quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Incompetex

O Cartão do Cidadão já tinha dado problemas nas anterior eleições e já na altura se sabia porquê: a empresa que o MAI contratou para fundir a informação dos vários ministérios que emitiam os cartões que o CC pretende substituir, essa empresa adoptou uma divisão territorial que não é a administrativa (municípios, freguesias) mas a divisão postal, usada pelos CTT. Provavelmente é a mais racional, mas criou este enorme problema ao não coincidir com a divisão administrativa. Não seria nada do outro mundo, se as pessoas tivessem sido devidamente informadas da mudança, mas o facto é que não foram. E assim foi o caos que se viu, e que poderia mesmo ser motivo para repetir as eleições.

Seria pedir muito a este maravilhoso Estado Simplex-Pyrex-Durex (que não se esquece de nos contactar quando se trata de nos tirar o dinheiro) que, por uma vez, recorresse a uma medida tecnológicamente ultrapassada e pouco ecológica, e mandasse a toda a gente que tirou o Cartão do Cidadão nem que fosse um postal a informar onde é que deve votar?

4 comentários:

Kruzes Kanhoto disse...

Discordo. Á excepção das eleições autárquicas cada um, pelo quem tem cartão do cidadão, devia votar onde lhe desse mais jeito e não obrigatoriamente num local determinado. Um leitor de cartões, um computador e um software básico resolveriam a coisa.

António Vidal Reis disse...

Está um pouco mal informado, desculpe que lhe diga. As pessoas que alteraram a morada ou fizeram o cartão do cidadão, tinham a possiblidade através de um site próprio, verificar qual a sua mesa de voto, o que nem todos fizeram por falta de tempo ou vontade. As mesas encerram 60 dias antes de ocorrer o acto eleitoral, como porventura sabe. A divisão administrativa faz sentido pois é essa que está direccionada para a morada que é fornecida pelo cidadão, através de declaração, uma vez que fica vinculado à mesma nas várias entidades que estão incluidas no CC. Mas isso não tira que algo correu mal no processo e na informação dada aos cidadãos.

Paulo Lisboa disse...

No mínimo há uma grande incompetência de quem fez o cartão do cidadão.
Porque no mesmo cartão do cidadão, aparece o nº de contribuinte, o nº de segurança social, o nº de utente do serviço nacional de saúde e obviamente o nº do cartão do cidadão, que substiuiu o antigo bilhete de identidade.
Porque raio é que também não aparece o nº de eleitor? Quando foi publicitado aos «7 ventos» que o cartão do cidadão também substituiria o cartão de eleitor? Era óbvio que ia dar confusão...

Joao Quaresma disse...

Kruzes Kanhoto: tem razão que daria mais jeito as pessoas poderem votar sem precisarem de se deslocar a um local determinado. Mas uma vez que é este o sistema vigente, deveria ter havido a preocupação de facilitar o processo, precavendo confusões.

António Vidal Reis: eu sei que as pessoas tinham a possibilidade de se informarem. Mas já se sabe como são os portugueses: ou não se informam ou deixam para a última hora. Por isso é que eu digo que as pessoas deveriam ter sido informadas, como simples precaução, mesmo que não precisassem de o ser. Não custa nada enviar um postal. Se fosse para cobrar dinheiro, de certeza que o Estado tinha tido a preocupação de o lembrar.

Paulo Lisboa: o CC é uma boa medida mas mal aplicada. Boa parte dos ministérios identificam-nos através de um número e um cartão. Para o Ministério da Justiça temos o BI, para as Finanças o cartão de contribuinte, para o da Segurança Social e para o da Saúde outros tantos, para a Defesa a cédula militar, para o das Obras Públicas e Transportes temos a Carta de Condução, para o dos Negócios Estrangeiros o passaporte... E o resultado é que não fundiram nenhuma informação da que era suposta.

E por aqui se vê como é difícil fazer reformas no Estado. Há quintinhas para tudo, e ninguém se quer entender ou partilhar nada com ninguém.