sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Deve ter a barriga a doer de tanto rir



O ministro das Finanças passa a controlar todos os Ministérios de modo a evitar derrapagens este ano, segundo a edição semanal do Expresso, antecipada para esta sexta-feira por causa das eleições presidenciais.
O ministro das Finanças passa a controlar todos os Ministérios com o objectivo de evitar derrapagens este ano, segundo a edição semanal do Expresso, antecipada para esta sexta-feira por causa das eleições presidenciais.

A Lei da execução orçamental, aprovada ontem, vai obrigar ministros a prestar contas todos os meses, refere o jornal.

Trinta de sete anos depois das chaimites saírem à rua, o pior ministro das finanças da Europa acabou por cair na real, dar a mão à palmatória e fazer o que sempre se soube que era necessário mas que passou a ser "proibido" porque era assim que se fazia no tempo da outra senhora: tirar o cartão de crédito à criançada.

Uma das medidas mais importantes na Economia portuguesa nas últimas 4 décadas - se realmente chegar a ser efectivada.

Foi preciso o país estar em vésperas de falência, de andarmos a pedir caridade a chineses, árabes e timorenses para comprarem a nossa dívida.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cavaco, o agricultor

Quem não conhecer Cavaco que o compre.

Agora diz-se preocupado com o estado da Agricultura, como se não fosse um dos responsáveis pela destruição da maior parte desse sector, quando foi Primeiro-ministro. Vale a pena lembrar o TV Rural, um dos programas de verdadeiro serviço público, feito pela RTP em parceria com o Ministério da Agricultura, e que ao longo de três décadas prestou um inestimável serviço aos agricultores portugueses.

Mas com a entrada na CEE e com a política deliberada de destruição deste sector económico, a realidade da situação e as queixas dos agricultores cada vez mais transpareciam no TV Rural, embora o Eng. Sousa Veloso se esforçasse por levar a cabo o mesmo trabalho de sempre. O TV Rural tornou-se incómodo e o Ministério da Agricultura fechou-o, em 1991.

O Primeiro-Ministro na altura era Aníbal Cavaco Silva e hoje diz-se muito preocupado com o estado da Agricultura.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Peixeirada Lusa de Negócios

Se eu fosse republicano, estaria indignado e diria que esta campanha para as Presidenciais atingíu um baixo nível tal que é um insulto às instituições republicanas. Os republicanos portugueses mereciam mais.

Para começar, ainda não foi desta que os partidos se estrearam a fazer eleições internas para escolherem o seu candidato (e que melhor eleição para o fazerem?). Nem que fosse para comemorar o Centenário da República! Não, nada disso: os candidatos foram os escolhidos pelos directórios partidários e os militantes que se calem, que agitem as bandeirinhas e que votem como lhes mandam (e já agora que paguem a quotas).

Um dos argumentos invocados em favor do modelo republicano de regime é: «Em República, ao contrário da Monarquia, qualquer um pode ser o Chefe de Estado, pois não depende de pertencer a uma família em particular». É verdade, mas em teoria e apenas isso. Para se ser Presidente da República é preciso ser membro da família PS ou PSD há algumas décadas, e é preciso ser indigitado pelos mandantes do PS ou do PSD para que as respectivas máquinas partidárias e mediáticas o levem até Belém. Caso contrário, não há hipótese. E depois é a pobreza que se vê. Mesmo dentro dos dois maiores partidos, sem dúvida que se encontrariam personalidades com melhores atributos (para já não falar em currículos) para a chefia do Estado, que os militantes se encarregariam de escolher. Mas quando um PS que tem um Jaime Gama opta por um Manuel Alegre, está tudo dito sobre o funcionamento dos partidos. E, por mais discursos poéticos que se façam no 5 de Outubro, a verdade é esta: a República é dos partidos.

Em segundo lugar, o deserto de ideias dignas de discussão é quase completo. O único candidato que finge ter uma ideia subjacente à sua candidatura é Defensor Moura: a Regionalização. Digo finge, porque é evidente que o único propósito da candidatura de Defensor Moura é ser uma voz crítica de Cavaco Silva a juntar à de Manuel Alegre. Mesmo que não fosse, um candidato a PR não deve defender causas que não o serviço ao país, pois o papel do Presidente é suposto ser equidistante em termos ideológicos e partidários, não interferindo na governação, só assim podendo ser o moderador e o árbitro dos poderes políticos. Que em eleições legislativas, um partido defenda a Regionalização (ou outra causa qualquer) faz sentido; mas um candidato a Presidente da República defender causas é a mesma coisa que um árbitro de futebol que promete favorecer uma equipa. Absurdo.

Assim, à falta de um debate sério, Cavaco e Alegre chafurdam na lama, e com eles arrastam a imprensa e alguma blogosfera que, histérica, ou pede provas da honestidade que não se adivinha nos seus chefes, ou coloca a mão no fogo pela honestidade de Cavaco e morde tudo que possa colocar em causa a sua beatificação. Bastaria uma curta ronda pelas capas do defunto jornal O Independente e logo surgiriam casos bem mais interessantes que o BPN/SLN para atingir Cavaco Silva. Mas não: o Povo está com a corda na garganta e nada melhor para o irritar do que ligar Cavaco a um Banco saqueado. Cavaco é "um deles". Num ambiente destes, não admira que as figuras válidas se auto-excluam de eventuais aventuras presidenciais.

Mas ainda há a cereja no topo do bolo: como se não bastasse tudo o que atrás se disse, os debates na TV excluíram um dos candidatos: José Manuel Coelho. Nem ao menos a mais elementar lógica republicana, a mais elementar liberdade política, de expressão, de informação foi respeitada. Uma vergonha.

Sendo monárquico, não me agrada nem um pouco este abandalhamento da vida política nacional. Para todos os efeitos, em Portugal vigora a República Portuguesa e, mesmo discordando da sua existência, é esta instituição que comanda os destinos do país, pelo menos nos tempos mais próximos. Mesmo que fosse republicano, não encontraria nestas eleições razões para votar em nenhum dos candidatos. E sendo monárquico, a tentação será de não participar nestas eleições para um cargo de que discordo. E a vontade de nem sequer pôr os pés na assembleia de voto é grande, apesar de votar sempre. Mas o facto é que é à República Portuguesa que tenho de pagar os impostos, e era o que faltava é que não aproveitasse esta rara ocasião para fazer valer o meu ínfimo poder, de me pronunciar sobre o rumo político do país.

Votarei, não em branco (que é um voto que fica por preencher), mas em nulo (não vá o Diabo tecê-las e "eu" acabar por votar contra a minha vontade). É triste chegar a esta opção, mas é o estado em que as coisas estão. Por isso mesmo será um voto de protesto.

Que melhores tempos venham!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Velhos são os trapos

Clássicos em Braga. O primeiro minuto e meio parece saído de um guião.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Coisas que passaram despercebidas em 2010 - 3

Notícia do Público, de 23 de Março:

"Um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas
23.03.2010 - 17:30 Por Catarina Gomes

Um em cada cinco portugueses sofre de perturbações psiquiátricas, constata o primeiro estudo que faz o retrato da saúde mental em Portugal. Em comparação com dados de outros seis países europeus Portugal é o que tem a prevalência mais alta, com números que se aproximam dos Estados Unidos, "o país com maior prevalência de perturbações de psiquiátricas no mundo", disse hoje o coordenador nacional de Saúde Mental, Caldas de Almeida.

"Portugal tem um padrão atípico em termos europeus", constata o responsável, que apresentou hoje o estudo na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, em Lisboa. Isto porque o inquérito realizado junto de 3849 portugueses (uma amostra representativa da população portuguesa) revela que 22,9 por cento manifesta sintomas que os colocam na categoria da perturbação mental, um número que só se aproxima dos 26,3 por cento americanos.

A prevalência nacional está muito distante dos países do Sul da Europa - Espanha só tem 9,2 por cento de prevalência e Itália 8,2 por cento - e mesmo assim longe dos dois países com prevalências maiores, como é o caso de França (18,4 por cento) e a Holanda (14,8 por cento).

No topo dos problemas estão as perturbações de ansiedade (16,5 por cento), as perturbações depressivas (7,9 por cento), perturbações de controlo dos impulsos (3,5 por cento) e as perturbações relacionadas com o álcool (1,6 por cento).

O estudo constata que os mais afectados são as mulheres, os jovens dos 18 aos 24 anos, as pessoas mais sós (separados, viúvos e divorciados) e pessoas com níveis baixo e médio de literacia.

Analisado o acesso a serviços de saúde constata-se que a grande maioria dos que sofrem de perturbações não têm acesso a qualquer tratamento médico, mesmo tratando-se de problemas graves (como a depressão major) - neste grupo 33,6 por cento não recebe tratamento. Verifica-se que a maioria das pessoas com doença mental recorre sobretudo aos médicos de família."


Acontece que, ao contrário do que diz esta notícia, este não é o primeiro estudo destes que se faz em Portugal: recordo-me que no princípio dos anos 90 (creio que foi mesmo em 1990) já tinha sido feito, indicando que a taxa de incidência na população era de 10%, o que nos colocava na média europeia. Na altura achei bastante, mas o facto de no espaço de apenas 20 anos não só a situação não ter melhorado como ter aumentado em mais de 100% é perfeitamente calamitoso e diz muito do rumo que o país seguiu, para já não bater no sacralizado Sistema Nacional de Saúde. Nestas duas décadas, o consumo de anti-depressivos disparou, mas eu pergunto que mais medidas foram tomadas para lidar com este problema. Provavelmente, nenhuma.

Neste estudo, há outro número que ressalta: apenas 1,6% dos casos estão relacionados com o alcoolismo (pessoalmente, presumia mais). 35 anos depois do fim da Guerra do Ultramar, não surpreende que o stress de guerra (que, de acordo com as previsões, afectará 10% dos ex-combatentes) não surja como uma das causas principais. E fica claro que o bem-estar material não significa uma vida necessariamente melhor.

Podemos gracejar concluindo que Portugal tinha mais juízo no tempo em que bebia vinho do que agora que bebe água com gás. Mas o Portugal dos últimos 20 anos modernizou-se e europeizou-se, mas neste caso no pior sentido, superando os piores casos da Europa. Não me surpreende que a França seja, a seguir a nós, o pior caso da Europa. E também não surpreende que a Itália e Espanha gozem de melhor saúde mental que os restantes. Não são precisas muitas estatísticas: basta conhecer os povos.

O melhor saúde de italianos e espanhóis será, acima de tudo, o resultado da cultura cristã-mediterrânica, de um modo de vida mais saudável porque menos centrado no materialismo e nas aparências, no viver a vida e não no viver os números, e onde a família e os valores morais continuam a ser fortes, apesar das "modernizações" impostas à força por governos "progressistas".

Em Portugal, à conta de ilusões modernizadoras e de um enorme complexo de inferioridade, venera-se o mundo anglosaxónico e as sociedades pseudo-perfeitas do Norte da Europa; e, nalguns casos, implantam-se soluções soviéticas. E assim também se tem perdido o que temos e herdámos de bom de séculos de civilização - do nosso próprio modelo de civilização, que não deve ser desprezado.

As conclusões deste estudo revelam uma verdadeira catástrofe nacional, que ultrapassa em muito o domínio da saúde pública. Não explicam, obviamente, todos os problemas do país, mas podem ajudar a explicar bastantes: da falta de produtividade, aos níveis de stress no dia-a-dia, à conflitualidade laboral, familiar e até mesmo no trânsito (onde facilmente se detectam grandes sociopatias). Deveria ser um problema a ser atacado por futuros governos com a máxima decisão. Um país não pode esperar alcançar o sucesso com 20% de malucos - desculpem-me a frontalidade.

Mas por muitas medidas preventivas que se tomem no ensino, no mundo laboral, e até mesmo no ordenamento das cidades e do trânsito (evitando a confusão e a conflitualidade; não é preciso ser um especialista para se constatar as diferenças entre os níveis de stress de populações que vivem em bairros de moradias, mesmo das económicas, e as que vivem em bairros de grandes blocos de apartamentos, mesmo os de luxo), a mais importante será voltarmos a uma sociedade de valores, e de combatermos o relativismo e o anti-moralismo vigentes e impostos politica e culturalmente.

Pode parecer linguagem bonita e fácil, mas sou da opinião que a grande saída para a crise deste país será voltarmos a ser mais portugueses. Verdadeiros portugueses, motivados para o bem comum e com respeito pelo próximo, algo que no passado no fez ultrapassar desafios e vencer guerras. Temos de recuperar a sociedade portuguesa, a Nação Portuguesa, e rejeitar quem defende a sua adulteração. Temos de voltar às origens, ao que é nosso e que sabemos que deu bons resultados a gerações de portugueses. Temos de valorizar a Família (nas suas várias vertentes), mas rejeitar a sua adulteração. Temos de ser patriotas e intolerantes com a falta de patriotismo ou a traição. Temos de ser honestos, de dar o exemplo, e punir a fraude e a corrupção. Temos de ter consciência nacional, e não de classe, de tribo social ou de região.

Em suma, temos todos de puxar para o mesmo lado, no sentido que se sabe que é certo. Quando regressarmos a uma sociedade mais pacífica e respeitadora do próximo, sem dúvida teremos (entre outras coisas) níveis de saúde mental menos maus (e vergonhosos) do que temos hoje.

E nem acredito que acabei por escrever tudo isto à conta de um estudo sobre saúde mental da população.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Guarda Real Norueguesa

Impecável!

PT a vender a outra galinha dos ovos de ouro

PT chega a acordo para vender a UOL por 155 milhões de euros

Portugal Telecom vende a Universo Online a João Alves de Queiroz Filho. O UOL é o maior portal de Internet da América Latina e foi vendido por cerca de 155 milhões de euros, um valor que supera as estimativas dos analistas. (...)

O acordo foi firmado por um valor que ronda os 350 milhões de reais, o que corresponde a cerca de 155 milhões de euros, e inclui as acções ordinárias e preferenciais que a PT detém na UOL (mais de 28% do capital). A média das avaliações da posição da PT na UOL com base em quatro casas de investimento é de cerca de 110 milhões de euros, um valor que está mais de 40%.

A UOL rende agora 155 M€, e para o ano já não renderá mais. A PT vendeu as suas duas galinhas dos ovos de ouro no Brasil e distribuiu o produto pelos accionistas e administração. Resta saber de que mais vai a PT desfazer-se. Qual será então o objectivo final desta liquidação da PT, que a reduziu a uma empresa de dimensão estrictamente portuguesa, a menos que o negócio da OI vá para a frente (o que parece ser um cenário cada vez mais improvável)?

Será tornar a PT vulnerável a um take-over por parte da espanhola Telefónica, que para o ano contará com 100% dos lucros da Vivo?

Wikiblackout

Já alguém reparou que, nas últimas duas semanas, a imprensa nacional e internacional passou as notícias sobre as Wikileaks para segundo, terceiro ou nenhum plano?

Electrocutados no bolso

"Parte crucial da estratégia do Governo para a área da energia consistia em colocar duas empresas, a EDP e a Galp, a competir na produção e comercialização de energia. Foram concedidas oito licenças para a construção de grupos de produção a ciclo-combinado, duas à EDP, duas à Endesa, duas à Galp e duas à Iberdrola. Na altura o Governo assegurou que estavam criadas as condições para a concorrência no sector e que esses grupos iriam contribuir "para a descida do preço da energia em Portugal". Sucede que, como não existe uma verdadeira estratégia integrada e coerente para a energia, ninguém reparou que, com o crescimento previsto para a energia renovável, tais centrais não eram necessárias. A EDP, graças ao seu mais profundo conhecimento do sector, avançou rapidamente e em força, construiu os seus dois grupos. A Endesa avançou. Os outros hesitaram e não avançaram. Lá se foi a estratégia de colocar a Galp a concorrer com a EDP. Mas o mais hilariante, não fosse termos de pagar a conta, foi o queixume de que, em face de toda a nova produção renovável, os dois novos grupos não eram rentáveis. Era o que faltava, pensaram logo os nossos governantes, que uma das empresas do regime pudesse ter perdas como se de uma vulgar empresa industrial se tratasse. Vai daí, criou-se o mecanismo de "Garantia de Potência", destinado a promover a construção de novos centros produtores térmicos (dá-se um subsídio para ver se os grupos que ficaram no papel são construídos, mesmo sem serem necessários). E para cúmulo, o sistema aplica-se retroactivamente de forma a que até a central do Ribatejo (que já tem uns cinco anos) seja abrangida. Ou seja, como temos excesso de renovável os consumidores pagam agora para ver as térmicas paradas, garantindo a rendibilidade dos produtores. Brilhante."

Via Ecotretas

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Coisas que passaram despercebidas em 2010 - 2

Francisco Ribeiro, dos Madredeus (entre outros grupos), faleceu em Setembro, e parece esquecido pelas inúmeras revistas do ano que os média fazem nesta altura. Um grande valor da música portuguesa que se perdeu.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mau demais para ser verdade... Mas é verdade!


Desde que o lobby dos arquitectos tomou conta da Câmara de Lisboa que a cidade está passar pelo que é, literalmente e sem exagero, a sua maior destruição desde o terramoto de 1755. Não trata apenas de destruir edifícios por vezes belíssimos e valiosos, mas de os substituir pelo lixo arquitectónico como este. Por exemplo, encontrar uma moradia no centro de Lisboa já é difícil, apesar de terem sido um edifício comum em algumas das avenidas. Na Avenida Fontes Pereira de Melo, desde o Verão que já só resta uma, a que serve de sede ao Metropolitano de Lisboa. As outras já só existem em fotografia em na memória dos lisboetas.
A cidade antiga numa zonas, moderna noutras, mas sempre elegante, está a ser destruída pela manada de arquitectos parolos e de patos bravos que já não têm mais onde destruir no Algarve.

Coisas que passaram despercebidas em 2010 - 1


"É dia 24/11/2010, são 11 horas. Começa um leilão de obras de arte em Londres. Entre elas encontra-se um elmo de D. Sebastião. A grave crise mundial fez muitos venderem objectos herdados que nem sabiam bem o que eram. Os leiloeiros estão tão atarefados, que nem tempo têm de estudar devidamente o que lhes passa pelas mãos. Assim surgiu, no mercado internacional, este elmo rapinado pelo Duque de Alba em Lisboa, em 1580. Espero que passe despercebido! Em tempos já consegui adquirir e trazer de volta a Portugal uma boa parte de uma das armaduras de D. Sebastião. Tinha sido classificada como sendo do Duque Emanuel Filiberto de Sabóia (casado com a Infanta D. Beatriz de Portugal), o que aliás está correcto. Não tinham, porém, visto o quadro no Museu das Janelas Verdes que mostra D. Sebastião utilizando esta armadura que lhe foi oferecida pelo Duque de Sabóia, seu primo, que, com mais 26 anos de idade, já não cabia nela e ofereceu-a a D. Sebastião.

Mantive-me calado! Não disse a ninguém que o elmo de D. Sebastião iria a leilão em Londres. Também dizer para quê? As nossas “Entidades Oficiais” não iriam mexer um dedo para o recuperar! Apenas acabaria por alertar os museus estrangeiros e os leiloeiros. Estes sabem muito bem que uma peça de armadura atribuível a um Duque importante vale, pelo menos, 10 vezes mais do que a mesma sem essa atribuição. Quando a peça é indiscutivelmente atribuída a um monarca, o valor é 20 vezes superior. Mas quando se trata de D. Sebastião, a peça tem simplesmente de regressar a Portugal. Haja manhã de nevoeiro ou não. Estando o Desejado nele ou não!

Se alguém descobrir, vai ser uma desgraça financeira para mim. Encontro-me praticamente sem vintém. Mas, o elmo tem de voltar! A minha conta bancária está vazia. De pouco me ajudaria vender o meu carro. Tem 25 anos e ainda me presta bons serviços. De qualquer maneira, o elmo vai custar o equivalente a muitos carros. Não sei o que fazer. Com lógica não chego lá. Tenho de me deixar guiar pelo subconsciente, e este diz-me: “O ELMO DE D. SEBASTIÃO TEM DE REGRESSAR A PORTUGAL!”Não fui a Londres, uma vez que a minha presença neste leilão faria algumas pessoas pensarem e eventualmente acordarem.Pedi para a leiloeira me telefonar.

Em Londres já estão a vender as primeiras peças no leilão. Tenho o catálogo sobre os joelhos, sentado ao lado do telefone. Da nossa televisão só oiço os berros de mais uma greve geral, totalmente inútil, onde políticos e sindicalistas fazem o seu circo perante as câmaras dos média, vermes do sistema. Se houvesse entre eles alguém que realmente estivesse empenhado no bem de Portugal, essa pessoa estaria a esta hora em Londres a fim de trazer o elmo de D. Sebastião de volta. É preciso defender a identidade lusa e esta mantém-se quando se ama Portugal e a sua história, e não com malabarismos vocais e movimentos de massas arrancadas do trabalho.

Se eu tiver a sorte de, nem o Musée de l’Armée de Paris, nem a Armeria Real de Turim, nem o museu de Filadélfia – visto todos eles possuírem alguns elementos desta armadura, desejando certamente completá-la –, se darem conta de que este elmo lhes faz muita falta, ainda assim é necessário ultrapassar os comerciantes, sempre à procura de lucro fácil. Aí, tenho a “sorte” do elmo ter um pequeno furo (menor do que uma moeda de 1 cêntimo), o suficiente para muitos não o quererem. Este buraquinho não altera em nada a importância histórica da peça, mas apenas o seu momentâneo valor comercial, enquanto não se tiverem dado conta de que se trata de um elmo de um duque, oferecido a um rei. AO NOSSO REI!

Tenho os nervos à flor da pele. O telefone vai tocar dentro de instantes. O que é que vou ter que dar em troca para poder pagar esta factura choruda? Não sei! Depois se verá. O ELMO TEM DE VOLTAR !Não vai haver férias nem presentes de Natal, e mesmo estes cortes não vão ser suficientes. Mas O ELMO TEM DE VOLTAR!

O telefone toca. O elmo vai à praça! Dou uma ordem: “COMPRE!”.
O martelo do leiloeiro bateu!
O ELMO DE D. SEBASTIÃO VAI VOLTAR A PORTUGAL."

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Boas Festas!

A todos os leitores deste blogue, os meus votos de um Feliz Natal e de um Bom Ano Novo!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O caldo entornado

O guerra fria entre as duas Coreias está a atingir o seu momento mais quente desde o fim das hostilidades em 1953. O ataque da Coreia do Norte contra uma ilha da Coreia do Sul fez perder a paciência de toda a gente com o regime comunista de Pyong Yang, e no dias seguintes provocou a mobilização da maior concentração de navios de guerra (55, da Coreia do Sul, EUA e Japão) desde a invasão do Iraque em 2003. A retaliação parece estar a caminho. O Japão está a tratar de mudar a sua Constituição para permitir que as suas forças possam intervir e atacar fora do seu território, agindo em defesa deste. As manobras actualmente em curso são uma demonstração de força e uma forma de punir a China pelo comportamento do seu protegido norte-coreano.

Mas mais significativo é o reforço do dispositivo aéreo e naval americano com uma segunda esquadra de porta-aviões, centrada no USS Carl Vinson, e que inclui o cruzador USS Bunker Hill, este último recentemente modernizado e talvez o navio de superfície mais poderoso do mundo na actualidade. Também o número de submarinos nucleares de ataque da US Navy que saíram para o mar em missão aumentou bastante nas últimas semanas.

No início da missão no Pacífico Ocidental, o vice-almirante Myers, comandante do Carl Vinson Carrier Strike Group dirigiu-se às tripulações dizendo:

"For the folks who are on their first deployment, they're going to write history. Vinson is going to be in the news."