terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Cem anos depois da infâmia...


... as saudades de um Portugal melhor e mais digno continuam.

Requiescat in Pace

http://www.regicidio.org/

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Os Carros da Crise - Parte 1: Suzuki Alto 800

Com a crise instalada e com prespectivas negras para os próximos anos, cada vez mais vamos precisar de inovar na forma como gastamos o nosso dinheiro (isto é, enquanto o Estado ainda nos consentir termos dinheiro). O automóvel é um dos nossos maiores sorvedores de dinheiro pelo que teremos de olhar para alternativas racionais, em que a relação qualidade-preço se sobreponha a critérios emocionais. E se não nos importarmos de ficar com carro que não seja último modelo, existem nos países ditos emergentes algumas pechinchas que nos dão que pensar no real valor dos carros disponíveis no nosso mercado. Vão do um pouco ultrapassado ao anacrónico, mas vale a pena ficar a conhecê-los.

Começo por um: o Suzuki Alto, modelo dos anos 80. Continua a fabricar-se na Índia (com o nome de Maruti 800) e no Paquistão (Suzuki Mehran), para estes mercados e para os da região, e também para África.

Com 3,3 m de comprimento, 650 Kg e 4 lugares, está equipado com um motor de 800cc debitando 37 cavalos. Ao longo dos anos tem recebido alguns melhoramentos, na segurança, conforto e o motor já respeita a mais recente norma Euro III de emissões. Pensado para ser usado em países sem boas estradas nem boa assistência técnica, apesar de pequeno é robusto, fiável e económico. Era até há pouco tempo o campeão de vendas na Índia, onde já se produziram mais de um milhão, e continua a liderar a tabela no Paquistão, onde está disponível numa versão a gás natural de origem.

Tanto na Índia como no Paquistão, o preço de venda (todos os impostos incluídos) ronda os 3500 Euros; o preço de uma moto de 125cc em Portugal.

Como eu disse, isto dá que pensar não dá?

Site oficial do Maruti 800

Site oficial do PAK-Suzuki Mehran

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O luxo e a magia do mar

Copyright João Quaresma

Dedicado a Sailor Girl e Luis Miguel Correia

Homenagem à Galiza

Dedicada a todos os blogueiros galegos com paixão pelo mar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A importância de falar Inglês

Dá sempre jeito saber falar Inglês. Para quando se viaja, ou se navega na internet, ou se dá uma indicação a um turista estrangeiro ou mesmo, quem sabe, quando... se é controlador de tráfego aéreo. Este incidente aconteceu em 2005, quando um avião pretendia aterrar no aeroporto de Ezeiza, que serve Buenos Aires.


Aquecimento global: a Costa da Caparica em 2028

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A redescoberta do mar, a redescoberta da pólvora.

Editorial de André Macedo no Diário Económico de ontem:

O burro e o mar

O Ministério da Economia pediu um estudo a uma agência de publicidade para entender melhor como os outros mercados olham para Portugal.

André Macedo

Não seria preciso grande esforço intelectual para chegar às conclusões apresentadas, mas as que chegaram às mãos do Governo revelam alguma graça e desgraça – desde que se tenha alguma capacidade de humor. À pergunta: a que animal associa Portugal, a maioria respondeu: o burro. Poderia ter sido a águia – que nos faria voar de contentamento. Ou o touro – que nos faria inchar de orgulho. Infelizmente, calhou-nos o burro. Ninguém gosta de ser o burro, mas é esse o fardo que carregamos sem grande esperança e sem nenhuma espécie de inquietação.

Mas porquê o burro?

É evidente: somos um país velho, lento e desgastado. Um país que as empresas estrangeiras e os turistas não visitam para comprar novas tecnologias, ‘design’ ou procurar conhecimento. Somos, regra geral, simpáticos e disponíveis. Estamos habituados a sacrificar-nos e a ver os outros andar mais depressa sem grande perturbação – excepto nas estradas. Não somos competitivos, apesar de acharmos que sim, e passamos a vida a remoer a mesma palha seca, sem rumo definido e sem estratégia, embora às vezes acreditemos que, afinal, vivemos, num oásis rico e confortável. Más notícias: não vivemos.

É por isso que a campanha para promover o país, que o Governo apresentará hoje, em Lisboa e no Porto, deve ser olhada com curiosidade e desconfiança. Curiosidade porque é interessante observar como nos vemos ao espelho e nos queremos projectar para fora. Desconfiança porque a campanha será puro desperdício se não for o reflexo daquilo que realmente somos e do que queremos ser amanhã.

Já sabemos que temos futebolistas e fadistas, como antes tínhamos fundistas (Carlos Lopes e Rosa Mota). Que produzimos boa cortiça, vinho e azeite, embora só a primeira tenha peso internacional. Que temos boas praias e golfe, apesar da destruição e da falta de planeamento. Mas, num país de palmo e meio, falta um eixo que agarre tudo, lhe dê coerência e nos torne competitivos. O turismo e os serviços não chegam. A maquinaria de média tecnologia – que cada vez vendemos mais –, não tem grande futuro. E então? Cavaco Silva apontou recentemente para o mar. Não é genial, não é, sequer, novo: o presidente da República não descobriu a pólvora, nem o Brasil, mas é evidente que a aposta faz sentido.

Já temos, em Lisboa, a Agência Europeia do Mar, o Oceanário e uma enorme costa atlântica com uma zona económica exclusiva sem paralelo na UE: é a quinta maior do mundo e tem 18 vezes a nossa superfície terrestre. Deveríamos ser, por isso, o país dos estaleiros navais, do ‘design’ dos barcos, da investigação e do conhecimento marítimos, da energia das ondas, da indústria dos congelados – além do país das praias, claro. Nada disto empurraria Portugal para o fundo; pelo contrário, puxaria para cima, com inteligência e qualidade. Hoje burros, amanhã sardinhas, golfinhos…. Dava uma boa campanha e, melhor ainda, garantia algum futuro.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Cão d'um caneco!


A autêntica e inimitável caneca oficial do Van Dog. Pode ser uma boa prenda para oferecer este Natal aos amigos, aos conhecidos, aos chatos a quem por alguma razão fica mal não dar uma prenda, e por aí adiante. Estas e outras sugestões de Natal podem ser compradas online no site cãoficial do Van Dog.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

No comments

Os sportinguistas que me desculpem. Isto foi perfeição.

O Tonto-tropicalismo

Vasco Graça Moura, hoje no DN, de novo sobre o maior atentado alguma vez cometido contra a cultura portuguesa:

Creio ter demonstrado no meu último artigo que o Acordo Ortográfico não assegura, antes prejudica, a unidade da língua portuguesa. Mas há também outros aspectos práticos da maior relevância.

Vasco Teixeira, um dos mais destacados editores portugueses, com especial projecção na área do livro escolar, levanta algumas questões essenciais a tal respeito, no suplemento de Educação do JL da semana passada.

Essas questões, como se dizia n'As Mil e Uma Noites, deveriam ser gravadas com a ponta de uma agulha no canto do olho de cada um dos nossos governantes, de modo a não serem esquecidas...

As mais importantes prendem-se com a inutilização, que o acordo implicará, de milhões de livros adquiridos pelo Governo no âmbito do Plano Nacional de Leitura, em 2006 e 2007; com o prejuízo à própria vigência por seis anos dos manuais escolares determinada pelo Governo, mais um tempo de elaboração desses materiais de pelo menos dois anos, o que perfaz oito; com a morosidade de adaptação e os custos astronómicos dela, quanto a todos os livros escolares, materiais didácticos e outros instrumentos imprescindíveis (dicionários, gramáticas, manuais, obras auxiliares...) que terão de ser reconvertidos à nova grafia, o que será "absolutamente indispensável para o sucesso das aprendizagens dos nossos alunos", de tal modo que "uma correcta aplicação do Acordo Ortográfico ao sistema educativo português dependerá obrigatoriamente de um planeamento e de uma fase de transição que, por certo, levará alguns anos e custará várias dezenas de milhões de euros"!

Por outro lado, são verdadeiramente alarmantes as dificuldades que essa sinistra aberração ortográfica trará à expansão cada vez mais importante do livro português nos PALOP, especialmente em Angola e Moçambique, afectando "um ponto de enormíssimo valor estratégico". A questão dos PALOP é particularmente grave, porque a edição portuguesa está a beneficiar de uma importante presença neles e, "apesar da concorrência dos maiores grupos editoriais mundiais", também está, através da Porto Editora e da Texto, a produzir "a esmagadora maioria dos manuais escolares utilizados naqueles países".

Isto, quanto a Angola, já representa milhões de dólares. Quanto a Moçambique, um sexto das nossas exportações para aquele país é assegurado pelas mesmas editoras que produzem livros escolares concebidos especificamente para os ensinos básico e o secundário do país.

Por isso, Vasco Teixeira fala num "contributo incomensurável para o fortalecimento dos laços linguísticos, educacionais, culturais, científicos e académicos, entre Portugal e Angola e Moçambique" que não pode levianamente ser posto em risco.

A partir desta intervenção de quem conhece tão bem o que se passa, pode-se ver ainda mais longe: Se Portugal vai precisar de muitos anos e de muitos milhões de euros para cumprir o acordo, entretanto, não deixará de haver grupos editoriais brasileiros que a grande velocidade lhe tomarão o lugar em África sem apelo nem agravo, uma vez que não têm de fazer absolutamente nada para se adaptarem à situação! Entre umas consoantes de há muito suprimidas no Brasil e umas grafias facultativas agora consagradas para todos e que vêm mesmo a calhar, já está tudo pronto, incluindo o segmento pesado dos dicionários, e o negócio é fora de série!

Portugal perderá, intra e extramuros e da maneira mais estúpida, essa decisiva partida geostratégica, em nome da tal "unidade essencial da língua" que o acordo não assegura nem de perto nem de longe.
Assim a política portuguesa se serve candidamente, não da ciência mas da ficção científica, e há nela umas luminárias que se deixam persuadir com chavões de feira e não atentam em que a unidade essencial da língua existe desde há muito e tem resistido saudavelmente a reformas, acordos ortográficos e a toda uma série de parvoíces académicas e diplomáticas.
A identidade absoluta da língua é que é impossível. Sempre o foi e será. Até de falante para falante, quanto mais de país para país... Mas o Governo português não pestaneja nestas matérias e toma a iniciativa de se pôr a jeito, em vias de engendrar para nós um conceito não sonhado por Gilberto Freyre: o do "tonto-tropicalismo", isto é, o novo e aparvalhado contributo lusíada para a expansão virtuosa da língua portuguesa no mundo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Para ganharmos todos

Este Outono arrancou em força a campanha «Compro o que é nosso», promovida pela Associação Empresarial de Portugal, como forma de incentivar a preferência de produtos portugueses. Campanhas semelhantes existem noutros países, mas em Portugal esta é especialmente necessária porque, em boa verdade, serão raros os países onde os consumidores sejam tão relutantes em relação à compra dos seus próprios produtos. Por ignorância, complexos de inferioridade ou simples (e estúpido) snobismo, o consumidor português sempre teve queda para presumir que o que é nacional é mau, apesar do slogan publicitário em sentido contrário popularizado por uma conhecida marca de bolachas.


Como em todos os países, em Portugal fazem-se bons e maus produtos. Felizmente que muitos são de boa qualidade, não poucas vezes superior ao que é importado e domina o mercado. Infelizmente esse domínio acontece porque o consumidor muitas vezes nem sequer reconhece um bom produto quando o tem à sua frente, deixando a sua decisão de compra residir na aparência, ou tão simplesmente na marca, pensando adquirir um determinado status apenas por a ostentar - mesmo que isso signifique pagar um preço absurdo por um produto de qualidade inferior.

Esse é um factor que tem sido determinante no virar de costas do consumidor português em relação aos produtos portugueses. Por vezes nem sequer existem defeitos a apontar a um determinado produto português, sendo de boa qualidade, boa aparência e bom preço, mas nem assim as pessoas se decidem a comprar, preocupadas que estão com o que é que os amigos e colegas vão pensar quando os virem com um produto de marca portuguesa.

Um comportamente de auto-desqualificação absurdo e anormal - sobretudo quando comparado com o dos consumidores dos outros países desenvolvidos - e que leva à situação (igualmente absurda, mas compreensível) das empresas portuguesas advogarem a qualidade dos seus produtos com o sucesso na exportação dos mesmos, a tal ponto é grande o complexo de inferioridade que temos. Nem sequer confiamos na nossa própria capacidade de avaliação!

As consequências desta maneira de agir para a nossa economia são ruinosas, não só pela perda de riqueza para vai para o estrangeiro cada vez que se compra um produto importado em desfavor de um produto nacional equivalente, mas também pela constante desvalorização da credibilidade e auto-estima, inibindo o nosso espírito de iniciativa e arruinando a nossa credibilidade externa. Se Portugal hoje é um país em acelerado processo de desindustrialização em muito se deve a esta mentalidade. Sem dúvida que é, como sempre foi, mais fácil e prático importar produtos e vendê-los. Mas - escusado será dizer - isso conduz não só à não produção de riqueza e à sua transferência para fora do país, mas também à sua menor distribuição, uma vez que envolve infinitamente menos mão-de-obra. Muito mais do que a tão apregoada fuga ao fisco, é a substituição de produtos portugueses por estrangeiros o factor que mais tem contribuido para as desigualdades na distribuição de riqueza que se verificam (e agravam) em Portugal.



Se o consumidor português preferisse ou, pelo menos, não descartasse os produtos e serviços portugueses, não haja dúvida que Portugal seria um país mais próspero e com muito menos desemprego. E se as empresas portuguesas fossem mais sólidas (em especial as pequenas e médias), a pressão sobre o poder político para governar bem o país seria maior e mais generalizada, e não apenas privilégio de uma mão-cheia de grandes grupos económicos.



É, portanto, urgente mudar de mentalidade. Exportar é bom e prioritário mas não podemos esperar que os outros comprem os nossos produtos se nós próprios os rejeitamos e desqualificamos. E o nosso mercado, que o facilitismo de alguns sempre classifica de demasiado pequeno, parece não ser assim tão desinteressante para as empresas estrangeiras: dez milhões de consumidores europeus não é nada de se deitar fora. É do nosso interesse mudar a nossa maneira de pensar não só porque a economia portuguesa atravessa uma grave crise mas também porque frequentemente o consumidor fica directamente a ganhar ao preferir um produto português pela sua melhor relação qualidade-preço. E, ao preferirmos produtos nacionais, ficamos todos a ganhar.


Compro o que é Nosso

Imagens de produtos portugueses: barco San Remo 740 Sport; frigorífico digital Meireles NFR 51 WD S; carrinho de bebé Bebecar Racer ST; capacete tri-composito Nexx XR1 Speed; Sumol morangos; consola GPS NDrive G500; colecção Outono-Inverno 2007-8 Ana Sousa.

terça-feira, 20 de novembro de 2007