quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Estamos no escape da Europa

"Também na Polónia os preços dos combustíveis são altos, mas ao menos lá as pessoas têm uma atitude mais proactiva. Ao passo que em Portugal, o número de veículos a GPL é praticamente residual (se ultrapassar os 50.000 já é muito), na Polónia esse número já ultrapassou largamente a barreira do milhão de veículos."
No Divina Polónia.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

22 num 2CV

Mas já se fez melhor do que isto. Nos anos 80, numa edição do programa Passeio dos Alegres, de Júlio Isidro, uma equipa do Ginásio Clube Português bateu o recorde mundial de pessoas dentro de um Mini: 27. A minha professora foi para a mala.

Óleo na estrada

Depois de ter escrito sobre o óleo vegetal em uso por muitos automóveis, um taxista - aparentemente entendido no assunto - explicou-me que a maior parte dos taxis que o usam, misturam-no de facto no gasóleo, numa proporção de 50%. Os motores diesel mais antigos, com bomba de injecção convencional (e não injecção electrónica) não têm qualquer problema em aceitar o novo combustível misturado no gasóleo. E confirmou-me que, por causa disto, há de facto uma procura renovada por Mercedes antigos, com mecânicas "de guerra".
Também fiquei a saber que há oficinas que recolhem óleo usado em restaurantes, filtram-no e vendem-no a 50 cêntimos o litro. Bom negócio para todos (ambiente incluído) menos o Estado. Por isso é que já andam por aí controlar.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O único combóio que interessa é o TGV

De acordo com o Diário Económico, a CP está a negociar a venda de 50 a 100 carruagens à Argentina, depois de nos ultimos anos ter já vendido perto de 100 carruagens e locomotivas. Quanto à justeza dos valores, não estou em posição de os avaliar. Mas cito o artigo do DE:

"A CP tem desenvolvido uma relação especial de fornecimento de material circulante para a Argentina desde Junho de 2004, altura em que a empresa vendeu 17 unidades duplas (34 composições), a diesel, para via estreita, no valor de 3,333 milhões de euros."

34 carruagens por 660 mil contos? Uma carruagem por 19 mil contos? Por esse preço nem se compra meio autocarro.

Mas não é só para a Argentina que exportamos combóios. A EMEF, empresa pública formada a partir do ramo oficinal da CP, recebeu em Agosto uma nova encomenda de vagões para a Bósnia-Herzegovina. Depois de ter fornecido 356 vagões (e feito a reabilitação de 220), agora trata-se do fornecimento de 500 vagões, num negócio mais uma vez feito directamente entre os governos dos dois países. Óptimas notícias para a indústria portuguesa, que levaram a EMEF a aumentar a produção de vagões. Mas repare-se neste pormenor da notícia do DE sobre este contrato:

"Desde Abril de 2005, a EMEF, empresa participada da CP responsável pela prossecução deste acordo, tem vindo a cumprir favoravelmente o contrato, em que a verba encaixada não será certamente a principal vantagem a retirar da iniciativa."

Ah, bom. Percebe-se então a razão do sucesso dos nossos combóios no mercado externo.

Do que não há notícia é de novos combóios para equiparem a CP, substituindo o material que está a ser vendido. O Governo está a desinvestir da ferrovia, apesar da procura estar a aumentar, fruto do aumento dos combustíveis. O único combóio que interessa é mesmo aquele para o qual se sabe à partida que nunca terá mercado para ser viável: o TGV.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

E Deus criou a Mini

A actriz e modelo sueca Mini Anden, o rosto deste ano da portuguesa Throttleman.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Novo aroma no ar

Lisboa ganhou um novo aroma, a juntar a muitos outros.

À excepção de quem o larga, ninguém lhe fica indiferente e não é por ser agradável. Provoca algum desconforto a quem o cheira mas facilmente se perdoa, até porque a intenção é boa. É até saudável que surja. É sobejamente conhecido mas ainda assim uma novidade. Menos fluido do que o ideal mas altamente calórico, e nada poluente.

Óleo vegetal. Já está a funcionar em muitos automóveis com motor diesel em Lisboa, especialmente em táxis. Provavelmente nem sequer instalaram o pré-aquecimento no depósito e usam-no diluído no gasóleo. Mas funciona, e é uma alternativa ao gasóleo, fazendo mais quilómetros com a mesma quantidade de combustível, sem emitir gases nocivos, e com uma lubrificação do motor mais completa. E muito mais barato, escusado será dizer.

Para o cheiro a fritos que fica nas ruas é que vai ser precisa alguma habituação...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Recordando o Chiado

Na mesma onda do Cap Créus, sobre o incêndio do Chiado.

Que saudades de circular por aqueles espaços dos Grandes Armazéns do Chiado, de andar nas escadas rolantes do Grandella, de andar num elegante elevador que existia num deles (não me lembro qual) decorado a talha e com bancos estofados a couro (sim, bancos!), com um empregado que fazia de "chauffeur" do elevador (lembro-me que o elevador era comandado não com botões, mas com uma alavanca que fazia subir ou descer, daí que o elevador fosse conduzido). Achava aquilo o máximo. Do ferro forjado, do estilo belle-époque, e de lanchar no último piso, onde se ficava ao mesmo nível das águas furtadas dos prédios da Rua do Carmo. Numa das janelas havia um papagaio. Que saudades de pedinchar à minha mãe mais uns acrescentos à minha pista de automóveis.

Aquele Chiado, o verdadeiro Chiado, acabou naquele dia. O que era o grande centro comercial de Lisboa até aparecerem as Amoreiras, o sítio onde primava o bom gosto e onde havia comércio em grande quantidade sem ser massificado, agora é mais um centro comercial vulgar. Em vez do ferro forjado e da arquitectura belle-époque, tem o branquismo parolo do rectilíneo Sr. Siza. Em vez dos produtos variados e para todas as carteiras, temos roupa asiática, toda no mesmo estilo, vendida em várias lojas de várias marcas supostamente de prestígio por preços que só se aproximam da justeza em tempo de saldos. Em vez dos croissants com doce de ovos e leite Vigor, temos os McDonalds (ah.. o progresso!) e outra comida industrial. Em vez de lugar de encontro de distintas senhoras para tomarem chá, temos os engates nas casas de banho pelas orientações alternativas.

Valha-nos a FNAC é a única coisa de jeito que lá apareceu.

Saudades. Do Chiado, e de como o país já foi.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vergonha

Obviamente que não me refiro a Nelson Évora, nem a Vanessa Fernandes, nem a Gustavo Lima, nem a nenhum dos outros atletas que tiveram uma participação positiva. Nem sequer aos que tiveram uma participação vergonhosa.

Refiro-me ao facto de há 110 anos que se disputam olimpíadas e a de hoje foi apenas a 4ª medalha de ouro obtida por portugueses. Isso sim é uma prestação vergonhosa.

No final do Século XIX, a educação física foi uma das "modernices" que o Rei Dom Carlos se esforçou por introduzir em Portugal, também aqui querendo tirar o país da atraso cultural. Apesar das críticas dos retrógrados do costume, o hábito de praticar sport - como era chamado na altura - foi introduzido, em particular a ginástica. Mas foi um desporto de equipa, o foot ball, o que teve maior popularidade, ainda que ridicularizado na imprensa. Ciente da importância da prática desportiva por toda as camadas da população, Dom Carlos fundou ele próprio o Ginásio Clube Português e foi por sua iniciativa que se criou um grande clube desportivo destinado à população em geral: o Sporting Clube de Portugal.

Décadas depois, foi a Mocidade Portuguesa o grande motor da prática desportiva, dando oportunidade a gerações inteiras de terem contacto com modalidades desportivas antes inacessíveis; o maior exemplo é a vela, cuja prática foi incentivada através da distribuição de um grande número de Lusitos, pequenos barcos à vela de iniciação, na então Metrópole e em África. Mas outros desportos tiveram um grande desenvolvimento e popularidade, nomeadamente o hóquei em patins, de que haviam campeonatos provinciais (no Ultramar) além do nacional. O futebol, esse, não precisou de ajuda para crescer. Até porque a gente é preguiçosa e o que gosta mesmo é de ver e não de praticar.

Com o 25 de Abril, a Mocidade foi extinta e a promoção da educação física conotada com a ideologia fascista (em particular a ginástica). Nas escolas, a educação física para os rapazes foi quase reduzida a futebol, basket e pouco mais, enquanto as raparigas foram deixadas a praticar o seu desporto favorito: dar à língua. Felizmente que nessa mesma altura se instalou o eleitoralismo nas autarquias, levando a que a construção dos pavilhões gimnodesportivos se tornasse numa moda. Infelizmente, como é frequente nas obras eleitoralistas, muitos desses pavilhões acabaram por não ser devidamente aproveitados por falta de orçamento, de professores qualificados ou sequer de vontade. O mesmo se passou com a moda seguinte, a das piscinas municipais. Apesar disso, o país viu crescer o seu parque desportivo de forma notável, mas nem assim a prática desportiva se popularizou a níveis europeus.

Vieram os anos 90 e a moda do corpo atlético exigido a quem tem vida sedentária. Vieram os ginásios, caros e exíguos, à excepção de umas dúzias de health clubs com preços inacessíveis à maioria. Vieram os iogurtes com aloé vera, os cereais integrais, os cremes e os suplementos alimentares milagrosos, e as bugigangas mecânicas e electrónicas das televendas. Nas cidades mais ricas, passaram-se a ver mulheres e homens entre os 20 e os 40 anos mais magros, mas a má constituição física (muito baixa estatura das mulheres, pernas curtas, troncos desproporcionados) continuou, pois os ginásios e as dietas não compensam a falta de educação física na infância.

Há anos que são prometidas vias pedestres e ciclovias por todo o lado; promessas em regra vãs, pois a anarquia urbanística não permite a sua construção na maioria das povoações.

Veio o Euro 2004: de uma assentada construíram-se 10 novos estádios de futebol, e nem um deles compatível com atletismo. Em Lisboa, os atletas continuam com os mesmos estádios de há décadas (Estádio Nacional, 1º de Maio, o antigo Estádio da FNAT, Estádio Universitário), menos o antigo Estádio de Alvalade. Quem quer correr em Lisboa, tem que se resignar com a beira-Tejo: no Parque das Nações, ou por entre buracos, automóveis, gradeamentos, contentores de lixo e de entulho e toda a espécie de obstáculos deixados pelo desmazêlo e cretinice da Administração do Porto de Lisboa ao longo dos quilómetros de frente ribeirinha.

Estamos em 2008 e estranhamos a falta de resultados desportivos. Estamos preocupados porque os miúdos estão cada vez mais gordos e menos saudáveis - e violentos. Queixamo-nos que passam horas, sozinhos, com as playstations que custam centenas de euros, mas no Natal não oferecemos uma bola de vólei ou uma raquete de ténis.

Estamos sempre à espera que o Estado faça qualquer coisa.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

sábado, 16 de agosto de 2008

O pior pode estar para vir...

Depois da crise financeira, da crise imobiliária, do choque petrolífero, da crise política, da crise da Justiça, da crise da Educação, e da humilhação internacional no Caso Maddie, corremos agora o risco de o novo disco de José Castelo Branco se tornar num sucesso internacional. Apre, que este país anda enguiçado!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Lisboa anda perigosa

Agosto é a melhor altura do ano para se estar em Lisboa. Tudo a menos de meio gás: trânsito, estacionamento, trabalho (não se pode fazer nada porque nada funciona em Agosto; saí-se mais cêdo, a tempo de passar um bom bocado na praia), nada de confusões em restaurantes e estabelecimentos de diversão nocturna (que assim se podem aproveitar até durante a semana, sem roubar demasiado ao sôno).

Mas tem um grande senão: com a cidade semi-deserta, em especial ao fim de semana, com pouca gente nas ruas e polícias no aconchego do ar condicionado (justificam-se que é assim que o Governo quer, para poupar no subsídio de turno), os bárbaros aproveitam para descer ao centro da cidade. Carros com vidros partidos, assaltados de fresco (as principais vítimas são os Hyundai Getz, o típico carro de aluguer), duplas de ladrões a fazerem o rastreio aos carros, cada um de um lado da rua, tentando descobrir algo de valor esquecido no seu interior (malas, câmaras, telemóveis, GPS), pseudo-distribuidores de publicidade, fazendo o reconhecimento para futuros assaltos a casas, entre outra gente simpática. Mas às vezes tornam-se mais ambiciosos.

Na semana passada posso dizer que impedi eu mesmo o assalto a uma loja chinesa. Quatro gandulos entraram com intenções óbvias de roubar, neste caso jóias de imitação. Não sendo eu um Schwarzenegger nem tendo frequentado Shaolin, consegui sem dizer uma palavra e simplesmente observando-os e deixando claro que os tinha topado, dissuadi-los de roubarem. Risco calculado: é óbvio que não tinha hipótese contra quatro, mas o bluff funcionou. Saíram, não sem antes arranjarem coragem de ameaçarem o chinês dono do estabecimento. Os três empregados brasileiros fingiram que não viam nada. Curiosamente, a cem metros dali, está um polícia 24/24 à porta do Ministério da Educação (uma medida de segurança curiosa, que não tem equivalente nos edifícios da Defesa ou do Gabinete de Segurança Interna, por exemplo). E a EMEL, essa, anda sempre a rondar.

Foi pouco sensato da minha parte, eu sei. E o chinês não foi capaz de algo sequer parecido com um agradecimento. Mas chega a uma altura em que é preciso colocar um travão, senão os criminosos ou candidatos a criminosos tornam-se mais ambiciosos.

Não foi em Odivelas, na Amadora ou num qualquer bairro problemático. Foi na Avenida Elias Garcia, no centro de Lisboa, às 17H45 de Segunda-feira. Aqui mesmo, há meses atrás, a casa de um conhecido meu foi assaltada em pleno dia de semana, com os familiares lá dentro. É a nova moda do homejacking...

Entretanto houve o famoso assalto ao BES e hoje, o balcão do Banco Popular na Av. Visconde Valmor foi assaltado, com o ladrão a escapar-se calmamente. Lisboa anda perigosa e as autoridades continuam como se nada fosse.

Coisas bem feitas

Mas porque é que resolveram parar junto daquele candeeiro?

Ah...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008