Vaticano condena ataque a igreja durante protesto em Roma (AFP)
O Vaticano condenou neste domingo os actos de violência em meio à manifestação dos "indignados" no sábado em Roma, como o ataque contra uma igreja onde um crucifixo e uma estátua da Virgem Maria foram danificados.
Ao qualificar os confrontos de "horríveis", o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, "condenou a violência e o facto de uma igreja ter sido profanada por alguns manifestantes", em declaração à AFP.
Trata-se da Igreja Santos Marcelino e Pedro, localizada perto da explanada da Basílica de São João de Latrão, onde ocorreram os incidentes mais violentos.
"A estátua da Virgem Maria que estava na entrada foi arrancada e lançada na rua, onde foi danificada. Na sacristia, a porta foi destruída. O grande crucifixo da entrada também ficou danificado", completou.
Centenas de manifestantes quebraram as vitrines dos bancos, incendiaram veículos e lançaram bombas contra as forças de ordem no sábado em meio ao protesto dos "indignados" que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Roma.
Cerca de 70 pessoas ficaram feridas, três delas com gravidade, e 12 foram detidas.
«A austeridade não resolve nada, só aprofunda a crise»; «as ajudas do FMI nunca tiraram nenhum país da crise»; «vamos pelo mesmo caminho da Grécia»; «os cortes nas despesas do Estado só provocam recessão»...
Quando a crise começou, a Irlanda fez grandes reformas, adoptou uma política de austeridade, cortou 15% no número de funcionários do Estado e aos que ficaram cortou-lhes grande parte do salário. As reformas que estão a ser feitas em Portugal vão nesta linha, com a diferença que se tem agravado a carga fiscal em vez de a diminuir porque, à diferença da Irlanda, em Portugal a presença do Estado na economia é gigantesca, e há dívidas para pagar. Ainda assim, Portugal está a seguir o exemplo da Irlanda, não da Grécia. E de lá, contra todos os prognósticos dos mesmos de sempre, as boas notícias começam a chegar:
Isto é um bocadinho diferente da ideia geral que está a passar a imprensa portuguesa, não é? Ah, é verdade: nós não temos imprensa. Temos Comunicação Social.
Foram muitos anos de pão e circo, muitas promessas de prosperidade assente em aparências, muitas aparências assentes em crédito, muito crédito empenhado em betão e bólides efémeros, muitos direitos e pretextos para não fazer, não trabalhar e não deixar trabalhar. Importar era bom, fazer era mau. Muita ilusão, induzida e de criação própria. Um dia talvez a realidade caísse em cima mas, até lá, saboreavam-se as delícias do futebol e dos hipers, e das palavras reconfortantes dos vendedores de banha da cobra, dos aráutos do Estado Social, da Justiça Social, do passe social, da Taxa Social, do serviço público, tudo generosamente gratuito, ou não fosse o Estado a encarnação do Pai Natal. E se o craque do futebol ou o apresentador de concursos recomendam o empréstimo e o cartão de crédito, quem somos nós para duvidar?
Constante negação, por aversão à realidade, e no refúgio do politicamente correcto e da ignorância tida como legítima. «Economia? Isso é coisa que só interessa saber a ricos, a gente que usa fato e gravata». Não quiseram saber onde se estavam a meter porque pensaram que a solução para os problemas é sacudir a água do capote, queixar e criticar, que depois há de vir alguém que pague a conta e resolva.
E veio, mas tarde e a más horas, e somos nós todos que pagamos a conta. A doença evoluiu ao ponto de atingir proporções catastróficas e agora a cirurgia necessária é muito, muito dolorosa.
Tenho esperança que a situação um dia seja aceitável (a prosperidade já está guardada na memória e nos livros de História), mas que ninguém tenha dúvida que Portugal será um país pobre nos próximos 15-20 anos. É demasiada dívida para pagar, demasiada reconstrução do zero que o país terá de empreender, a começar pela mentalidade.
Para já, e para não cairmos no abismo, vamos vendendo os anéis.
Durante décadas a marca portuguesa mais conhecida em todo o mundo, e que actualmente é vendida em 125 países.
É claro que quando se tem sucesso, surgem logo as imitações. Também rosé, nome latino, garrafa ovalada, rótulo no mesmo estilo:
Este também dispensa apresentações:
É um lugar comum dizer-se que até há uns anos fazíamos bom vinho mas não o sabíamos vender. De facto havia quem o soubesse vender bem, e vendia; só não quis aprender com a Sogrape quem não quis (pelo que se vê atrás, na América não perderam tempo). O Mateus Rosé é um ícone de bom marketing, sendo que não precisou de copiar ninguém, apostou num nicho de mercado mal explorado (o vinho rosé, que alguns mercados não conheciam), dirigiu-se a uma clientela (essencialmente feminina) que abarca tanto o vinho de mesa como os consumidores de champagne, e vende-se orgulhosamente como um produto português, sem qualquer referência estrangeira.
Uma lição para muitas empresas portuguesas, as quais acham que exportar significa necessariamente adoptar uma falsa identidade estrangeira, uma marca com nome inglês ou italiano, rotular de «Made in Europe» tendo depois de competir com a multidão que, em qualquer parte do mundo, faz o mesmo. Portugal, apesar da má imagem actual pelas razões que sabemos, é visto internacionalmente como um país de bom gosto, de requinte no prazer de viver e de qualidade de vida, e essa é uma mais valia que ainda não é devidamente entendida e valorizada pelas empresas portuguesas, numa altura em que é importante continuar a aumentar as exportações.
No dia seguinte a Obama mostrar um cartão amarelo à UE, os mesmos Estados Unidos elogiam-nos e destacam-nos - implicitamente - da Grécia, Itália e Espanha, que não têm feito as reformas de que precisam. Só o facto de Paulo Portas aparecer ao lado de Hillary Clinton numa conferência de imprensa (e não numa simples troca de cumprimentos) é enormemente positivo em termos mediáticos. Portugal continuará durante muitos anos a passar por uma situação muito difícil, mas o dia de ontem foi de vitória política e mediática porque marca a viragem na imagem internacional do país, agora mais próximo da Irlanda («estão mal mas estão a enfrentar a situação») do que da Grécia («vão abaixo»).
Apeteceu-me abrir uma garrafa de champanhe quando há pouco ouvi o Ministro da Economia, Santos Pereira, indignar-se por ver organismos e empresas públicas a comprarem produtos estrangeiros quando há equivalentes feitos em Portugal. Até que enfim, que Diabo! Finalmente oiço um governante português a chamar o País à razão neste aspecto: o governo americano compra americano sempre que possível, o francês compra francês, o espanhol compra espanhol. O Estado Português deve preferir produtos e serviços portugueses. Isto é que é normal acontecer, porque é do interesse do Estado não exportar divisas e porque o Estado deve dar o exemplo. O absurdo é fazer o contrário. Tão lógico que até irrita mas mesmo assim até agora ninguém dizia.
Não sendo eu especialista na matéria, creio que nunca houve uma portuguesa a conseguir entrar para o clube restricto das chamadas top models. Sara Sampaio, se não se puder considerar já dentro da categoria, está pelo menos no bom caminho, sendo já um nome estabelecido, tendo ganho protagonismo no conhecido anúncio da Axe Excite (ela é o terceiro dos anjos que cai do céu) e conseguindo agora fazer a capa deste mês da Marie Claire francesa.
É positivo para os países haver modelos (e actrizes) suas a alcançarem a fama, porque é uma mais valia para a imagem internacional, num mundo altamente mediatizado e onde os símbolos por vezes fazem a diferença entre a forma como se encara um país, a sua credibilidade e a dos seus produtos. Por vezes tornam-se em símbolos nacionais em determinada época, como foi o caso de Claudia Schiffer nos anos 90, promovida como o rosto da Alemanha reunificada.
No caso português, onde há um enorme défice de imagem internacional devidamente trabalhada, a Sara é uma boa notícia. No estrangeiro, sobretudo no norte da Europa, vigora o estereotipo de que Portugal é um país de pescadores rudes e velhinhas vestidas de preto, com lenço na cabeça. É uma lufada de ar fresco que apareça alguém a mostrar o contrário, sobretudo nestes tempos de descrédito e humilhação internacional, em que tudo o que vier de positivo é precioso.
Vale a pena acrescentar que a marca portuguesa Lanidor, com boa presença internacional, a escolheu para a campanha deste Outono-Inverno. Boa sorte para ela e que outras portuguesas a sigam.
OTGV não vai chegar tão cedo a Portugal. O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, decidiu anular o contrato para a construção da linha de alta velocidade ferroviária Poceirão-Caia, apurou o SOL.
Prevê-se agora uma dura luta em tribunal entre o Estado e as empresas privadas responsáveis pelo projecto para apurar se haverá lugar ao pagamento (ou não) de indemnizações.
Passos Coelho assumiu a responsabilidade deste dossiê, definindo que a última palavra seria sua. Nem mesmo o ministro da Economia, que tutela o sector, teria poder de decisão sobre este projecto com forte carácter político.
O ‘cartão vermelho’ ao TGV foi mostrado depois de o Tribunal de Contas(TC) ter informado o Governo que não teria de indemnizar os privados caso anulasse o contrato, pois a obra ainda não recebeu o visto prévio – luz verde – da instituição.
Para não incorrerem em mais gastos, as empresas de construção pararam as obras, tal como o SOL noticiou na última edição.
...Obras que avançaram sem a luz verde.
Mas a dúvida resta: se não fosse a crise, o bom senso teria prevalecido? Talvez não. Em todo o caso, há razões para comemorar!
Pouco a pouco, as boas notícias vão chegando. Mas também as más: discordo de algumas das privatizações e do fim das golden share, que outros países mantêm.
Serei só eu que acho ridículos e embaraçosos estes vídeos de orgulho patrioteiro contra a Moody's? Querem contra-argumentar a avaliação do estado desastroso das nossas contas públicas com exemplos de sucesso que nada têm a ver com Economia e de coisas que se passaram há séculos? Em que é que a abolição da pena de morte ou os sucessos passados no futebol ajudam a diminuir as dívidas?
Será que ninguém vê que isto só abandalha ainda mais a nossa imagem internacional?
A avaliação da Moody's até pode estar exagerada, mas é com trabalho sério e não com vídeos que poderemos recuperar da desastrosa avaliação de uma terça-feira, há umas semanas atrás.