicana, foi expulso do Exército e só foi reintegrado nos finais de 1911, sendo obrigado a jurar lealdade à República.

A minha avó não se lembrava de muito mais. Lembrava-se de ter tido medo, apesar de não ser a primeira vez que ouvia tiros de espingarda e de canhão (o meu bisavô tinha sido instructor na Escola Prática de Infantaria, e campeão nacional de tiro em 1895); só que desta vez os tiros eram "a sério", para matar, e ela sabia-o. E lembrava-se de quando se soube que os republicanos tinham tomado o poder.

Cem anos depois, as pessoas não sabem é o que é a Monarquia. Talvez devessem olhar para a maioria dos países mais evoluídos, mais ricos e estáveis do mundo e tentar perceber porque raio é que eles não querem modernizar-se...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Há sempre um recorde para ser batido

Nos dezasseis anos que a República durou, o PIB per capita português, em percentagem da média europeia, caíu de 42% em 1910 para 32% em 1926 (com um mínimo de 23% em 1920), significando que o nível de vida do português médio era, ao findar a República, menos de um terço do nível de vida do europeu médio.

Desde que existem estatísticas económicas, não é possível encontrar um período na história de Portugal em que o país tenha empobrecido tão rapidamente e tenha descido tão fundo. O período da I República qualifica, em termos económicos, como o período mais negro da história moderna de Portugal e, muito provavelmente, como o período mais negro de toda a sua história.

Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo.

A República dos Caridosos

«A República foi feita pela chamada "geração de 90" (1890), a chamada "geração do Ultimatum", educada pelo "caso Dreyfus" e, depois, pela radicalização da República Francesa de Waldeck-Rousseau, de Combes e do "Bloc des Gauches" (que, de resto, só acabou em 1909). Estes beneméritos (Afonso Costa, António José d"Almeida, França Borges e outros companheiros de caminho) escolheram deliberadamente a violência para liquidar a Monarquia. O Mundo, órgão oficioso do jacobinismo indígena, explicava: "Partidos como o republicano precisam de violência", porque sem violência e "uma perseguição acintosa e clamorosa" não se cria "o ambiente indispensável à conquista do poder".

Na fase final (1903-1910), o republicanismo, no seu princípio e na sua natureza, não passou da violência, que a vitória do "5 de Outubro" generalizou a todo o país. Não admira que a República nunca se tenha conseguido consolidar. De facto, nunca chegou a ser um regime. Era um "estado de coisas", regularmente interrompido por golpes militares, insurreições de massa e uma verdadeira guerra civil. Em pouco mais de 15 anos morreu muita gente: em combate, executada na praça pública pelo "povo" em fúria ou assassinada por quadrilhas partidárias, como em 1921 o primeiro-ministro António Granjo, pela quadrilha do "Dente de Ouro".

O número de presos políticos, que raramente ficou por menos de um milhar, subiu em alguns momentos a mais de 3000. Como dizia Salazar, "simultânea ou sucessivamente" meio Portugal acabou por ir parar às democráticas cadeias da República, a maior parte das vezes sem saber porquê.

E , em 2010, a questão é esta: como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista em que reinavam "carbonários", vigilantes de vário género e pêlo e a "formiga branca" do jacobinismo? Como é possível pedir a uma cultura política assente nos "direitos do homem e do cidadão" que preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos uma vasta e indeterminada multidão de "suspeitos" (anarquistas, anarco-sindicalistas, monárquicos, moderados e por aí fora)?

Como é possível ao Estado da tolerância e da aceitação do "outro" mostrar agora o seu respeito por uma ideologia cuja essência era a erradicação do catolicismo? E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o "5 de Outubro" trouxe a Portugal?»

Vasco Pulido Valente, Público 02.10.2010

sábado, 2 de outubro de 2010

Azembla's Quartet - Esquece tudo o que te disse

Das entrevistas dadas por José Sócrates às televisões fica o essencial da mensagem.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Real Regatta de Canoas 2010 - 2 OUT

Realiza-se este Sábado mais uma edição da Real Regatta de Canoas, um evento que reúne no estuário do Tejo dezenas de embarcações típicas. Remonta ao Século XIX, como uma homenagem prestada pelo Rei às gentes do rio lembrando e agradecendo a sua resistência às tropas napoleónicas e negando-lhes o uso do rio para o cerco a Lisboa, ficando conhecida como a Marinha do Tejo.
Ali perto, no Museu de Marinha às 17h, terá lugar um concerto pela Banda da Armada.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ah, grande malandro!

Dizem que exagerava nas poupanças, na mania de gerir bem o dinheiro do Estado. Era o botas. O rapa-tachos. O forreta. Era autoritário, não deixava que se gastasse inutilmente. Era preciso pedir autorização para comprar uma borracha. Era preciso pedir autorização para se ter isqueiro, para não prejudicar as fábricas de fósforos portuguesas. Preferia obras públicas que utilizassem materiais portugueses e tecnologia portuguesa, como barragens e pontes em betão. Obrigava a que todos os automóveis fossem montados em fábricas portuguesas, com 25% de peças portuguesas, para gerar emprego e conter a saída de divisas. Os bancos, coitadinhos, não podiam praticar spreads acima de 1%. As contas eram rigorosas, pão-pão queijo-queijo, e o Estado só representava 20% do PIB, ao contrário dos 50% actuais. O Escudo era uma das moedas mais fortes do Mundo, a par do Franco Suíço, do Rand, e do Dólar. Não tínhamos dívida externa.

Um grande malandro.

Mais um PEC porreiro, Pá!

E pronto. Este foi mais um PEC do glorioso Partido Socialista (a quem o Povo Português tanto deve). Parece que próximo é que vai ser giro.
Porque é claro que vai haver um novo PEC daqui por uns meses. Só quem continua a não perceber nada de Economia e ainda não enxergou esta gente é que pode acreditar que isto resolve alguma coisa. Como não resolveu das outras vezes. O Estado vai continuar a comportar-se como um toxico-dependente que nós somos obrigados a sustentar. E o IVA a aumentar 3% no espaço de meses vai prejudicar ainda mais a Economia, reduzir ainda mais o poder de compra (os preços aumentam sempre mais que os pontos percentuais de IVA), fechar mais empresas, provocar mais desemprego. Nos outros países, proíbe-se o endividamento, reduz-se o tamanho do Estado, reduz-se drasticamente o número de funcionários públicos, fundem-se serviços e autarquias e baixam-se os impostos. Aqui, aumentam-se.

Daqui por uns meses, em nome da credibilidade externa e do interesse nacional, lá vai ser preciso aumentar mais impostos, cortar isto, reduzir aquilo.
É porque a banha da cobra sai muito cara.

Excelente análise de Álvaros Santos Pereira ao PEC III, no Desmitos

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Kylie Minogue - Dancing queen


E já lá vão 10 anos...

A Fuga das Galinhas - Parte II

Cavaco não quer demitir Sócrates. Agora, o animal feroz ameaça demitir-se se não houver orçamento. Uma desculpa que serve como outra qualquer, como as Autárquicas de 2001 serviram a Guterres. O pântano, de novo.

Nada diplomata

Acredito que a substituição de Manuel Maria Carrilho seja uma punição política por parte de Sócrates. Mas será que esta criatura não sabe que um embaixador em funções não pode andar a criticar o Governo do seu país?! E os comentadores de serviço falam de Carrilho como um injustiçado por ter sido demitido?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A bater no fundo é que a gente se entende

Os avisos vieram de vários lados: a ausência de um acordo entre PS e PSD sobre o OE2011 seria a estocada final na réstia de credibilidade do Estado Português. Que fazem ambos os partidos "de poder"? Guerreiam-se.
É minha opinião desde há muito tempo (ainda antes do Medina Carreira, honra me seja feita... :) ) que a entrada do FMI em Portugal é algo não só inevitável, como desejável. Os dois enxames de parasitas que se têm alternado no poder não estão nem capacitados nem motivados para tirar a Economia (e o País) do buraco em que o meteram. Mais uma vez tem de vir o estrangeiro para meter ordem na criançada. É a falência desta classe política, e da aposta europeia. Pensava-se que pertencer à CEE, à UE, à "Europa" resolvia-nos os problemas e escudava-nos da nossa própria incapacidade em nos governarmos. Mas a verdade é que a solução vem dos americanos (o FMI é, para todos os efeitos, um braço dos EUA) e vai doer. Vai ser uma cirurgia sem anestesia. Dolorosa mas necessária.
Um dia que se escreva a História de Portugal neste período, dir-se-á: «Nos meses antes da falência prática das finanças públicas, os assuntos que dominavam a actualidade eram as obras públicas desnecessárias e incomportáveis, o casamento gay, os escândalos de corrupção e de pedofilia, a defesa do Estado Social e os problemas da selecção de futebol».

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Lições da Suécia

Há muitos anos, uma antiga vizinha minha casou com um sueco, de quem teve uma criança que nasceu em Estocolmo. Por via do marido, teve o acompanhamento dos serviços de saúde suecos e lembro-me de um dia ela receber um telefonema da Suécia, a avisá-la de que estava na altura do bebé começar a fazer ginástica.

A Suécia sempre foi considerada o suprasumo do Estado Social. Um autêntico Estado-Papá a que toda a gente queria estar ligada, e a que a Suécia não dizia que não. Uma amiga minha, directora comercial da filial de uma grande empresa sueca em Angola, conseguiu que todos os funcionários angolanos pudessem ser integrados na Segurança Social sueca, apesar de raros terem sido os que alguma vez puseram o pé na Suécia.

O segredo tem sido um povo extremamente civilizado, eficiente, honesto e por isso rico, e um sistema social que não é uma completa balda como a que existe em quase todo a Europa (e que agora colocou a Europa à beira da falência). Por exemplo, as universidades são 100% gratuítas, e incluem alojamento gratuíto em residências próprias. Mas só se pode concorrer depois de 2 anos de trabalho (na Suécia ou no extrangeiro), para dar tempo aos jovens para pensarem bem se querem e se realmente precisam de ir para a universidade e qual a profissão que lhes convém mais. E para que a frequência de um curso universitário não seja entendida como apenas um prolongamento do liceu e uma maneira de se viver longe dos pais, por conta deles e do Estado. Compare-se isto com o disparate do sistema de Bolonha (que os próprios italianos já abandonaram).

Mas por muito ricos que sejam, e por muito bem organizado que seja o seu estado social, até a Suécia - tradicionalmente social-democrata - virou à Direita, por perceber que até para eles a despesa é muita, e que o Estado não pode ser Pai Natal.

Numa altura em que em Portugal, ou dos quatro únicos países dos 27 da UE onde a Esquerda ainda está no poder (os outros são Espanha, Grécia e Chipre), ainda há gente que insiste em acreditar em ilusões. Não temos nada que se compare à Volvo, à Saab, à ABB, à Eriksson ou Tetrapak, pelo que para se brincar ao Estado-Papá, só mesmo indo ao bolso deste país improdutivo, endividado e pedinte do dinheiro dos outros. Em Portugal, há 35 anos que os ricos pagam a crise como em mais nenhum outro país da Europa e, sem surpresas, a crise continua. Porque é preciso que haja crise para o Estado continuar sempre a tirar mais dinheiro a todos, e a justificar o Estado Social com o grande número de pobres. Não se trata de Economia, nem governar para o bem do país: é simplesmente política.

Para se governar um país, é preciso tomar decisões com pragmatismo, e com bases em dados concretos e realidades conhecidas, não em bandeiras ideológicas. E ter presente que o excesso de generosidade leva sempre a abusos. A alternativa é a falência.

A minha ex-vizinha não deu valor ao facto do marido sueco ser um bom marido e um bom pai, de ter abandonado um emprego capaz na Suécia para vir viver para Portugal porque gostava dela e, apesar de ser um jarrão sem ponta de piada, não tardou a brindá-lo com um par de chifres. Quando soube, o sueco deu-lhe uma merecidíssima sova e voltou para Suécia com a criança. Há coisas que nem um civilizadíssimo suporta.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Já que falamos de profecias:

Talvez já ninguém se lembre, mas fez ontem 11 anos que ficámos sem Lua:

Os ingleses, já que não puderam participar na corrida espacial, ao menos saíram-se bem no campeonato das séries espaciais.