quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Piece of Cake!

Miguel Arrobas: «O mar estava óptimo para nadar»

PORTUGUÊS FELIZ COM A TRAVESSIA DO CANAL DA MANCHA

O nadador português Miguel Arrobas manifestou-se bastante satisfeito por ter terminado em 09:30 horas a travessia do Canal da Mancha, garantindo que apesar do cansaço, do frio e dos enjoos os "braços estavam prontos para nadar mais". "Foi óptimo, esta aventura está concluída e abaixo da minha expectativa das 10 horas", disse hoje à Agência Lusa Miguel Arrobas, após concluir a travessia a nado entre Shakespeare's Cliff, em Dover (Inglaterra), e o Cabo Gris Nez, entre Boulogne e Calais (França). Miguel Arrobas, antigo nadador olímpico, entrou para a água às 03:58 horas terminando a aventura às 13:28 e foi acompanhado apenas por um barco de apoio, com um árbitro, que valida o tempo da travessia, e o piloto britânico Fred Mardle. "Enjoei imenso, estive quase todo o tempo enjoado, nem consegui comer nada, fiquei-me só pelo gel. Mas, a nível físico, o corpo deu sinal dos treinos específicos que fiz e acabei por ter apenas uma cãibra mínima num braço", explicou o nadador, que realçou que o "mar esteve óptimo para nadar, com vento fraco, choveu imenso e a água devia estar a 17 graus" Segundo Miguel Arrobas, durante as 9:30 horas da travessia apenas teve de dar passagem a uma embarcação "que transportava carros, tinha uns 10 andares, parecia um prédio" e que, pela dimensão, lhe transmitiu algum "receio". "A primeira hora e meia estava noite escura, que me deu a sensação desagradável de não saber para onde estava a ir. Depois, fui sentindo bastante a ondulação, andei quase sempre aos saltos, mas quando vi terra comecei a acelerar. Parecia perto, mas era mais longe do que parecia e as correntes muito fortes", sublinhou o atleta da Associação de Nadadores dos Estoris. Miguel Arrobas explicou que devido às correntes junto à costa francesa, gastou 27 minutos nos últimos mil metros da travessia, quando demora, em média, 12 minutos para nadar a distância. Aos 33 anos, o nadador e jurista tornou-se no segundo português a concluir aquela que é considerada a prova rainha mundial da natação de águas abertas, por ser um percurso longo, com correntes fortes e temperaturas baixas, depois de Baptista Pereira, em 1954 e 1959 ter conseguido os tempos de 12:25 horas e 13:12, respectivamente. O recorde absoluto da travessia do Canal da Mancha foi obtido pelo búlgaro Petar Stoychev, que em 2006 fez o percurso em 6:57 horas Depois do sucesso de Miguel Arrobas, Nuno Vicente, 29 anos, do Clube de Natação de Torres Novas, tentará a mesma proeza entre os dias 9 e 15 de Agosto, no seu caso com a companhia do piloto Ray Cooper, também britânico. "O Nuno já sabe com o que conta, mas vou dizer-lhe que escusa de olhar para a frente para tentar ver terra. Eu só a vi quase 8:15 horas depois de partir e ainda assim temos sempre a dúvida se estamos longe ou perto", referiu Miguel Arrobas, antecipando a tentativa do companheiro de aventuras e de treino. Os dois nadadores disseram à Lusa, que caso consigam concluir com sucesso a aventura no Canal da Mancha, pretendem tentar nadar os 21 quilómetros da travessia do Estreito de Gibaltar, entre Espanha e Marrocos.

Do Record.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Kingdom of the Allgarves

Respondendo à Gi.

Acho que tem toda a razão, em tudo menos nisto:

«Não lhes interessa nada que para eles se tenham construído toneladas de betão e descaracterizado uma província, porque nem lhes passa pela cabeça como era ou podia ser de outra maneira.»

A alguns não interessará. Mas à maioria interessa. Para quem passa o ano rodeado de betão, saberia bem chegar a uma costa que estivesse preservada. Mas, durante décadas, quando se dizia aos algarvios que se estava a construir demais, a resposta era que não, que ainda havia muito por onde construir. O resultado está à vista, no betão e no número crescente de portugueses que passam férias em Espanha, no Brasil, Caraíbas e Cabo Verde. Mas também no número crescente de turistas estrangeiros que visita Portugal mas evita o Algarve.

Muitos dos portugueses que hoje vão para o Algarve, vão porque podem levar os filhos, ou porque é mais prático alugar uma casa a meias com amigos, ou porque compraram lá casa (e muitas vezes não a conseguem vender e aproveitam-na já que a têm), ou porque ficam em casa de conhecidos.

Sem dúvida que são os ingleses que mantêm o Algarve a funcionar durante o resto do ano. Mas, tudo somado, quem dá mais dinheiro são os portugueses, pelo número e pelos preços das estadias que pagam (é muito mais barato comprar uma semana de férias no Algarve em Londres do que em Lisboa, e já não falo em época alta). E como levamos sobretudo com a classe média-baixa inglesa, o gasto per capita não é tão elevado assim.

E não custa nada fazer ementas em Português.

O verdadeiro problema é que muito frequentemente o português é mal-vindo e tratado como turista de 2ª ou 3ª, é propositadamente mal-atendido nos restaurantes, mandado para as piores mesas, mal-servido nas doses e na qualidade, para ter a certeza de que não volta. Isto para manter o ambiente "limpo" de mediterrânicos, ao gosto do Apartheid inglês, e que também prefere não ter alemães, franceses, espanhóis ou holandeses por perto (os irlandeses são tolerados). E se puderem pedir os seus fish and chips e a caneca de Guiness a um empregado inglês, num restaurante de um inglês, pagando em libras enquanto assistem a um jogo na Sky Sports, então perfeito. Eu já vivi no Algarve, eu sei como é. Infelizmente, muitos algarvios alinham nisto, indo ao ponto de pintarem o cabelo de ruivo e colocarem lentes de contacto azuis, para parecerem menos latinos (caso do director comercial de um dos maiores empreendimentos do Algarve).

O turismo no Algarve melhorou muito, está mais profissional, mais competente (até porque a competição é muita), mas ainda falta um longo caminho a percorrer até se chegar à qualidade de serviços que se encontra em Espanha. Ainda prevalece a vigarice permanente. Nos restaurantes vem sempre um empregado trazer-nos qualquer coisa que não pedimos, a conta do restaurante vem sempre errada, com coisas que não consumimos ou com preços mais altos do que os indicados na ementa, a ver se pega. É cansativo estar de férias e ter de estar sempre na atento às vigarices a todo o momento.

Está carregada de razão em relação a Torremolinos, Benidorm e quejandos (curiosamente, foram investidores portugueses que arrancaram com Marbella, nos anos 60). Por cá, achou-se e acha-se ainda que aquilo é que é. É triste dizer isto, mas para além da ganância dos negócios imobiliários, muitos autarcas arruinam as suas terras genuinamente convencidos que lhes estão a prestar um grande serviço. Betão é modernidade.

Só mais recentemente, e com a crise imobiliária, é que muita gente está finalmente a perceber que é preciso apostar na qualidade e que, para os ingleses, casa é uma moradia, não um apartamento. Sobretudo se vêm para um país pobre do sul da Europa, à procura de sossêgo e privacidade. Mas para construir bairros de moradias são precisas duas coisas que já faltam: muito espaço e não ter prédios por perto. Agora é tarde e astronomicamente caro de corrigir.

Não se pense que eu não gosto do Algarve ou dos algarvios: gosto e muito. E por isso tenho imensa pena pelo muito que tem sido estragado. Se tivesse havido bom senso e bom gosto, seria a Califórnia da Europa, com 1/10 dos turistas e o dobro do rendimento.

Travessia do Canal da Mancha, a nado

Dois nadadores portugueses querem repetir a proeza de Baptista Pereira, em 1954, e cumprir os 34 km a nado. A preparação começou há mais de dois anos e meio. (Expresso)

Boa sorte aos dois, e em especial ao Miguel, meu colega de universidade. Tenho a certeza de que vão conseguir. Para quem consegue fazer Farilhões-Peniche, o Canal da Mancha é piece of cake.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

terça-feira, 29 de julho de 2008

Bicphone, o anti-IPhone

Já antes tinha havido experiências nos EUA com telemóveis descartáveis, mas todas elas sem sucesso. Mas agora quem se lança na negócio é um especialista neste tipo de aventuras: a BIC. A empresa francesa, conhecida por massificar versões descartáveis de produtos anteriormente caros (a esferográfica, o isqueiro, a lâmina de barbear), vai lançar no mercado o primeiro telemóvel descartável.

O Bicphone é um telemóvel 100% pronto a utilizar, sem contrato e com as funções reduzidas ao mínimo: voz e SMS. Será vendido em grandes superfícies e quiosques por 49€, incluindo 60 minutos de conversação válidos por dois meses. Poderá sempre ser recarregado e o número atribuído será válido por um mínimo de 12 meses. Será colocado à venda em França no próximo dia 7, e surgirá em apenas duas cores: laranja e verde.

O público-alvo são turistas, pessoas que perderam o telemóvel, crianças e todos aqueles que necessitam de um telemóvel apenas para falar e enviar/receber SMS (que, no fim de contas, é a grande maioria dos utilizadores).

O Bicphone reúne três empresas: a Alcatel, responsável pela concepção e pelo fabrico (que subcontratou a uma empresa chinesa), a Orange (da France Telecom) em cuja rede o telemóvel vai operar, e a Bic, que idealizou o produto e o vai comercializar. Fabrico à parte, é um produto 100% francês.

Uma receita que poderia ser seguida por cá: porque não o Gorilaphone? Uma parceria das pastilhas elásticas Gorila, da Ndrive e da Optimus?

domingo, 27 de julho de 2008

sábado, 26 de julho de 2008

Directamente da Nova Europa

Digamos que isto é um presente: o Regabophe fez agora um ano.

terça-feira, 22 de julho de 2008

sábado, 19 de julho de 2008

Scirocco

Já se fabrica em Palmela o novo Volkswagen Scirocco. Sobre os seus (largos) ombros tem a responsabilidade de suceder a um modelo mítico dos anos 70. Em Portugal estará disponível a partir de Setembro. Mas vale a pena navegar no site inglês para conhecer os pormenores. Na introdução do site alemão pode ser visto o novo anúncio.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Franka Potente - I believe

Da banda sonora do filme «Corre, Lola, corre!», cantada pela actriz principal.

Lição esquecida

Recorte de notícia de uma Revista Sábado de 1990:
Quando estive a observar o incêndio na Avenida da Liberdade, não vi nenhum destes mini-pronto-socorro, apesar de ver material bastante mais antigo (até dos anos 60). Nem sequer um modelo equivalente, capaz de manobrar à vontade, por exemplo, no Bairro Alto. O único UMM que vi, um utilitário dos Lisbonenses, fartou-se de trabalhar transportando equipas de bombeiros de um lado para o outro, a grande velocidade (tanta que nem deu para tirar uma foto decente).

É bom ter grandes camiões com potentes canhões de água (como os que equipam os camiões do Aeroporto de Lisboa, que há 20 anos foram quem extinguiu o Incêndio do Chiado). Mas veículos destes fazem falta, para atacar os focos de incêndio o mais depressa possível.

Decididamente, parece-me que há aqui uma grande falta de bom senso.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Carro eléctrico português

Enquanto o projecto Renault-Nissan recebeu as atenções e favores do Governo, que ambiciona que empresas portuguesas forneçam peças para os veículos que iremos importar, pouca atenção foi dada a um automóvel eléctrico 100% português que está pronto a entrar em produção, após uma década de desenvolvimento, contra todas as dificuldades típicas de quem tem ambição em Portugal.

terça-feira, 8 de julho de 2008

domingo, 6 de julho de 2008

Parabéns a mim

Faz agora exactamente seis meses que parei de fumar, depois de vários anos a fumar perto de um maço por dia.

Sem stress, com teimosia, sem qualquer ajuda que não pastilhas elásticas Chicklets Fire e andando mais a pé do que era costume, deu para desabituar e fazer alguma limpeza ao organismo. Há um mês atrás aproveitei a campanha «Por uma vida sem tabaco» para fazer o teste do balão: medir o nível de monóxido de carbono nos pulmões. E deram-me os parabéns: o resultado foi de 6 ppm (particulas de CO por um X volume de ar), no patamar inferior de um fumador passivo nas 48 horas precedentes e que me disseram ser bastante bom considerando que ainda só tinha deixado de fumar havia 5 meses.
Mas isto é o nível de monóxido de carbono; outra coisa é o alcatrão acumulado nos pulmões, e isso não pude avaliar. Normalmente, 12 anos de fumo regular já dão direito a cancro do pulmão mesmo que este só apareça muitos anos mais tarde. Mas pode ser que não e vale a pena parar a tempo.

Por isso, incito os fumadores a largarem o vício ou pelo menos reduzirem-no (o que já é positivo). Se precisarem de conselhos é só dizerem. Para mim tem sido surpreendemente fácil desta tentativa (a terceira). Quase se podia dizer que eu não gosto de fumar. Errado: eu gosto. Gosto mesmo muito, sobretudo a seguir um bom café, bem aromático. Mas o que tem que ser tem muita força e a nossa saúde está primeiro.

Mais informação em Help EU.com

Economizar, mas com moderação

Em Lisboa, frente à Basílica da Estrela.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

20 anos de Camac Terra

O nome pode não dizer nada ao comum dos leitores, mas os adeptos do todo-o-terreno conhecem-no bem. É que há produtos que acabam por se tornar autênticas instituições. Por estranho que pareça, até mesmo um pneu. O Terra é um modelo de pneu destinado a jipes, concebido e fabricado desde 1988 pela Camac, que é actualmente o único fabricante de pneus 100% português. Desde que foi lançado obteve um enorme sucesso ao ser fornecido de origem com os saudosos UMM, e tornando-se na escolha de muitos proprietários de jipes em Portugal. É um pneu misto, para uso em estrada e fora dela, e capaz de boas prestações em ambas as condições.

Entretanto, a Camac prepara-se para lançar um novo pneu de todo-o-terreno: o Maghreb. Infelizmente, a empresa foi há pouco tempo notícia devido a dificuldades causadas pela falta de iniciativa do Estado em dar a esta empresa portuguesa o mesmo tratamento que às empresas estrangeiras que investem em Portugal. Mas do que a Camac mais se pode queixar é do comércio a retalho português. Raramente se vê uma garagem que anuncie que vende pneus Camac, apesar de serem um produto de elevada qualidade e que poderia ser vendido num escalão de preço superior àquele em que é. Geralmente só estão disponíveis por encomenda, o que desde logo desincentiva a sua escolha. É a frequente sacanice para com os produtos portugueses do tão queixoso comércio português.
Mas também há excepções. A Megamundi é uma empresa resultante da associação de 44 empresas de revenda de pneus e assistência automóvel, com uma rede de Norte a Sul do país e na Madeira, e que privilegia na medida do possível os produtos portugueses. Lançou recentemente a sua própria marca de pneus, a Megaroad, que mais não são do que os pneus Camac com outro nome. Sendo uma marca branca, os pneus são vendidos a preços mais baixos.

São de saudar iniciativas como esta. Resta agora que os consumidores correspondam. É que o patriotismo não deve existir apenas para o futebol. Um dia pode ser a nossa empresa a passar por dificuldades por falta de clientes.