sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fernando Nobre, de foice e martelo

Esta tarde, na Baixa, esbarrei com a campanha de apoio a Fernando Nobre, um cortejo de umas 50-60 pessoas, mas bastante esclarecedor: dir-se-ía que o candidato tinha contratado a CGTP para fazer campanha por ele. O mesmo rebanho comunista de sempre, essencialmente de estilo Fenprof, ajudado por rastas e chapitôs de cravo vermelho preso com fita-cola, a distribuírem panfletos, acompanhados por compagnons de route e de tambor (os Toca a Rufar), tudo de acordo com o modelo de manif do PCP, com a lenga-lenga «Portugal será diferente / Nobre presidente!». Uma clara adaptação do antigo «O Povo segue em frente / com Otelo presidente!».

É claro que, sendo esta uma candidatura encomendada por Mário Soares (ao que se diz, Fernando Nobre é primo do ex-PR Mário Alberto Nobre Lopes Soares - algo que eu teria gostado de ver a imprensa esclarecer), não faltou uma pitada de soarismo, em que reparei mais na ex-mandatária da juventude de Soares em 90, Margarida Pinto Correia.

Era evidente desde há muito que Fernando Nobre era de Esquerda, e próximo do PS: caso contrário a AMI não seria tão acarinhada pela imprensa (nomeadamente a SIC, a TV oficial do Largo do Rato) nem o seu fundador convidado para opinar nos telejornais. Por isso nunca "comprei" as convicções monárquicas de Fernando Nobre quando se fez passar por monárquico. Mas daí até fazer esta mini-manif do 1º de Maio, isso nunca pensei.

Sobre um indivíduo que faz campanha a falar em João Paulo II e na Doutrina Social da Igreja, e que depois a acaba com foices e martelos, o mínimo que se pode dizer é que andou a tentar vender gato por lebre.

2 comentários:

António Vidal Reis disse...

Fernando Nobre pode até andar de foice e martelo, ou Alegre tocar Cavaquinho, mas o que interessa continua a não ser visto, debate sério sobre os temas que marcam a realidade portuguesa. Aliás a avaliar pelo tom e nível do debate estamos mesmo em crise e a mediocridade da classe política é patente a olhos vistos, salvas raras excepções...

Paulo Lisboa disse...

«Era evidente desde há muito que Fernando Nobre era de Esquerda, e próximo do PS:»

Por isso mesmo, nem nos meus sonhos mais loucos, pensei em votar nesta criatura...