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domingo, 30 de janeiro de 2011

Gasolina a 5€ o litro?

A concretizar-se a queda da ditadura pró-ocidental que governa o país há três décadas, teremos muito provavelmente uma tomada do poder pela Irmandade Muçulmana, e um regime fundamentalista islâmico agressivo a controlar um dos países-chave para a segurança mundial. As consequências serão devastadoras a vários níveis. O facto da polícia egípcia abandonar os seus postos na fronteira com a Faixa de Gaza, deixando entrar combatentes do Hamas para se juntarem aos combates nas cidades junto Canal do Suez (onde o nível de violência tem sido maior e a atenção dos media menor) por si só já abre a possibilidade de uma intervenção militar internacional para manter a segurança e navegabilidade do Canal. É tão sério quanto isso.

E esta situação vai para além das fronteiras do Médio Oriente / Magrebe. O que poderá estar a passar para a opinião pública muçulmana é que se é possível derrubar ditaduras opressivas através de insurreições generalizadas, porque não fazer o mesmo na Europa, derrubando regimes "infieis", bananizados e incapazes de reagir com determinação? Não auguro nada de bom para as banlieues...

Sem dúvida que estamos a assistir no Egipto ao derrube popular de uma ditadura imensamente detestada, e que o povo egípcio merece crédito por isso. Mas o que virá a seguir é bastante preocupante e não deixa lugar a romantismos político-ideológicos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os exemplares ventos da História

Lourenço Marques, princípios de 1976. Numa esplanada, um amigo meu escutava a conversa, em Francês, entre um militante da Frelimo e dois conselheiros técnicos búlgaros enviados para Moçambique em nome da solidariedade comunista para tentar colmatar a falta que faziam todos aqueles que tinham partido no momento da Independência. Esta havia acontecido apenas uns meses antes, mas já quase nada funcionava, nem Economia nem serviços públicos. A fome era generalizada. A melhor refeição que o dinheiro podia comprar era peixe frito com arroz, e ainda se arranjava cerveja.

Mas era o suficiente para os búlgaros estarem "nas suas sete quintas"; comentavam a beleza da cidade, das praias, o clima e o estado de evolução do país. Um deles diz para o membro da Frelimo: «Vocês têm aqui um país formidável!»

Responde o comunista moçambicano: «Haviam de ver isto no tempo dos Portugueses...»