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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Recomenda-se: Jobs

De Joshua Michael Stern, com Ashton Kutcher no papel de Steve Jobs.
Não sendo um filme excepcional, dando o desconto que faz parte da construção do mito em trono de Steve Jobs, e que provavelmente não será 100% fiel à verdade, que obviamente serve os interesses de marketing da Apple, que não resistiu aos clichés sobre os computer geeks e os universitários do final dos anos 60/anos 70, é ainda assim um filme interessante, bem realizado e interpretado, carregado aos ombros por Ashton Kutcher. A figura de Jobs é tratada nas suas várias facetas, do aluno universitário ao empresário visionário, passando pelo relacionamento com os seus próximos, e naturalmente pelos seus ensinamentos. A banda sonora também é bastante bem sucedida.
E para quem teve as primeiras aulas de informática há quase 30 anos (ao teclado de um Bull 80286, de 8 MHz - uma grande máquina na altura), ver este filme desperta memórias e carinho por uma época em que a informática estava a chegar ao alcance do comum dos mortais, com teclados iguais aos das máquinas de escrever electrónicas, monitores de válvulas com ecrãns monocromáticos (onde, quando se movia o cursor de um lado para o outro, deixava um rasto de luz atrás de si) e a informação guardada em disquettes de 5 e 1/4 de polegada, 360 Kbytes de memória - os discos rígidos só apareceram mais tarde. Na altura, era a tecnologia de ponta, a começar a transformar as nossas vidas.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Recomenda-se: Um Caso Real

Um filme dinamarquês que relata o conturbado reinado de Cristiano VII da Dinamarca e Noruega, com a chegada das ideias do Iluminismo àquele que era na altura um país conservador. Aparentemente rigoroso em termos históricos, toma por vezes o partido por um processo político que, se por um lado deu à Dinamarca uma muito necessária modernização em muitos aspectos, por outro foi considerado usurpador e odiado pela generalidade do país. E que o deixou numa situação difícil e mergulhado numa crise politica, além de ter tornado a corte dinamarquesa num alvo de chacota internacional. O que pode tornar o filme ainda mais interessante se o espectador guardar algum espírito crítico quanto à forma como os factos são apresentados.
Bem realizado por Nicolaj Arcel, conta com excelentes desempenhos e todos os condimentos de um bom filme de época (cenários, guarda-roupa e música).
De novo, aconselho a evitar o trailer.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Recomenda-se: Efeitos Secundários

efeitos secundarios soderbergh
Não, não abandonei o Regabophe, apenas tenho andado por outras paragens, mas prometo que vou ser menos desleixado (pouco inspirado será mais correcto).
Hoje, recomendo o mais recente filme de Steven Soderbergh, com um bom argumento e bons desempenhos de Jude Law e Rooney Mara. Aconselho a não ver o trailer, que revela demasiado. É melhor ir sem saber nada do que se trata.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Linhas de Wellington


Enquanto a Espanha tem assinalado com pompa e circunstância o bicentenário do que designa como a sua Guerra da Independência, enaltecendo o seu esforço e exagerando o seu contributo para a derrota da França Napoleónica, em Portugal as comemorações do bicentenário das Invasões Francesas têm estado quase exclusivamente a cargo das Forças Armadas, e gozando de pouca ou nenhuma divulgação e visibilidade. Não faz qualquer sentido que assim seja, já que Portugal foi um dos vencedores daquela que foi, até então, a maior guerra a que o mundo assitiu, abrangendo o continente europeu e extendendo-se para além dele (campanha napoleónica do Egipto, conquista da Guiana Francesa por Portugal), tendo dado um contributo relevante para a vitória dos Aliados. E, no que toca a História, convém que Portugal saiba sempre marcar a sua posição caso contrário outros aproveitarão a oportunidade para revisionismos.
Quando, há uns anos, se deu início às comemorações dos 200 anos das Invasões Francesas, teve lugar em Lisboa um seminário internacional reunindo historiadores militares dos países envolvidos: Portugal, França, Espanha, Reino Unido e Brasil (que no momento das invasões foi elevado a reino e para onde foi transferido o governo e a capital). A perspectiva britânica era de que a Guerra Peninsular tinha sido uma vitória britânica, fruto da qualidade dos exércitos de Sua Majestade e do génio do general Arthur Wellesley (Duque de Wellington), numa campanha em que as tropas portuguesas tinham tido um papel digno mas de mero coadjuvante (as referências era feitas em tom de nota de rodapé...) Por seu turno, na perspectiva francesa, as invasões são ainda hoje referidas como as Expedições: não se tratava de invadir ninguém mas antes de combater o inimigo inglês, libertar os povos das trevas do Ancient Régime e implantar as luzes da Revolução Francesa. Não tardou muito a que tais pontos de vista tivessem resposta portuguesa e espanhola, dando a perspectiva dos invadidos. Recordo-me de ver, na pausa para café, o representante francês a "ferver" com o que tinha acabado de ouvir, vendo que a memória que dos Pirinéus para cá se guarda da ocupação francesa não é melhor do que a que os franceses guardam da ocupação nazi. Duzentos anos depois, as memórias e as feridas continuavam surpreendentemente presentes, e tinha bastado alguma arrogância e convencimento - e quiçá a ideia errada que o Português tudo perdoa, tudo aceita - para o revelar.

Duzentos e dois anos depois da derrota francesa frente ao Exército Anglo-português entrincheirado na Linhas de Torres, chegou às salas este filme português, proposto pela Câmara Municipal de Torres Vedras para comemorar o bicentenário do acontecimento que colocou a povoação do Oeste nos anais da História Militar mundial.
Mais do que uma reconstituição histórica e um filme de guerra, é sobretudo um relato sobre como a guerra (no caso, a Terceira Invasão Francesa) foi vivida por pessoas de todos os géneros, cujas vidas foram alteradas pelos acontecimentos: portugueses, ingleses, franceses ou cidadãos de outras nacionalidades que, por uma razão ou por outra, cá estavam na altura. Tudo isto tendo como pano de fundo a retirada estratégica do Exército Anglo-português e das populações para trás das Linhas de Torres Vedras, levando a cabo a política da terra queimada: uma estratégia que para muitos portugueses implicou passar fome para poder reconquistar a Liberdade e Independência. Serve para lembrar às gerações actuais o que significa para um povo passar por uma guerra e uma ocupação, no exemplo do maior suplício por que o Povo Português passou em toda a sua história.
É um filme de qualidade a todos os níveis, de que destaco a prestação do numeroso e competente elenco. Será emitido futuramente na versão de série de TV mas aconselho vivamente a vê-lo no cinema.
Estão de parabéns Paulo Branco (que produziu), Carlos Saboga (que escreveu), Raul Ruiz (que pré-produziu) e Valeria Sarmiento (que realizou). Está de parabéns o cinema português.

Site oficial do filme: http://www.linesofwellington.com/pt/linhas_wellington_home.php
Site oficial das Comemorações do Bicentenário das Linhas de Torres Vedras: http://www.linhasdetorresvedras.com/
Facebook: http://www.facebook.com/linhasdetorresvedras

sexta-feira, 13 de julho de 2012

North Atlantic

Está a decorrer no Youtube o Your Film Festival, um festival de curtas metragens em que os cibernautas são o júri. Dos 15 mil filmes a concurso foram escolhidos 50 finalistas, entre os quais «North Atlantic», uma co-produção luso-britânica realizada pelo português Bernardo Nascimento, que também escreveu o argumento, baseado em factos reais. A votação decorreu até hoje. Espero que obtenha uma boa classificação porque de facto são quinze minutos de bom cinema.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Se o avião tivesse chegado ao Porto

Um interessante documentário realizado conjuntamente pelo Instituto Amaro da Costa e pelo Instituto Francisco Sá Carneiro. Impróprio para Cavaquistas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Duran Duran - Girl Panic

Aconselha-se ecran inteiro e moderação.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Draken!

Das coisas boas possibilitadas pelo Youtube é o acesso a filmes de arquivo que dificilmente poderiam ser vistos de outra forma. E assim se podem apreciar curiosidades como este belíssimo filme dos anos 50, de publicidade ao Saab Draken, um dos mais sofisticados caças da época. Uma delícia para quem se interessa por aviação.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

7.000 Kms a pé



Mais um grande filme de Peter Weir, um dos meus realizadores preferidos. Uma lição de como se conta uma história longa sem nunca se tornar monótona. E mais um grande desempenho de Ed Harris.

sábado, 28 de maio de 2011

Inspiração: é do que o país mais precisa

Troquem-se estas bandeiras pela nossa Azul e Branca, e o discurso serve-nos que nem uma luva!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Proteccionismo só é pecado para os outros

A Ingenium é um fabricante francês de sistemas da pagamento por multibanco, que recentemente foi alvo de uma oferta de compra por parte de americanos. Mas a compra foi bloqueada pelo Governo Francês, através da empresa Safran (onde tem golden share) e que detém 22% do capital da Ingenium. O ministro francês da indústria declarou esta empresa como sendo de interesse estratégico para o sector electrónico francês, e que não pode ser detida por capitais estrangeiros.

Resta saber se pátria de Colbert também declarou o filme português Mistérios de Lisboa, realizado pelo chileno Raul Ruíz, como estratégico para ser premiado como o melhor filme francês do ano.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Blake Edwards

Grande, grande realizador e argumentista que nos deixou. Apesar de recordado sobretudo pelas comédias da Pantera Côr-de-rosa, foi o autor de filmes memoráveis como Breakfast at Tiffany's, 10, e - na minha opinião, o seu melhor - Victor Victoria.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quando as guerras eram outras.

Palestina, Primeira Guerra Mundial.

O plano Aliado para acabar com o Império Turco-Otomano está em marcha. Por um lado, as tribos árabes incitadas contra os turcos pelo oficial inglês T. E. Lawrence ("da Arábia"). Por outro, as tropas britânicas contra os bastiões do Exército Turco, armado e aconselhado por oficiais alemães. Entre os britânicos estavam as tropas australianas e neo-zelandesas (ANZAC), cuja infantaria montada (que não era cavalaria, não combatiam a cavalo mas a pé) se cobriram de glória no ataque a Beersheba (actualmente Israel).

The Turkish defences of Beersheba were strongest towards the south and west. There they had a line of trenches, protected by barbed wire, supported by strong redoubts, all constructed along a ridge. To the north and east the defences were much weaker, and crucially lacked any wire. No serious attack was expected from the area of rocky hills east of the town. Beersheba had just been designated as the headquarters of a new Turkish Seventh Army, but on 31 October that army had not yet come into being. The town was defended by 3,500-4,000 infantry, 1,000 cavalry with four batteries of artillery and fifty machine guns.Allenby allocated a very powerful force to the attack on Beersheba. Three infantry and two cavalry divisions would take part in the attack. Two of the infantry divisions were to attack against the main Turkish defences, to the south west of the town, to tie down the Turkish garrison. The third division was to protect against any Turkish reinforcements arriving from the north-west. Meanwhile, the two divisions of the Desert Mounted Corps (Anzac Division and Australian Division) were sent around the town to the east, with orders to sweep into the town through the weaker eastern defences.


Isto é que eram guerras...

segunda-feira, 28 de junho de 2010