segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A República dos Caridosos
Na fase final (1903-1910), o republicanismo, no seu princípio e na sua natureza, não passou da violência, que a vitória do "5 de Outubro" generalizou a todo o país. Não admira que a República nunca se tenha conseguido consolidar. De facto, nunca chegou a ser um regime. Era um "estado de coisas", regularmente interrompido por golpes militares, insurreições de massa e uma verdadeira guerra civil. Em pouco mais de 15 anos morreu muita gente: em combate, executada na praça pública pelo "povo" em fúria ou assassinada por quadrilhas partidárias, como em 1921 o primeiro-ministro António Granjo, pela quadrilha do "Dente de Ouro".
O número de presos políticos, que raramente ficou por menos de um milhar, subiu em alguns momentos a mais de 3000. Como dizia Salazar, "simultânea ou sucessivamente" meio Portugal acabou por ir parar às democráticas cadeias da República, a maior parte das vezes sem saber porquê.
E , em 2010, a questão é esta: como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista em que reinavam "carbonários", vigilantes de vário género e pêlo e a "formiga branca" do jacobinismo? Como é possível pedir a uma cultura política assente nos "direitos do homem e do cidadão" que preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos uma vasta e indeterminada multidão de "suspeitos" (anarquistas, anarco-sindicalistas, monárquicos, moderados e por aí fora)?
Como é possível ao Estado da tolerância e da aceitação do "outro" mostrar agora o seu respeito por uma ideologia cuja essência era a erradicação do catolicismo? E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o "5 de Outubro" trouxe a Portugal?»
Vasco Pulido Valente, Público 02.10.2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Azembla's Quartet - Esquece tudo o que te disse
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Real Regatta de Canoas 2010 - 2 OUT
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Ah, grande malandro!
Dizem que exagerava nas poupanças, na mania de gerir bem o dinheiro do Estado. Era o botas. O rapa-tachos. O forreta. Era autoritário, não deixava que se gastasse inutilmente. Era preciso pedir autorização para comprar uma borracha. Era preciso pedir autorização para se ter isqueiro, para não prejudicar as fábricas de fósforos portuguesas. Preferia obras públicas que utilizassem materiais portugueses e tecnologia portuguesa, como barragens e pontes em betão. Obrigava a que todos os automóveis fossem montados em fábricas portuguesas, com 25% de peças portuguesas, para gerar emprego e conter a saída de divisas. Os bancos, coitadinhos, não podiam praticar spreads acima de 1%. As contas eram rigorosas, pão-pão queijo-queijo, e o Estado só representava 20% do PIB, ao contrário dos 50% actuais. O Escudo era uma das moedas mais fortes do Mundo, a par do Franco Suíço, do Rand, e do Dólar. Não tínhamos dívida externa.
Um grande malandro.
Mais um PEC porreiro, Pá!
Daqui por uns meses, em nome da credibilidade externa e do interesse nacional, lá vai ser preciso aumentar mais impostos, cortar isto, reduzir aquilo.
Excelente análise de Álvaros Santos Pereira ao PEC III, no Desmitos
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A Fuga das Galinhas - Parte II
Nada diplomata
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
A bater no fundo é que a gente se entende
Os avisos vieram de vários lados: a ausência de um acordo entre PS e PSD sobre o OE2011 seria a estocada final na réstia de credibilidade do Estado Português. Que fazem ambos os partidos "de poder"? Guerreiam-se.terça-feira, 21 de setembro de 2010
Lições da Suécia
A Suécia sempre foi considerada o suprasumo do Estado Social. Um autêntico Estado-Papá a que toda a gente queria estar ligada, e a que a Suécia não dizia que não. Uma amiga minha, directora comercial da filial de uma grande empresa sueca em Angola, conseguiu que todos os funcionários angolanos pudessem ser integrados na Segurança Social sueca, apesar de raros terem sido os que alguma vez puseram o pé na Suécia.
O segredo tem sido um povo extremamente civilizado, eficiente, honesto e por isso rico, e um sistema social que não é uma completa balda como a que existe em quase todo a Europa (e que agora colocou a Europa à beira da falência). Por exemplo, as universidades são 100% gratuítas, e incluem alojamento gratuíto em residências próprias. Mas só se pode concorrer depois de 2 anos de trabalho (na Suécia ou no extrangeiro), para dar tempo aos jovens para pensarem bem se querem e se realmente precisam de ir para a universidade e qual a profissão que lhes convém mais. E para que a frequência de um curso universitário não seja entendida como apenas um prolongamento do liceu e uma maneira de se viver longe dos pais, por conta deles e do Estado. Compare-se isto com o disparate do sistema de Bolonha (que os próprios italianos já abandonaram).
Mas por muito ricos que sejam, e por muito bem organizado que seja o seu estado social, até a Suécia - tradicionalmente social-democrata - virou à Direita, por perceber que até para eles a despesa é muita, e que o Estado não pode ser Pai Natal.
Numa altura em que em Portugal, ou dos quatro únicos países dos 27 da UE onde a Esquerda ainda está no poder (os outros são Espanha, Grécia e Chipre), ainda há gente que insiste em acreditar em ilusões. Não temos nada que se compare à Volvo, à Saab, à ABB, à Eriksson ou Tetrapak, pelo que para se brincar ao Estado-Papá, só mesmo indo ao bolso deste país improdutivo, endividado e pedinte do dinheiro dos outros. Em Portugal, há 35 anos que os ricos pagam a crise como em mais nenhum outro país da Europa e, sem surpresas, a crise continua. Porque é preciso que haja crise para o Estado continuar sempre a tirar mais dinheiro a todos, e a justificar o Estado Social com o grande número de pobres. Não se trata de Economia, nem governar para o bem do país: é simplesmente política.
Para se governar um país, é preciso tomar decisões com pragmatismo, e com bases em dados concretos e realidades conhecidas, não em bandeiras ideológicas. E ter presente que o excesso de generosidade leva sempre a abusos. A alternativa é a falência.
A minha ex-vizinha não deu valor ao facto do marido sueco ser um bom marido e um bom pai, de ter abandonado um emprego capaz na Suécia para vir viver para Portugal porque gostava dela e, apesar de ser um jarrão sem ponta de piada, não tardou a brindá-lo com um par de chifres. Quando soube, o sueco deu-lhe uma merecidíssima sova e voltou para Suécia com a criança. Há coisas que nem um civilizadíssimo suporta.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Já que falamos de profecias:
Talvez já ninguém se lembre, mas fez ontem 11 anos que ficámos sem Lua:
Os ingleses, já que não puderam participar na corrida espacial, ao menos saíram-se bem no campeonato das séries espaciais.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Me and my big mouth
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
O Mundial ibérico de Espanha, Espanha, Espanha!
Um aumento simplex de 400%
Para o bastonário, estes aumentos vão penalizar ainda mais os particulares e as empresas num contexto de crise económica. Por outro lado, considera que o Estado continua a não respeitar o princípio da proporcionalidade, mantendo assim uma postura de "ilegalidade".
O Estado "fixa preços elevados para os serviços que detém em monopólio e baixa nos preços dos serviços em que concorre com os privados", denuncia Alex Himmel
Todos os anos, a indústria dos fogos florestais incendeia Portugal. Todos os anos, as culpas são atiradas para os proprietários das terras por não fazerem a limpeza regular das matas, como se se tratassem de jardins, como se fosse coisa barata e simples de fazer, e como se a Natureza não seguisse o seu curso logo após cada limpeza. Só falta dizer que os incendiários são os próprios proprietários, e não tarda a que surjam os idiotas do costume (Miguel Sousa Tavares, o Ministro da Agricultura, o Bloco de Esquerda) a proclamarem a necessidade do Estado roubar (perdão, "nacionalizar") as terras abandonadas, como a grande solução para o problema. Por esta lógica, seria necessário "nacionalizar" também os terrenos do Estado que estão ao abandono, "nacionalizar" a União Europeia que impede muitos proprietários de produzir, e "nacionalizar" os tribunais que arrastam processos de partilha de heranças durante anos, impedindo o uso de muitos terrenos.
A falta de ordenamento do espaço agrário é um grande problema do Portugal além-Lisboa & Porto, e repercute-se também na dimensão dos incêndios. Mas nenhum governo toma qualquer iniciativa para o resolver. Pelo contrário: agora aumentam o preço de registo de um prédio rústico em 400% com a desculpa de passar a pagar um serviço que agora é informatizado.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Os exemplares ventos da História
Lourenço Marques, princípios de 1976. Numa esplanada, um amigo meu escutava a conversa, em Francês, entre um militante da Frelimo e dois conselheiros técnicos búlgaros enviados para Moçambique em nome da solidariedade comunista para tentar colmatar a falta que faziam todos aqueles que tinham partido no momento da Independência. Esta havia acontecido apenas uns meses antes, mas já quase nada funcionava, nem Economia nem serviços públicos. A fome era generalizada. A melhor refeição que o dinheiro podia comprar era peixe frito com arroz, e ainda se arranjava cerveja.Mas era o suficiente para os búlgaros estarem "nas suas sete quintas"; comentavam a beleza da cidade, das praias, o clima e o estado de evolução do país. Um deles diz para o membro da Frelimo: «Vocês têm aqui um país formidável!»
Responde o comunista moçambicano: «Haviam de ver isto no tempo dos Portugueses...»