quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Acordo Ortográfico? Ora Toma!

Não suporto o Acordo Analfabetográfico; aquele que Cavaco ratificou e Soares promulgou, e Cavaco ratificou em definitivo (versão final), em 2008.

É um atentado contra a Língua Portuguesa e, ao contrário do que é propagandeado, é um desastre para a influência portuguesa no Mundo, já que a Língua Portuguesa passa a ser uniformizada no Brasil; e o Português de Portugal, ou seja a nossa construção de frases, o nosso vocabulário e a nossa pronúncia deixam de ser considerados internacionalmente, por força da dimensão brasileira e pela simples razão que, agora e como já diziam os americanos, «Português é aquela língua que se fala no Brasil». Daí a que aquilo que nós temos para dizer deixe de ser ouvido, é um passo.

Não se soubesse da putrefacção que varre este país, e surpreenderia a prontidão com que a parasitagem politicamente correta correu a aderir ao analfabetismo promulgado.

Recorde-se o Acordo "só" é vinculativo para a «ortografia constante de actos, normas, orientações ou documentos provenientes de entidades públicas, de bens culturais, bem como de manuais escolares e outros recursos didáctico -pedagógicos, com valor oficial ou legalmente sujeitos a reconhecimento, validação ou certificação», apesar do Governo no ano passado ter anunciado que só seria aplicado a documentos oficiais (mais uma mentira). Alguma imprensa (e mais recentemente a RTP) já obedece à política do fato consumado. É a ação, é o direto, é o projeto, é a adoção do projeto, a exceção, a atualidade, o avião a jato, o setor económico.

É claro que sendo a norma seguida tão simplesmente a dos erros ortográficos praticados no Brasil, e não podendo nós portugueses adivinhá-los todos, já se pode ler na imprensa portuguesa coisas como receção (recepção), coisa que nem os brasileiros dizem.

Este código que nos é imposto é o que acontece quando não se diz como se escreve, e se deixa o hábito de dizer erros enraizar-se tanto que o analfabetismo se torna regra. E então, diz-se que a língua «evoluíu», e que agora se deve escrever como se fala - mal - porque é mais fácil isso do que ensinar muitos milhões de pessoas a falarem correctamente.

E acontece porque em Portugal vigora a ideologia do anti-patriotismo, de que tudo o que servir para abandalhar e empobrecer o país é que está correcto. Porque é que a nossa língua, a trave-mestra da nossa cultura e a nossa maior riqueza, haveria de ser excepção? O Povo que amoche, que já está habituado!

Pois é, mas comigo isso não funciona. Não autorizei ninguém a mudar a minha língua; não votei nunca em ninguém delegando esse poder; nunca ninguém me perguntou se eu concordava, que obviamente não concordo.

E, portanto, eu simplesmente não obedeço.

Não só não escrevo, como não compro nada que seja escrito nesta porcaria. Nem jornais, nem livros, nem sequer vejo filmes com legendas analfabetas. E algum livro que me interesse mas que esteja escrito em Analfabetoguês, não compro e espero até que saia publicado em Português, nem que seja em edição pirata a circular pela Internet (eureka!)

Se toda a gente agir assim, vai haver prejuízos que servirão de castigo por nos tratarem desta maneira, e haverá pressão para que o acordo seja anulado. E sem direito a indenização.

5 comentários:

Paulo Lisboa disse...

Bem visto sem dúvida! Eu não acredito em bruxas, mas que as há...há...

António Vidal Reis disse...

Eu não serei tão radical a exercer o meu direito de desobediência civil a um acto que nem referendado foi, mas que tal como o aborto, por exemplo, esse sim objecto de referendo, vai entrar em vigor. Também concordo que este acordo é uma aberração porque adapta a nossa língua à forma de falar de outros povos que sofreram a nossa influência. Se é verdade que o Brasil está na moda por estes dias, não vamos ser subjugados aos interesses de outros. Aqui em Portugal de facto não se cuida do que é nosso, às vezes até maltratamos ou desprezamos o nosso património cultural e artístitico. Continuamos com um certo problema de representatividade e até de legitimidade, na relação com os nossos políticos, porque eles julgando que tem o mandato do povo, assumem que podem fazer tudo.

Joao Quaresma disse...

António Vidal Reis: o problema começa precisamente por aí. Os políticos entendem que são eleitos por 4 anos para serem donos do país, não para o servirem.

António Vidal Reis disse...

Antes de mais, peço desculpa pela minha forma de expressão, porventura algo sofrível.
Referi a lei do Aborto pois achei curioso como um referendo sem qualquer validade, mais de metade dos eleitores nem sequer foi escolher, muitos nem perceberam muito bem o que estava em causa, se tornou passível de promulgação pelo PR. Mas essa foi só a primeira das "traições". Depois, o mesmo Cavaco Silva, embora discordasse, "aprovou" a lei do casamento homossexual, sem explicar muito bem porquê e após andar muito tempo a empatar o assunto.
No caso do PR ainda sabemos em quem votamos, mas para a Assembleia ou para as Autarquias, por exemplo, escolhemos listas criadas pelos partidos, sem saber muito bem quem são. Depois eles vão para lá e nem se dão ao trabalho de ouvir, ou fingem faze-lo, pois não estão lá para servir, mas como diz o povo "para se servir" e parecem querer arrogar-se os donos da democracia...

Paulo Lisboa disse...

Como devem ter calculado, o meu comentário em cima era referente ao artigo do Cavaco e do Sócrates, que por lapso inseri aqui.

Sobre o acordo ortográfico digo o seguinte:
Não sou contra um acordo ortográfico. Faz sentido tentar uniformizar a língua portuguesa, para tornar o português mais solído e nesse sentido facilitar o ensino e a expansão da lingua portuguesa no mundo.

Não me repugna a abolição de certas letras mudas, nem a re-introdução do K,W e Y no alfabeto português, e que estupidamente tinham sido abolidas numa refoma anterior.

Mas se concordo com um acordo ortográfico, discordo deste acordo ortográfico, quer da forma como foi feito, quer como irá ser aplicado.
Acho aberrante e discordo que os meses e as estações do ano e o pontos cardeais se passem a escrever com letras minusculas e que certas letras mudas desapareçam, como o caso de receptação, em que o "P" não é letra muda e tem de se ler, é que já vi esta palavra escrita sem "P" o que com ou sem acordo é um erro tremendo de português.

Desde o início dos anos 90 do século passado que oiço falar deste acordo e nunca foi para a frente. É certo que é suposto entrar em vigor em 2014, mas como as coisas são em Portugal, cheira-me que não será nessa data que entrará em vigor, se é que alguma vez entrará.

Alguns jornais vão escrevendo nessa "nova ortográfia", que para todos os efeitos representa actualmente um chorrilho de erros ortográficos que só prejudica a lingua portuguesa. É também por esta confusão que sou contra este acordo ortográfico. Entretanto vou escrevendo com a ortografia que está.