sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Guarda Real Norueguesa

Impecável!

PT a vender a outra galinha dos ovos de ouro

PT chega a acordo para vender a UOL por 155 milhões de euros

Portugal Telecom vende a Universo Online a João Alves de Queiroz Filho. O UOL é o maior portal de Internet da América Latina e foi vendido por cerca de 155 milhões de euros, um valor que supera as estimativas dos analistas. (...)

O acordo foi firmado por um valor que ronda os 350 milhões de reais, o que corresponde a cerca de 155 milhões de euros, e inclui as acções ordinárias e preferenciais que a PT detém na UOL (mais de 28% do capital). A média das avaliações da posição da PT na UOL com base em quatro casas de investimento é de cerca de 110 milhões de euros, um valor que está mais de 40%.

A UOL rende agora 155 M€, e para o ano já não renderá mais. A PT vendeu as suas duas galinhas dos ovos de ouro no Brasil e distribuiu o produto pelos accionistas e administração. Resta saber de que mais vai a PT desfazer-se. Qual será então o objectivo final desta liquidação da PT, que a reduziu a uma empresa de dimensão estrictamente portuguesa, a menos que o negócio da OI vá para a frente (o que parece ser um cenário cada vez mais improvável)?

Será tornar a PT vulnerável a um take-over por parte da espanhola Telefónica, que para o ano contará com 100% dos lucros da Vivo?

Wikiblackout

Já alguém reparou que, nas últimas duas semanas, a imprensa nacional e internacional passou as notícias sobre as Wikileaks para segundo, terceiro ou nenhum plano?

Electrocutados no bolso

"Parte crucial da estratégia do Governo para a área da energia consistia em colocar duas empresas, a EDP e a Galp, a competir na produção e comercialização de energia. Foram concedidas oito licenças para a construção de grupos de produção a ciclo-combinado, duas à EDP, duas à Endesa, duas à Galp e duas à Iberdrola. Na altura o Governo assegurou que estavam criadas as condições para a concorrência no sector e que esses grupos iriam contribuir "para a descida do preço da energia em Portugal". Sucede que, como não existe uma verdadeira estratégia integrada e coerente para a energia, ninguém reparou que, com o crescimento previsto para a energia renovável, tais centrais não eram necessárias. A EDP, graças ao seu mais profundo conhecimento do sector, avançou rapidamente e em força, construiu os seus dois grupos. A Endesa avançou. Os outros hesitaram e não avançaram. Lá se foi a estratégia de colocar a Galp a concorrer com a EDP. Mas o mais hilariante, não fosse termos de pagar a conta, foi o queixume de que, em face de toda a nova produção renovável, os dois novos grupos não eram rentáveis. Era o que faltava, pensaram logo os nossos governantes, que uma das empresas do regime pudesse ter perdas como se de uma vulgar empresa industrial se tratasse. Vai daí, criou-se o mecanismo de "Garantia de Potência", destinado a promover a construção de novos centros produtores térmicos (dá-se um subsídio para ver se os grupos que ficaram no papel são construídos, mesmo sem serem necessários). E para cúmulo, o sistema aplica-se retroactivamente de forma a que até a central do Ribatejo (que já tem uns cinco anos) seja abrangida. Ou seja, como temos excesso de renovável os consumidores pagam agora para ver as térmicas paradas, garantindo a rendibilidade dos produtores. Brilhante."

Via Ecotretas

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Coisas que passaram despercebidas em 2010 - 2

Francisco Ribeiro, dos Madredeus (entre outros grupos), faleceu em Setembro, e parece esquecido pelas inúmeras revistas do ano que os média fazem nesta altura. Um grande valor da música portuguesa que se perdeu.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mau demais para ser verdade... Mas é verdade!


Desde que o lobby dos arquitectos tomou conta da Câmara de Lisboa que a cidade está passar pelo que é, literalmente e sem exagero, a sua maior destruição desde o terramoto de 1755. Não trata apenas de destruir edifícios por vezes belíssimos e valiosos, mas de os substituir pelo lixo arquitectónico como este. Por exemplo, encontrar uma moradia no centro de Lisboa já é difícil, apesar de terem sido um edifício comum em algumas das avenidas. Na Avenida Fontes Pereira de Melo, desde o Verão que já só resta uma, a que serve de sede ao Metropolitano de Lisboa. As outras já só existem em fotografia em na memória dos lisboetas.
A cidade antiga numa zonas, moderna noutras, mas sempre elegante, está a ser destruída pela manada de arquitectos parolos e de patos bravos que já não têm mais onde destruir no Algarve.

Coisas que passaram despercebidas em 2010 - 1


"É dia 24/11/2010, são 11 horas. Começa um leilão de obras de arte em Londres. Entre elas encontra-se um elmo de D. Sebastião. A grave crise mundial fez muitos venderem objectos herdados que nem sabiam bem o que eram. Os leiloeiros estão tão atarefados, que nem tempo têm de estudar devidamente o que lhes passa pelas mãos. Assim surgiu, no mercado internacional, este elmo rapinado pelo Duque de Alba em Lisboa, em 1580. Espero que passe despercebido! Em tempos já consegui adquirir e trazer de volta a Portugal uma boa parte de uma das armaduras de D. Sebastião. Tinha sido classificada como sendo do Duque Emanuel Filiberto de Sabóia (casado com a Infanta D. Beatriz de Portugal), o que aliás está correcto. Não tinham, porém, visto o quadro no Museu das Janelas Verdes que mostra D. Sebastião utilizando esta armadura que lhe foi oferecida pelo Duque de Sabóia, seu primo, que, com mais 26 anos de idade, já não cabia nela e ofereceu-a a D. Sebastião.

Mantive-me calado! Não disse a ninguém que o elmo de D. Sebastião iria a leilão em Londres. Também dizer para quê? As nossas “Entidades Oficiais” não iriam mexer um dedo para o recuperar! Apenas acabaria por alertar os museus estrangeiros e os leiloeiros. Estes sabem muito bem que uma peça de armadura atribuível a um Duque importante vale, pelo menos, 10 vezes mais do que a mesma sem essa atribuição. Quando a peça é indiscutivelmente atribuída a um monarca, o valor é 20 vezes superior. Mas quando se trata de D. Sebastião, a peça tem simplesmente de regressar a Portugal. Haja manhã de nevoeiro ou não. Estando o Desejado nele ou não!

Se alguém descobrir, vai ser uma desgraça financeira para mim. Encontro-me praticamente sem vintém. Mas, o elmo tem de voltar! A minha conta bancária está vazia. De pouco me ajudaria vender o meu carro. Tem 25 anos e ainda me presta bons serviços. De qualquer maneira, o elmo vai custar o equivalente a muitos carros. Não sei o que fazer. Com lógica não chego lá. Tenho de me deixar guiar pelo subconsciente, e este diz-me: “O ELMO DE D. SEBASTIÃO TEM DE REGRESSAR A PORTUGAL!”Não fui a Londres, uma vez que a minha presença neste leilão faria algumas pessoas pensarem e eventualmente acordarem.Pedi para a leiloeira me telefonar.

Em Londres já estão a vender as primeiras peças no leilão. Tenho o catálogo sobre os joelhos, sentado ao lado do telefone. Da nossa televisão só oiço os berros de mais uma greve geral, totalmente inútil, onde políticos e sindicalistas fazem o seu circo perante as câmaras dos média, vermes do sistema. Se houvesse entre eles alguém que realmente estivesse empenhado no bem de Portugal, essa pessoa estaria a esta hora em Londres a fim de trazer o elmo de D. Sebastião de volta. É preciso defender a identidade lusa e esta mantém-se quando se ama Portugal e a sua história, e não com malabarismos vocais e movimentos de massas arrancadas do trabalho.

Se eu tiver a sorte de, nem o Musée de l’Armée de Paris, nem a Armeria Real de Turim, nem o museu de Filadélfia – visto todos eles possuírem alguns elementos desta armadura, desejando certamente completá-la –, se darem conta de que este elmo lhes faz muita falta, ainda assim é necessário ultrapassar os comerciantes, sempre à procura de lucro fácil. Aí, tenho a “sorte” do elmo ter um pequeno furo (menor do que uma moeda de 1 cêntimo), o suficiente para muitos não o quererem. Este buraquinho não altera em nada a importância histórica da peça, mas apenas o seu momentâneo valor comercial, enquanto não se tiverem dado conta de que se trata de um elmo de um duque, oferecido a um rei. AO NOSSO REI!

Tenho os nervos à flor da pele. O telefone vai tocar dentro de instantes. O que é que vou ter que dar em troca para poder pagar esta factura choruda? Não sei! Depois se verá. O ELMO TEM DE VOLTAR !Não vai haver férias nem presentes de Natal, e mesmo estes cortes não vão ser suficientes. Mas O ELMO TEM DE VOLTAR!

O telefone toca. O elmo vai à praça! Dou uma ordem: “COMPRE!”.
O martelo do leiloeiro bateu!
O ELMO DE D. SEBASTIÃO VAI VOLTAR A PORTUGAL."

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Boas Festas!

A todos os leitores deste blogue, os meus votos de um Feliz Natal e de um Bom Ano Novo!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O caldo entornado

O guerra fria entre as duas Coreias está a atingir o seu momento mais quente desde o fim das hostilidades em 1953. O ataque da Coreia do Norte contra uma ilha da Coreia do Sul fez perder a paciência de toda a gente com o regime comunista de Pyong Yang, e no dias seguintes provocou a mobilização da maior concentração de navios de guerra (55, da Coreia do Sul, EUA e Japão) desde a invasão do Iraque em 2003. A retaliação parece estar a caminho. O Japão está a tratar de mudar a sua Constituição para permitir que as suas forças possam intervir e atacar fora do seu território, agindo em defesa deste. As manobras actualmente em curso são uma demonstração de força e uma forma de punir a China pelo comportamento do seu protegido norte-coreano.

Mas mais significativo é o reforço do dispositivo aéreo e naval americano com uma segunda esquadra de porta-aviões, centrada no USS Carl Vinson, e que inclui o cruzador USS Bunker Hill, este último recentemente modernizado e talvez o navio de superfície mais poderoso do mundo na actualidade. Também o número de submarinos nucleares de ataque da US Navy que saíram para o mar em missão aumentou bastante nas últimas semanas.

No início da missão no Pacífico Ocidental, o vice-almirante Myers, comandante do Carl Vinson Carrier Strike Group dirigiu-se às tripulações dizendo:

"For the folks who are on their first deployment, they're going to write history. Vinson is going to be in the news."

Proteccionismo só é pecado para os outros

A Ingenium é um fabricante francês de sistemas da pagamento por multibanco, que recentemente foi alvo de uma oferta de compra por parte de americanos. Mas a compra foi bloqueada pelo Governo Francês, através da empresa Safran (onde tem golden share) e que detém 22% do capital da Ingenium. O ministro francês da indústria declarou esta empresa como sendo de interesse estratégico para o sector electrónico francês, e que não pode ser detida por capitais estrangeiros.

Resta saber se pátria de Colbert também declarou o filme português Mistérios de Lisboa, realizado pelo chileno Raul Ruíz, como estratégico para ser premiado como o melhor filme francês do ano.

Comboio de normal velocidade

Dadas as condições meteorológicas, a SNCF (a companhia de comboios francesa) decidiu,, desde hoje e nos próximos dias, limitar a velocidade máxima dos TGV a 120 Km/h, em vez dos habituais 300, por razões de segurança. A SNCF explica que no cruzamento de dois TGV circulando a 300, a velocidade relativa é de 600 Km/h (uma das razões por que nas linhas de alta velocidade não podem circular outros comboios que não os TGV) e nesta situação, caso se soltassem pedaços de gêlo de uma das composições o impacto destes poderia graves danos no equipamento e até colocar em risco os passageiros.

Mas já o preço dos bilhetes mantêm-se, apesar da duração da viagem quase triplicar.

domingo, 19 de dezembro de 2010

En garde!

A frequência com que na vida pública, e na política em particular, as discussões ou o simples comentário descambam na ofensa pessoal, levam-me por vezes a pensar se não seria mais saudável voltar a instituir os duelos, tal qual existiam dantes. Em suma: cada um ter o direito de defender a sua honra de forma mais contundente e dissuasora do que por simples meios indolores.

Pode-se argumentar que, para último recurso na defesa do bom nome, existem tribunais e que seria um retrocesso civilizacional o de resolver os diferendos pela força e tendo como penalização máxima a perda de uma vida. Sim, sem dúvida que seria.

Mas, por outro lado, as alternativas existentes pecam por eficácia. Se todos se dessem ao trabalho de mover processos por ofensas à sua honra, os tribunais entrariam em colapso e também não é certo que seja feita justiça. Persistindo a impunidade, persiste o hábito da ofensa e do confronto de ideias agressivo, dando péssimos exemplos à sociedade e tornando-a mais violenta.

Pergunto-me se não seria preferível as pessoas, com a consciência de que poderão sentir no peito o aço de uma espada ou o chumbo de uma bala, verem-se obrigadas a pesarem as suas palavras na hora de fazerem acusações ou usarem qualificativos em relação a outros, com quem os motivos de conflito por vezes não passam de interesses comesinhos, de ridículas rivalidades políticas, culturais ou mesmo desportivas, ou simplesmente de inveja e mediocridade. Não seriam os duelos uma forma de fomentar uma sociedade mais pacífica, respeitadora e (irónicamente), mais civilizada?

Uso como exemplo este caso, revelado pelo Wikileaks, do conselheiro diplomático de Sócrates, que terá dito que Ana Gomes era «pior que um Rottweiler». Escusado será dizer quão imprópria e ofensiva é esta comparação. Pergunto: será que este senhor falaria nos mesmos termos se soubesse que poderia arriscar-se a ter que travar um duelo com um rottweiler?

Blake Edwards

Grande, grande realizador e argumentista que nos deixou. Apesar de recordado sobretudo pelas comédias da Pantera Côr-de-rosa, foi o autor de filmes memoráveis como Breakfast at Tiffany's, 10, e - na minha opinião, o seu melhor - Victor Victoria.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

As Frenéticas - Somos as Frenéticas

No tempo em que os artistas não eram pretensiosos...

O Lula e o polvo


A venda de posição da PT na Vivo - talvez a maior burrice da História empresarial portuguesa - foi feita sem demoras, ao sabor dos interesses espanhóis e dos accionistas portugueses colocados em apuros pela burla Maddof e desejosos de obter dinheiro rápidamente, mesmo que isso significasse vender a galinha dos ovos de ouro. Já a entrada da PT na Oi, corre com muito menos pressa, apontando a PT para a sua conclusão em Março de 2011. Recupero um artigo do blogue brasileiro Vespeiro publicado em Maio (que tomo a liberdade de transcrever na íntegra), que dá a perspectiva do outro lado do Atlântico sobre este negócio:


A negociação entre a Oi e a Portugal Telecom entrou nos finalmentes em maio passado, quando José Sócrates, o Lula de Portugal, se encontrou, aqui na terrinha, com Lula, o José Sócrates do Brasil. Ali foram acertados os contornos gerais da jogada cujo desenlace foi anunciado ontem.
Esses contornos estão resumidos muito precisa e suscintamente nas declarações do encarregado da negociação pela parte brasileira, o vice-presidente da Lafonte, Pedro Jereissati, a Graziella Valente, Heloisa Magalhães e Vera Saavedra Durão no Valor de quinta-feira. Ele explicou que as negociações “partiram de premissas básicas”: uma, que “não haveria mudança de controle de forma nenhuma”; outra, “que qualquer movimento que viessemos a fazer deveria respeitar uma simetria: eles adquirindo uma parte da Oi e nós da PT. Só depois veio a discussão do preço” … que é uma consequência de menor importância dessas premissas.
Esta é, em poucas palavras, a pauta que ele recebeu de Lula.

As tres repórteres intuem muito bem a natureza dessa operação, aliás, quando constatam que “A compra da fatia da Portugal Telecom na Vivo pela Telefônica foi feita sem complexidade na estrutura societária mas muita dificuldade na negociação. Foram quase tres meses de negociações publicas e troca de ameaças entre os sócios. Ja a complexa estrutura para a entrada dos portugueses na Oi foi costurada em poucos dias, embora o contato entre os grupos já seja muito antigo”.

É que esta é uma operação essencialmente política enquanto aquela era uma operação de negócios (que acabou sendo protelada por uma interferência política). Lá a essência da coisa era definir o valor presente e o valor futuro de um asset estratégico numa grande operação de negócios. Aqui, trata-se, antes de mais nada, de armar o Estado brasileiro, hoje propriedade privada do PT, com a formidável arma de um sistema completo e verticalizado de telecomunicações, com projeção nacional e internacional, que lhe dará poderes incontestaveis sobre uma parte do verdadeiro esqueleto em cima do qual se estruturam e se apoiam toda a economia e, para ser direto e resumido, todas as atividades humanas hoje em dia. E de dar a essa jogada política uma cara de negócio.

Aos arquitetos políticos da operação, cabe definir quem mandará em quem dentro dessa ferramenta de projeção de poder. Os detalhes envolvendo acionistas majoritários e minoritários ficam para os “capitalistas de relacionamentos” que, tanto do lado português quanto do lado brasileiro, põem a cara à frente do que realmente interessa aos arquitetos politicos da operação. Cabe-lhes dar uma tradução societária aos parâmetros políticos que, por cima deles e dos seus acionistas, os arquitetos lá de cima definem como querem e quando querem.

O modo como a Oi foi constituída no Brasil, mediante um decreto que transformou em pó a essência da Lei Geral de Telecomunicações que regia o setor, dá a exata medida do valor que Lula atribui a essa dimensão do problema. A lei; as regras estabelecidas do jogo estão aí para serem mudadas na medida exata do seu interesse político. Do lado português não é muito diferente, como provou o uso das 500 golden share em poder de José Sócrates para anular a vontade expressa de 76% dos detentores de centenas de milhões de ações da PT que aceitaram a oferta da Telefônica.

O quanto Lula e José Sócrates se assemelham naquilo que esperam da “sua” telefonica e nos métodos que empregam para conseguí-lo você poderá conferir voltando à série sobre O Jogo Mundial do Poder, publicada aqui no Vespeiro ha dois meses(http://fernaslm.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=2753&action=edit).

No seu já clássico estilo “gerson”, Lula disse, portanto, mais uma verdade no meio da mentira quando explicou que da equação financeira não entendia nada e por isso não ia se meter, e que a unica coisa que lhe interessava é que a empresa seja comandada pelo Brasil (ele). De fato, o esquema acionário que os jornais tentaram explicar ontem ninguem entende, nem mesmo, aparentemente, os próprios envolvidos na negociação. Mas isso arruma-se. Afinal, o BNDES, o Tesouro Nacional e os fundos de pensão das estatais estão aí para obturar as cáries que possam, eventualmente, vir a macular o sorriso de felicidade geral dos envolvidos quando chegar a hora de tirar a foto do aperto de mãos final desta transação.

Mas, que não haja engano. Essa felicidade vai se limitar aos participantes da tramóia. Para os usuários de telefonia, ela só torna mais próximo o momento em que estaremos todos entregues a um monopólio, coisa que, sabidamente, não faz bem nem para os consumidores, nem para a democracia.

Com a operação Lula/Sócrates, ficam em campo, no Brasil, apenas tres teles de peso: a espanhola Telefônica, a mexicana América Movil (Claro/Net) e a agora luso-brasileira Oi. Mas o governo é sócio de apenas uma delas…

TIM (da Telecom Itália) e GVT (da francesa Vivendi) entram na fila como bolas da vez para o próximo movimento de consolidação que não promete muito suspense, uma vez que a Telefônica já é socia da Telecom Itália na Europa o que torna a compra da Vivo ilegal pelas regras da Anatel, que não admite um player associado a dois operadores diferentes de telefonia móvel no país…

Já a entrada da Portugal Telecom na Oi resolve vários problemas. A criação da “tele brasileira” agora lusitanizada tambem foi uma operação política, feita naquela base do “depois vê-se”. O pretexto nacionalista alegado não ficou em pé nem um ano. Arranjaram-se os “empresários” que nunca tinham lidado com o assunto antes; arranjou-se o dinheiro na fonte de sempre (o nosso bolso); arranjou-se a regulamentação, na medida exigida pelo projeto político a ser desenvolvido. Mesmo assim, ficou um enorme buraco de R$ 26 bilhões em dívidas que virtualmente inviabilizava as possibilidades de desenvolvimento da Oi já tremendamente dificultadas pela completa ausência de know how dentro da companhia montada às pressas. Agora, acrescenta-se a esse arranjo dinheiro novo para reduzir essa dívida, know how para desenvolver telecomunicações, bases já plantadas na África lusófona e mais o Marrocos, na América Latina e, se os chineses deixarem, tambem em Macau (pelo menos em televisão, é o plano atual).

E, last but not least, adquire-se know how em materia de produção de conteudos nas áreas de informação e entretenimento (ironicamente roubado à Globo via Portugal), incorporando ao esquema o substancial aparato que a Portugal Telecom ou seus associados e filhotes “privados” já têm em pleno funcionamento nas areas de jornalismo impresso, portais e soluções de internet, empresas de outsorcing, radio, televisão e produção audiovisual espalhado por esses territórios, em operações subsidiadas pelo faturamento com telecomunicações, inteiramente desproporcional ao da publicidade que sustenta seus competidores nas sempre execradas imprensa e produção intelectual independentes.

Esse componente da equação da PT fascina o PT ha muitos anos. A relação entre os dois, como se poderá conferir na matéria já citada, vem, pelo menos, dos tempos do Mensalão. E se ha um país no mundo onde as relações entre o governo e o poder econômico são mais explícitamente libidinosas que no Brasil, esse país é Portugal. A Portugal Telecom é a unica empresa da antiga Metrópole com potencial para se projetar internacionalmente. E, sendo assim, levá-la adiante é uma questão “patriótica”, de vida ou morte, para todos os grandes egos de Portugal, tanto no setor publico quanto no privado. Com os socialistas acuados por denuncias de corrupção, as ambições midiáticas da PT ganharam um impulso temerariamente excessivo, ha dois anos. De uma operação indireta, a cargo de satélites da empresa mãe mantidos em low profile, que visava um futuro mais distante, passou-se a tentar uma ação direta de ocupação de espaços na imprensa e na televisão portuguesas que acabou sendo barrada por uma investigação da Assembléia da Republica (Parlamento), “em nome da defesa dos valores básicos do Estado de direito”. Essa história continua praticamente inédita no Brasil, mas continua se desenvolvendo em Portugal neste momento.

O projeto da PT de “hegemonia no setor de midia no mundo lusófono” - em tudo semelhante ao que faz parte do programa oficial do PT, que seus candidatos renegam em véspera de eleição mas que ninguém consegue arrancar de lá – foi momentaneamente barrado em função do escândalo político provocado pela divulgação pela imprensa de gravações telefônicas em que José Sócrates e seus cumplices tramavam a operação com suas contrapartes no mundo empresarial português, o que fez com que o principal agente “privado” dessa operação, parceiro de velhos tempos do nosso conhecido Jose Dirceu, passasse a concentrar suas atenções no Brasil, na África e no Oriente, enquanto espera a poeira baixar em Portugal. Esse agente, passando por cima do preceito constitucional que reserva o setor para capitais nacionais, lançou aqui o jornal Brasil Economico, comprou o grupo O Dia, lançou jornais em São Paulo e no Rio de Janeiro e tornou-se dono de uma das duas licensas de TV por assinatura do país, usando uma empresa de fachada da qual a mulher de Dirceu é diretora. Não vai parar por aí agora que, detentor de quase 7% da Portugal Telecom, que obteve por meio de expedientes misteriosos que o Parlamento de seu país também investiga, teve o seu cacife enormemente aumentado com a venda da Vivo.

É inegavelmente uma operação brilhante esta em que o esquema todo se fecha e se viabiliza economicamente com o dinheiro dos espanhóis que, temo, ainda terão ocasião de lamentar esse episódio. Mas, seja como for, os aspectos políticos da questão e os confessados objetivos por traz delas, que tornaram esse desenlace possível, são certamente muito mais interessantes, importantes e jornalisticamente significativos do que as infindáveis especulações a respeito das possíveis vantagens que possam resultar desse complô para os usuários de telefones, que parece ser a única decorrência desta operação que interessa à imprensa brasileira.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Parlamento Europeu no seu melhor

Aconteceu há dias. Tal como se viu há uns anos atrás, com Berlusconi e este mesmo deputado socialista alemão (que o chamou de mafioso, sem que tivesse tido qualquer reprimenda), segundo as regras em vigor no PE, só a Esquerda é tem o direito de insultar e chamar fascistas aos adversários. Caso contrário, sai punição.

De Espanha, nem bons eventos nem bons casamentos.


Foi por pouco. Não fossem os russos e sofreríamos uma humilhação tremenda com o Mundial de Espanha, em que nós participaríamos e seríamos vistos pelo Mundo inteiro como uma província.

Não existe precedente de um evento desportivo organizado entre dois países em que a divisão de tarefas não seja 50/50. Não existe precedente de um país organizador que não receba nem o jogo de abertura, nem a final. Era o corolário para uma afirmação nacional e - sobretudo - internacional de um projecto iberista que o Povo Português é compelido a aceitar pela política do facto consumado. Foram estas as condições vergonhosas, traidoras que foram "negociadas" pelo Governo do PS, e nem por isso contestadas pela oposição. Nada que surpreenda no Partido Socialista, cuja obediência a Espanha é completamente evidente e indesmentível.

Felizmente que falharam. Graças aos russos, pelo menos no futebol, continuamos a ser la província rebelde. Obrigado Rússia!

1º Dezembro - Mensagem de S.A.R. Dom Duarte de Bragança

A Independência é politicamente incorrecta




Mais um 1º de Dezembro, mais um aniversário da nossa incómoda Independência. Mais uma vez, a data praticamente só foi assinalada pelos monárquicos, o que é de todo lamentável no que devia ser uma celebração de todos os portugueses. Tal como o 5 de Outubro (de 1143), que assinala a nossa fundação enquanto estado independente. Mais um ano em que não houve comemorações oficiais, nem palavras do Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, ou de qualquer membro do Governo.


O que é especialmente grave no caso do «activo e dinâmico» Presidente, que ainda há dias lembrou que «um Presidente da República (...) é, desde logo, o garante da independência nacional».

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Fugas de desinformação?

Parece-me que ainda é cêdo para se tirarem conclusões sobre a natureza e a intenção do Wikileaks. É simplesmente muita matéria-prima para tratar. Por um lado é legítimo perguntar porque é que o alvo dos promotores deste site é apenas os EUA. Custa a crer que só nos EUA seja possível obter tanta informação confidencial. Porque não fazem o mesmo com a Rússia ou a China? A resposta é óbvia: porque têm amor à vida e sabem que nesse caso o mais provável seria pagarem a ousadia muito caro.

Por outro lado, se é certo que isto é um enorme embaraço para os EUA, do que a imprensa tem divulgado até agora, a maior parte não é surpreendente ou mesmo desconhecido. A questão do islamismo na América Latina é um assunto conhecido, que Berlusconi tem ligações à Rússia também já era evidente, e a voluptuosa ucraniana que acompanha Kadaffi poderia não ser conhecida mas decididamente não é um assunto de monta. As considerações que os diplomatas tecem no seus relatórios também não são surpreendentes, mas apenas incómodas como é o caso em relação aos britânicos. Por exemplo, durante a II Guerra Mundial, um embaixador britânico em Lisboa, que diplomaticamente não poupava elogios ao mais velho aliado do seu país, depois, na correspondência que enviava para o Foreign Office, desabafava e dizia o pior possível, descrevendo o povo português como «uma mistura de árabes e judeus incapaz de um raciocínio lógico que tinha a sorte de ser governado por um professor universitário». A hipocrisia e a falsidade fazem parte do métier.

Mas no meio destas revelações, o facto é que vai sendo divulgada muita informação que é útil aos EUA que se saiba, e que de outra forma seria incómodo as fontes oficiais revelarem. Os italianos ficaram a saber que o seu PM é um lacaio da Rússia, os franceses que o seu presidente é machista, que a Turquia tem vendido armas ao Irão, que a ameaça nuclear iraniana é real, por aí adiante. Para todos os efeitos, a culpa é do Wikileaks. Por isso, a acusação do Irão de que se trata de uma fuga de informação organizada por Washington pode não ser tão descabida quanto soa. É díficil de acreditar que a incompetência seja tanta, e seria de esperar que Washington impedisse isto de acontecer se realmente o quisesse. Até porque, legalmente, o que o Wikileaks está a fazer constitui crime.

Por outro lado, ficar-se a saber que os diplomatas norte-americanos receberam instruções para obterem dados biométricos e o DNA de figuras de determinados países o que, embora sempre dê um certo glamour estilo James Bond, não só parece algo fantasioso (para não dizer estúpido) como pressupõe objectivos sinistros tanto em relação a países reconhecidamente adversos aos EUA e como a outros que nem por isso (como Cabo Verde). Isto lesa grandemente a imagem dos EUA.

Quem ganha com isto? Aparentemente, ninguém porque todos saem mal na fotografia. Mas alguns saem pior que outros. E se por um lado, conseguem passar algumas mensagens que interessam aos EUA, a administração Obama sai humilhada. É que é difícil de conceber que algo do género aconteça em países muito pouco relevantes, quanto mais em Moscovo ou em Pequim.

Down, down and away

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Coitus Interruptus

Foi o 25 que devemos comemorar, ainda que permaneça mal explicado. Encerrou o capítulo mais negro da História de Portugal. Em menos de dois anos, passámos de uma situação em que tínhamos Império (contra todas as expectativas, "Ventos da História" e sobretudo conveniências internacionais) para uma outra em que ficámos sem nada. Pelo meio a necessária balbúrdia organizada, a traição, os abusos e atentados aos Direitos Humanos, o caos, os roubos e a destruição que interessavam a todos menos aos Portugueses. Fomos a vacina anti-comunista da Europa.

Ficámos com o direito ao voto (naquilo em que nos deixam), uma liberdade de expressão que só foi real quando surgiu a internet, e esta coisa em que vivemos e que nos trouxe onde estamos. Hoje a petrolífera dos turras manda na Galp (que já foi Sacor), e pedimos ajuda aos turras que mandam em Timor para comprarem a nossa dívida com o dinheiro do petróleo de que nós, colonizadores de 500 anos, não ficámos com uma gota.

O que, apesar de tudo, é melhor que a ditadura comunista em que os débeis mentais que desfilaram no Sábado na Avenida da Liberdade ainda acreditam e estiveram perto de conseguir. Por isso, 35 anos depois, ainda têm a sensação dolorosa do coito interrompido.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quando as guerras eram outras.

Palestina, Primeira Guerra Mundial.

O plano Aliado para acabar com o Império Turco-Otomano está em marcha. Por um lado, as tribos árabes incitadas contra os turcos pelo oficial inglês T. E. Lawrence ("da Arábia"). Por outro, as tropas britânicas contra os bastiões do Exército Turco, armado e aconselhado por oficiais alemães. Entre os britânicos estavam as tropas australianas e neo-zelandesas (ANZAC), cuja infantaria montada (que não era cavalaria, não combatiam a cavalo mas a pé) se cobriram de glória no ataque a Beersheba (actualmente Israel).

The Turkish defences of Beersheba were strongest towards the south and west. There they had a line of trenches, protected by barbed wire, supported by strong redoubts, all constructed along a ridge. To the north and east the defences were much weaker, and crucially lacked any wire. No serious attack was expected from the area of rocky hills east of the town. Beersheba had just been designated as the headquarters of a new Turkish Seventh Army, but on 31 October that army had not yet come into being. The town was defended by 3,500-4,000 infantry, 1,000 cavalry with four batteries of artillery and fifty machine guns.Allenby allocated a very powerful force to the attack on Beersheba. Three infantry and two cavalry divisions would take part in the attack. Two of the infantry divisions were to attack against the main Turkish defences, to the south west of the town, to tie down the Turkish garrison. The third division was to protect against any Turkish reinforcements arriving from the north-west. Meanwhile, the two divisions of the Desert Mounted Corps (Anzac Division and Australian Division) were sent around the town to the east, with orders to sweep into the town through the weaker eastern defences.


Isto é que eram guerras...

Tão generosos que nós somos

Tesouro encontrado em Portugal disputado nos EUA

Espanha reclama da empresa de caçadores de tesouros norte-americana, a Odyssey Explorer, uma fortuna avaliada em 500 milhões e euros. Na semana passada, um novo recurso no Tribunal de Atlanta adiou a decisão de entregar o ouro e a prata a Espanha. Os destroços do local de pilhagem na nau "Nuestra Señora de las Mercedes", conforme foi explicado em tribunal, estão ao largo do Cabo de Santa Maria, Faro. Portugal não vai reclamar o tesouro.

Eu pergunto é quando foi a última vez que alguém restituiu o quer que fosse a Portugal? É que ao longo dos anos têm sido descobertos navios portugueses afundados (como há uns anos na Namíbia) e de restituições a Portugal, nada. Que maravilha de diplomacia que nós temos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Lições de Inglaterra

Antes de ontem, uma das marcas americanas mais prestigiadas, a Pontiac, acabou oficialmente. A propósito disso, lembrei-me do caso da indústria automóvel britânica, que hoje está reduzida a marcas de nicho, como a Land Rover, a Jaguar e a Aston Martin. Lembram-se da British Leyland? Foi o 4º maior construtor mundial, resultante da fusão da maioria das marcas britânicas, e sequente nacionalização. Eis a receita para o desastre. Nota: Red Robbo era o dirigente do sindicato dos trabalhadores da indústria automóvel, normalmente apontado como o coveiro da British Leyland.



quinta-feira, 21 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Japanização

Combóio-Bala, o primeiro TGV do mundo, aqui na sua mais recente geração.


Um novo termo adoptado pelos economistas. O porquê está neste interessante mas deprimente artigo do NYT: Japan Goes From Dynamic to Disheartened.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Passos Coelho e o OE2011

Consta que certa vez, quando Salazar quis substituir um Ministro das Finanças, de todos os quadrantes lhe recomendaram uma pessoa. Essa pessoa reuniria, na opinião de todos, os atributos para ser o ministro que o país precisava, e toda a gente fazia questão de o recomendar. Salazar acabou por escolher outra pessoa para a pasta das Finanças, e quando lhe perguntaram o porquê de tão surpreendente decisão, respondeu: «É uma pessoa demasiado recomendada para ser recomendável».

É o que penso em relação ao tão recomendado apoio do PSD ao OE2011. Bons orçamentos, sobretudo na crise em que Portugal se encontra, implicam prejudicar interesses instalados. Ora, os interesses instalados e respectivos ventrílocos na praça pública já defendiam a aprovação ainda sem conhecer a proposta do PS. E do pouco que se sabia, já se concluía ser desastroso para a Economia. Metendo medo com um suposto Dia do Juízo Final caso não seja aprovado, e com o papão da chegada do FMI, defendem que seja dado mais um balão de oxigénio ao governo socialista, e que seja imposto ao Povo Português o prolongamento deste autêntico martírio.

Os problemas da Economia portuguesa (da Economia e não só) só terão solução depois de resolvido o problema político: correr com esta gentalha do poder. Depois disso, venha o FMI, a UE, o Império Klingorn se for necessário. Mas pelo menos aí teremos hipótese de ter no poder gente minimamente capaz de governar Portugal, o que está provado até à exaustão que é impossível de ter com a trupe socialista instalada.

O que de facto levanta dúvidas é a real intenção dos sectores do PSD que, na prática, defendem o prolongamento do governo PS. Tal como o Nuno Castelo-Branco assinala, o quererem evitar a entrada em acção do FMI, que sem dúvida iria passar as contas do Estado Português a pente fino, talvez se deva ao medo do que possa estar por descobrir.

Se assim é, ponham as barbas de molho - digo eu. Porque a vinda do FMI/UE é praticamente inevitável.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O anúncio de Marcelo

Da crónica de Marcelo ontem na TVI, retive duas expressões dele: a satisfacção quando disse que Passos Coelho não tinha outro remédio que não aprovar o OE2011; e a expressão marcadamente vingativa quando anunciou a recandidatura de Cavaco. Alguma Cavaco lhe deve ter feito.
Pedro Passos Coelho tem subido na minha consideração, tanto a tralha cavaquista como Marcelo Rebelo de Sousa não o suportam. Algumas qualidades ele deverá ter.

Coisas boas para o turismo português

Depois do pagamento das auto-estradas CCUT (ex-SCUT) no Norte, com custos absurdos e que vão demover muitos turistas de passarem a fronteira, o Allgarve teve mais este presente:

Inglês raptado no Algarve hospitalizado com orelha e dedos amputados

Um cidadão britânico, de 40 anos, foi mantido em cativeiro durante cerca de duas semanas, no Algarve. Mutilado e com sinais de ter sido alvo de grande violência, o homem deu entrada esta segunda feira no Hospital de Faro

16:03 Segunda feira, 18 de Out de 2010

A vítima terá sido atraída para o Algarve com uma reunião de negócios. Sequestrado durante duas semanas, o cidadão britânico chegou a ser dado como morto, mas conseguiu agora libertar-se e pedir ajuda. Segundo a SIC, deu entrada esta manhã no Hospital de Faro, com os dedos das mãos e dos pés amputados e sem uma orelha.

O homem chegou a Portugal no dia 5 de Outubro, tendo estado até aqui dado como desaparecido. Os alegados raptores, também de nacionalidade britânica, são residentes no Algarve.

As autoridades investigam agora as possíveis ligações do caso com o tráfico de droga.

Apesar de ser mais um crime envolvendo cidadãos brutânicos, a imprensa bife não perderá certamente a oportunidade de rebaixar Portugal e os portugueses o mais que puder. Sempre tiveram o maior gosto em o fazer. E, se tudo correr como o habitual, o ministro da administração interna anunciará um reforço de efectivos da GNR no Algarve. Por isso convinha que a PJ prendesse rapidamente os bifes que raptaram e cortaram o outro bife aos bocados. Assim sempre a imprensa bife fará grandes manchetes ao seu melhor estilo. «Jack, the Toe Cutter of the Algarve»; «I couldn't call 112 because I had no fingers»...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Zapatero vaiado em Madrid

Antes de ontem, durante a parada militar do Dia Nacional, o PM Zapatero foi alvo de uma enorme vaia por parte dos espectadores, que não o pouparam em impropérios. Hoje, a Ministra da Defesa quer uma lei que proiba as vaias.

Escusado será dizer que na nossa imprensa livre e independente não saíu uma linha sobre isto.

Solidariedade em tempo de crise

É nestas alturas que devemos ajudar os mais necessitados, e o Povo Português nunca se esquivou a grandes demonstrações de humanitarismo. Assim surgiu o Banco Alimentar Parlamentar, promovido pelo blog Aventar. Vai ser no próximo Sábado, no Porto.

Basta seguir as indicações no Aventar, que eu felicito pela grande lição de nobreza que está a dar.

Lá e cá

Interessante contraste luso-britânico, ou melhor, republicano-monárquico para que a Gi chamou a atenção no Garden of Philodemous.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cortar despesa: comecemos pelos institutos

As contas no Desmitos. Repare-se no orçamento de 340 milhões de euros do Instituto do Turismo de Portugal, o equivalente ao preço (sem juros) de um dos tão polémicos submarinos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Estes também são muitos populares por cá...

...Pelo menos entre a Esquerda portuguesa.


Temos que admitir que eles têm ritmo...

Venezuela: um erro de política externa

Em vez de convidar o Chavez, deviam ter convidado mas era ela:
Marelisa Gibson, Miss Venezuela 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Acima de tudo

Deve haver poucas profissões melhores do que ser piloto de U-2, o famoso avião espião americano, que voa no limite da atmosfera desde os anos 60.

La galina de la vecina

E depois da maré de propaganda a tentar demonizar a Monarquia e a dizer que os reis são ditadores, a quem é que nos próximos dias as instituições republicanas vão todas beijar a mão?

A seguir, a nacionalização dos PPR?

Bem reparado pelo João Miranda, no Blasfémias, a propósito da nacionalização dos fundos de pensões:

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Vale a pena ler

Alguns bons artigos a propósito do Centenário da República:




Navegações, no Albergue Espanhol



O que se festeja amanhã? e Persistência, no Delito de Opinião

867 anos de vida: Parabéns Portugal!

5 de Outubro de 1143 - Tratado de Zamora
Portugal torna-se num estado independente.

O 5 de Outubro que os poderes instalados não comemoram, nem sequer lembram.

In memoriam: Prós e Contras

O "grande debate da Televisão Portuguesa" ,já estava moribundo há muito tempo, com debates chatíssimos, onde se fala muito e conclui pouco, repisando as mesmas explicações há muito conhecidas para a situação económica, ou então em que os intervenientes estão todos de acordo, sem que se ouçam trocas de argumentos que justifiquem o nome do programa.

Mas no debate de ontem sobre a República bateu mesmo no fundo: todos os convidados eram republicanos, entre os quais não faltava António Reis, o Grão-Mestre da Maçonaria. Um autêntico Prós e Prós.

Depois de toda a propaganda, em doses industriais, sobre as maravilhas e liberdades supostamente trazidas pela República, esta é cereja no topo do bolo. Para fazerem destas, é porque a velha meretriz não deve estar assim tão sólida.

1910 e 2010

Proclamação da República.
Das fotos deste momento, normalmente só se vê a metade direita.
Isto porque, segundo a "História oficial", na metade esquerda é suposto estar uma multidão que enchia a Praça do Município.

Em 1910, os meus bisavós moravam em Lisboa, mais concretamente na Rua Andrade Corvo, nas Picoas.

Da minha família dessa época só conheci a minha avó Maria José, nascida em 1899, e que se recordava pouco do 4-5 de Outubro. Lembrava-se de que quando os problemas começaram, com tiros de artilharia ao longe e tiroteio ao virar da esquina (na Avenida Duque de Loulé) o meu bisavô fechou as portadas de madeira das janelas e mandou toda a gente para as traseiras do apartamento. Não sei que mais fez nesse dia, mas o facto é que, tal como todos os oficiais do Exército que não aderiram à revolução republicana, foi expulso do Exército e só foi reintegrado nos finais de 1911, sendo obrigado a jurar lealdade à República.

A minha avó não se lembrava de muito mais. Lembrava-se de ter tido medo, apesar de não ser a primeira vez que ouvia tiros de espingarda e de canhão (o meu bisavô tinha sido instructor na Escola Prática de Infantaria, e campeão nacional de tiro em 1895); só que desta vez os tiros eram "a sério", para matar, e ela sabia-o. E lembrava-se de quando se soube que os republicanos tinham tomado o poder.

Cem anos depois, as pessoas não sabem é o que é a Monarquia. Talvez devessem olhar para a maioria dos países mais evoluídos, mais ricos e estáveis do mundo e tentar perceber porque raio é que eles não querem modernizar-se...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Há sempre um recorde para ser batido

Nos dezasseis anos que a República durou, o PIB per capita português, em percentagem da média europeia, caíu de 42% em 1910 para 32% em 1926 (com um mínimo de 23% em 1920), significando que o nível de vida do português médio era, ao findar a República, menos de um terço do nível de vida do europeu médio.

Desde que existem estatísticas económicas, não é possível encontrar um período na história de Portugal em que o país tenha empobrecido tão rapidamente e tenha descido tão fundo. O período da I República qualifica, em termos económicos, como o período mais negro da história moderna de Portugal e, muito provavelmente, como o período mais negro de toda a sua história.

Pedro Arroja, no Portugal Contemporâneo.

A República dos Caridosos

«A República foi feita pela chamada "geração de 90" (1890), a chamada "geração do Ultimatum", educada pelo "caso Dreyfus" e, depois, pela radicalização da República Francesa de Waldeck-Rousseau, de Combes e do "Bloc des Gauches" (que, de resto, só acabou em 1909). Estes beneméritos (Afonso Costa, António José d"Almeida, França Borges e outros companheiros de caminho) escolheram deliberadamente a violência para liquidar a Monarquia. O Mundo, órgão oficioso do jacobinismo indígena, explicava: "Partidos como o republicano precisam de violência", porque sem violência e "uma perseguição acintosa e clamorosa" não se cria "o ambiente indispensável à conquista do poder".

Na fase final (1903-1910), o republicanismo, no seu princípio e na sua natureza, não passou da violência, que a vitória do "5 de Outubro" generalizou a todo o país. Não admira que a República nunca se tenha conseguido consolidar. De facto, nunca chegou a ser um regime. Era um "estado de coisas", regularmente interrompido por golpes militares, insurreições de massa e uma verdadeira guerra civil. Em pouco mais de 15 anos morreu muita gente: em combate, executada na praça pública pelo "povo" em fúria ou assassinada por quadrilhas partidárias, como em 1921 o primeiro-ministro António Granjo, pela quadrilha do "Dente de Ouro".

O número de presos políticos, que raramente ficou por menos de um milhar, subiu em alguns momentos a mais de 3000. Como dizia Salazar, "simultânea ou sucessivamente" meio Portugal acabou por ir parar às democráticas cadeias da República, a maior parte das vezes sem saber porquê.

E , em 2010, a questão é esta: como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista em que reinavam "carbonários", vigilantes de vário género e pêlo e a "formiga branca" do jacobinismo? Como é possível pedir a uma cultura política assente nos "direitos do homem e do cidadão" que preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos uma vasta e indeterminada multidão de "suspeitos" (anarquistas, anarco-sindicalistas, monárquicos, moderados e por aí fora)?

Como é possível ao Estado da tolerância e da aceitação do "outro" mostrar agora o seu respeito por uma ideologia cuja essência era a erradicação do catolicismo? E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o "5 de Outubro" trouxe a Portugal?»

Vasco Pulido Valente, Público 02.10.2010

sábado, 2 de outubro de 2010

Azembla's Quartet - Esquece tudo o que te disse

Das entrevistas dadas por José Sócrates às televisões fica o essencial da mensagem.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Real Regatta de Canoas 2010 - 2 OUT

Realiza-se este Sábado mais uma edição da Real Regatta de Canoas, um evento que reúne no estuário do Tejo dezenas de embarcações típicas. Remonta ao Século XIX, como uma homenagem prestada pelo Rei às gentes do rio lembrando e agradecendo a sua resistência às tropas napoleónicas e negando-lhes o uso do rio para o cerco a Lisboa, ficando conhecida como a Marinha do Tejo.
Ali perto, no Museu de Marinha às 17h, terá lugar um concerto pela Banda da Armada.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ah, grande malandro!

Dizem que exagerava nas poupanças, na mania de gerir bem o dinheiro do Estado. Era o botas. O rapa-tachos. O forreta. Era autoritário, não deixava que se gastasse inutilmente. Era preciso pedir autorização para comprar uma borracha. Era preciso pedir autorização para se ter isqueiro, para não prejudicar as fábricas de fósforos portuguesas. Preferia obras públicas que utilizassem materiais portugueses e tecnologia portuguesa, como barragens e pontes em betão. Obrigava a que todos os automóveis fossem montados em fábricas portuguesas, com 25% de peças portuguesas, para gerar emprego e conter a saída de divisas. Os bancos, coitadinhos, não podiam praticar spreads acima de 1%. As contas eram rigorosas, pão-pão queijo-queijo, e o Estado só representava 20% do PIB, ao contrário dos 50% actuais. O Escudo era uma das moedas mais fortes do Mundo, a par do Franco Suíço, do Rand, e do Dólar. Não tínhamos dívida externa.

Um grande malandro.

Mais um PEC porreiro, Pá!

E pronto. Este foi mais um PEC do glorioso Partido Socialista (a quem o Povo Português tanto deve). Parece que próximo é que vai ser giro.
Porque é claro que vai haver um novo PEC daqui por uns meses. Só quem continua a não perceber nada de Economia e ainda não enxergou esta gente é que pode acreditar que isto resolve alguma coisa. Como não resolveu das outras vezes. O Estado vai continuar a comportar-se como um toxico-dependente que nós somos obrigados a sustentar. E o IVA a aumentar 3% no espaço de meses vai prejudicar ainda mais a Economia, reduzir ainda mais o poder de compra (os preços aumentam sempre mais que os pontos percentuais de IVA), fechar mais empresas, provocar mais desemprego. Nos outros países, proíbe-se o endividamento, reduz-se o tamanho do Estado, reduz-se drasticamente o número de funcionários públicos, fundem-se serviços e autarquias e baixam-se os impostos. Aqui, aumentam-se.

Daqui por uns meses, em nome da credibilidade externa e do interesse nacional, lá vai ser preciso aumentar mais impostos, cortar isto, reduzir aquilo.
É porque a banha da cobra sai muito cara.

Excelente análise de Álvaros Santos Pereira ao PEC III, no Desmitos

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Kylie Minogue - Dancing queen


E já lá vão 10 anos...

A Fuga das Galinhas - Parte II

Cavaco não quer demitir Sócrates. Agora, o animal feroz ameaça demitir-se se não houver orçamento. Uma desculpa que serve como outra qualquer, como as Autárquicas de 2001 serviram a Guterres. O pântano, de novo.

Nada diplomata

Acredito que a substituição de Manuel Maria Carrilho seja uma punição política por parte de Sócrates. Mas será que esta criatura não sabe que um embaixador em funções não pode andar a criticar o Governo do seu país?! E os comentadores de serviço falam de Carrilho como um injustiçado por ter sido demitido?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A bater no fundo é que a gente se entende

Os avisos vieram de vários lados: a ausência de um acordo entre PS e PSD sobre o OE2011 seria a estocada final na réstia de credibilidade do Estado Português. Que fazem ambos os partidos "de poder"? Guerreiam-se.
É minha opinião desde há muito tempo (ainda antes do Medina Carreira, honra me seja feita... :) ) que a entrada do FMI em Portugal é algo não só inevitável, como desejável. Os dois enxames de parasitas que se têm alternado no poder não estão nem capacitados nem motivados para tirar a Economia (e o País) do buraco em que o meteram. Mais uma vez tem de vir o estrangeiro para meter ordem na criançada. É a falência desta classe política, e da aposta europeia. Pensava-se que pertencer à CEE, à UE, à "Europa" resolvia-nos os problemas e escudava-nos da nossa própria incapacidade em nos governarmos. Mas a verdade é que a solução vem dos americanos (o FMI é, para todos os efeitos, um braço dos EUA) e vai doer. Vai ser uma cirurgia sem anestesia. Dolorosa mas necessária.
Um dia que se escreva a História de Portugal neste período, dir-se-á: «Nos meses antes da falência prática das finanças públicas, os assuntos que dominavam a actualidade eram as obras públicas desnecessárias e incomportáveis, o casamento gay, os escândalos de corrupção e de pedofilia, a defesa do Estado Social e os problemas da selecção de futebol».

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Lições da Suécia

Há muitos anos, uma antiga vizinha minha casou com um sueco, de quem teve uma criança que nasceu em Estocolmo. Por via do marido, teve o acompanhamento dos serviços de saúde suecos e lembro-me de um dia ela receber um telefonema da Suécia, a avisá-la de que estava na altura do bebé começar a fazer ginástica.

A Suécia sempre foi considerada o suprasumo do Estado Social. Um autêntico Estado-Papá a que toda a gente queria estar ligada, e a que a Suécia não dizia que não. Uma amiga minha, directora comercial da filial de uma grande empresa sueca em Angola, conseguiu que todos os funcionários angolanos pudessem ser integrados na Segurança Social sueca, apesar de raros terem sido os que alguma vez puseram o pé na Suécia.

O segredo tem sido um povo extremamente civilizado, eficiente, honesto e por isso rico, e um sistema social que não é uma completa balda como a que existe em quase todo a Europa (e que agora colocou a Europa à beira da falência). Por exemplo, as universidades são 100% gratuítas, e incluem alojamento gratuíto em residências próprias. Mas só se pode concorrer depois de 2 anos de trabalho (na Suécia ou no extrangeiro), para dar tempo aos jovens para pensarem bem se querem e se realmente precisam de ir para a universidade e qual a profissão que lhes convém mais. E para que a frequência de um curso universitário não seja entendida como apenas um prolongamento do liceu e uma maneira de se viver longe dos pais, por conta deles e do Estado. Compare-se isto com o disparate do sistema de Bolonha (que os próprios italianos já abandonaram).

Mas por muito ricos que sejam, e por muito bem organizado que seja o seu estado social, até a Suécia - tradicionalmente social-democrata - virou à Direita, por perceber que até para eles a despesa é muita, e que o Estado não pode ser Pai Natal.

Numa altura em que em Portugal, ou dos quatro únicos países dos 27 da UE onde a Esquerda ainda está no poder (os outros são Espanha, Grécia e Chipre), ainda há gente que insiste em acreditar em ilusões. Não temos nada que se compare à Volvo, à Saab, à ABB, à Eriksson ou Tetrapak, pelo que para se brincar ao Estado-Papá, só mesmo indo ao bolso deste país improdutivo, endividado e pedinte do dinheiro dos outros. Em Portugal, há 35 anos que os ricos pagam a crise como em mais nenhum outro país da Europa e, sem surpresas, a crise continua. Porque é preciso que haja crise para o Estado continuar sempre a tirar mais dinheiro a todos, e a justificar o Estado Social com o grande número de pobres. Não se trata de Economia, nem governar para o bem do país: é simplesmente política.

Para se governar um país, é preciso tomar decisões com pragmatismo, e com bases em dados concretos e realidades conhecidas, não em bandeiras ideológicas. E ter presente que o excesso de generosidade leva sempre a abusos. A alternativa é a falência.

A minha ex-vizinha não deu valor ao facto do marido sueco ser um bom marido e um bom pai, de ter abandonado um emprego capaz na Suécia para vir viver para Portugal porque gostava dela e, apesar de ser um jarrão sem ponta de piada, não tardou a brindá-lo com um par de chifres. Quando soube, o sueco deu-lhe uma merecidíssima sova e voltou para Suécia com a criança. Há coisas que nem um civilizadíssimo suporta.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Já que falamos de profecias:

Talvez já ninguém se lembre, mas fez ontem 11 anos que ficámos sem Lua:

Os ingleses, já que não puderam participar na corrida espacial, ao menos saíram-se bem no campeonato das séries espaciais.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Me and my big mouth

No Domingo, estava vendo na RTP2 o Rigoletto a Mantova, depois de na noite anterior ter visto o Casablanca, e dizia para comigo mesmo: «A RTP dar um bom filme e uma ópera, no espaço de dois dias? Deve estar um asteróide para colidir com a Terra!»

Entretanto, nas notícias...:

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Neil Diamond - September Morning

O Mundial ibérico de Espanha, Espanha, Espanha!



E mais isto:




Pois é, mas as despesas da organização continuam a ser pagas a 50/50.

«A prioridade da nossa política externa é Espanha, Espanha, Espanha!»
José Sócrates, 2005

Um aumento simplex de 400%

A nova tabela de preços dos serviços dos registos e do notariado, ontem publicada em Diário da República, mantém alguns valores mas, na maioria dos casos, revela aumentos que variam entre os 20 por cento (como os registos de casamento) e os quatrocentos por cento (registo predial). Aumentos que, no entender do bastonário dos Notários, não têm qualquer justificação, só fazendo sentido numa lógica de " arrecadar receitas". Em alguns casos, as percentagens de aumento chegam a ser "imorais", sublinha ao Correio da Manhã Alex Himmel, recordando o caso do registo de prédio rústico, que passa de 50 para 250 euros (aumento de 400%).

Para o bastonário, estes aumentos vão penalizar ainda mais os particulares e as empresas num contexto de crise económica. Por outro lado, considera que o Estado continua a não respeitar o princípio da proporcionalidade, mantendo assim uma postura de "ilegalidade".

O Estado "fixa preços elevados para os serviços que detém em monopólio e baixa nos preços dos serviços em que concorre com os privados", denuncia Alex Himmel

Todos os anos, a indústria dos fogos florestais incendeia Portugal. Todos os anos, as culpas são atiradas para os proprietários das terras por não fazerem a limpeza regular das matas, como se se tratassem de jardins, como se fosse coisa barata e simples de fazer, e como se a Natureza não seguisse o seu curso logo após cada limpeza. Só falta dizer que os incendiários são os próprios proprietários, e não tarda a que surjam os idiotas do costume (Miguel Sousa Tavares, o Ministro da Agricultura, o Bloco de Esquerda) a proclamarem a necessidade do Estado roubar (perdão, "nacionalizar") as terras abandonadas, como a grande solução para o problema. Por esta lógica, seria necessário "nacionalizar" também os terrenos do Estado que estão ao abandono, "nacionalizar" a União Europeia que impede muitos proprietários de produzir, e "nacionalizar" os tribunais que arrastam processos de partilha de heranças durante anos, impedindo o uso de muitos terrenos.

A falta de ordenamento do espaço agrário é um grande problema do Portugal além-Lisboa & Porto, e repercute-se também na dimensão dos incêndios. Mas nenhum governo toma qualquer iniciativa para o resolver. Pelo contrário: agora aumentam o preço de registo de um prédio rústico em 400% com a desculpa de passar a pagar um serviço que agora é informatizado.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os exemplares ventos da História

Lourenço Marques, princípios de 1976. Numa esplanada, um amigo meu escutava a conversa, em Francês, entre um militante da Frelimo e dois conselheiros técnicos búlgaros enviados para Moçambique em nome da solidariedade comunista para tentar colmatar a falta que faziam todos aqueles que tinham partido no momento da Independência. Esta havia acontecido apenas uns meses antes, mas já quase nada funcionava, nem Economia nem serviços públicos. A fome era generalizada. A melhor refeição que o dinheiro podia comprar era peixe frito com arroz, e ainda se arranjava cerveja.

Mas era o suficiente para os búlgaros estarem "nas suas sete quintas"; comentavam a beleza da cidade, das praias, o clima e o estado de evolução do país. Um deles diz para o membro da Frelimo: «Vocês têm aqui um país formidável!»

Responde o comunista moçambicano: «Haviam de ver isto no tempo dos Portugueses...»

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Serious season

«Em Agosto, este país pára!» - foi o que sempre ouvi dizer. Toda a gente ía de férias ao mesmo tempo, Estado e empresas, e tudo parava.

Mas este ano, quando o normal seria que desde a Sexta-feira passada Lisboa se esvaziasse e o Algarve se enchesse, temos exactamente o contrário. Na primeira semana de Agosto, Lisboa parece estar a funcionar a 100% ou perto disso, como no resto do ano. Em vez de trânsito fluente e lugares de estacionamento à escolha, temos parques de estacionamento quase completos, e centros comerciais cheios até mais não à hora de almoço. Se a isso juntarmos o facto de estarmos com temperaturas de Outono, ninguém diria que estamos em Agosto.

É da crise, sem dúvida, e muita gente não tira férias porque não as pode pagar. Mas também porque, visivelmente o sector privado decidiu ficar a trabalhar.

É um contraste surpreendente e que dá um certo gosto de ver. Tanto que, de fora, nos acusam de trabalharmos pouco e de vivermos à custa da Europa do Norte.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Scarlett Johansson & Pete Yorn - Relator

A música fica no ouvido mas merecia um vídeo melhor.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Guerra no Médio Oriente para muito breve

Nos últimos meses, o processo que levará a um inevitável ataque israelita às instalações do programa nuclear do Irão tem dado os últimos passos. Israel tem a capacidade militar para o fazer e conta com a solidariedade dos seus vizinhos árabes que não desejam um Irão forte, e muito menos com armas nucleares. Já há meses, o Egipto anunciou que deixará passar navios de guerra israelitas pelo Canal do Suez, mais concretamente os submarinos equipados com mísseis de cruzeiro (que poderão ter carga nuclear), podendo assim aceder ao Golfo Pérsico e Mar Arábico, ameaçando o Irão e o Paquistão. A Arábia Saudita já fez saber que abrirá o seu espaço aéreo à aviação israelita. Jordânia, Kuwait e Iraque - escusado será dizer - não só não colocam dificuldades, como se pudessem estenderiam uma passadeira vermelha no céu. Além disso, é sabido que os Curdos iraquianos vão mais longe e consentem no uso dos seus aeródromos em caso de necessidade de escala.

Do outro lado, o Irão conta com a Síria (que se tiver juízo não se envolverá directamente na questão), com o Hezbollah a Norte e o Hamas a Sul. Ao mesmo tempo que a flotilha "humanitária" tentava furar o bloqueio naval israelita à Faixa de Gaza (e assim exercitando a máquina de propaganda da esquerda europeia contratada pelos iranianos), o Hezbollah era abastecido em armamento incluindo alguns milhares de mísseis (estima-se que 3000) pelo Irão, incluindo os famosos Scud de fabrico soviético (obsoletos, de alcance limitado, mas suficiente para atacar todo o território israelita a partir do Líbano). [Com a devida vénia ao A.M.G. :) ]

Uma semana depois, o Hamas tentou infiltrar mergulhadores de combate em Israel, tendo sido prontamente apanhados pelos israelitas, no que foi um óbvio teste encomendado pelos iranianos.

Em finais de Maio, Israel levou a cabo o maior exercício de defesa civil da sua História, preparando a população para ataques com mísseis disparados tanto pelo Hamas como pelo Hezbollah.

Há três semanas, os EUA renderam a esquadra que têm no Oceano Índico com o grupo chefiado pelo porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower, ao mesmo tempo que os franceses enviaram o seu porta-aviões Charles de Gaulle.

Entretanto, a Turquia (agora aliada do Irão) rejeitou o uso do seu espaço aéreo aos israelitas, a ONU decretou novas e duras sanções contra o Irão e queimam-se os últimos cartuchos diplomáticos (como esta visita do MNE iraniano a Lisboa).

Deverá ser renhido, os israelitas preparam-se à anos para efectuar este ataque, e os iranianos para lhe resistir. Poderá ser um curto confronto, mas é mais provável que seja uma guerra de vulto, envolvendo também o Hamas e o Hezbollah e sabe-se lá quem mais. Não são de excluir ataques terroristas na Europa.

Ou seja, nós vamos ser afectados por esta guerra, quanto mais não seja pelo disparar do preço do petróleo.

Não é por acaso que a NATO lançou esta semana um apelo a que se constituam reservas para situações de emergência (aqui e aqui).

Está na hora de passar pelo supermercado e comprar enlatados, massas e outros alimentos duradouros. Ah, e atestar o carro. Just in case.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Calor...

Vida boa, a de aeroporto!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Grande Fuga

Um carro chamado Figo

Mais um carro baptizado com um nome português. Depois do Suzuki Escudo (Vitara de 1º geração, no mercado japonês), do Volkwagen Vento (mas também ser em Italiano), do Opel Sintra (e se calhar outros), surge agora o Ford Figo. Trata-se do Ford Fiesta da anterior geração, com um pequeno facelift, fabricado na Índia (esperam produzir 200 mil este ano), e destina-se aos mercados emergentes.

Aliás, nalguns destes países continuam a fabricar-se modelos retirados dos mercados desenvolvidos, de forma a abastecer os mercados locais com produtos acessíveis, que não têm custos de desenvolvimento e para os quais se reaproveita a maquinaria e moldes existentes, e que estão mais que provados. Além disso, se é certo que os automóveis têm evoluído em segurança e economia, têm perdido muito em solidez, simplicidade de manutenção e altura ao solo, factores importantes em África, por exemplo. Se juntarmos a isso a mão de obra barata percebe-se porque esses automóveis ainda são uma proposta válida.

Por exemplo, só este ano é que o VW Golf de primeira geração (dos anos 70) de deixou se fabricar na África do Sul. Mais surpreendente ainda, há três anos o Fiat 131 (dos anos 70), voltou a fabricar-se na Etiópia, numa versão modernizada, onde é o principal produto do fabricante automóvel local (coisa de que Portugal não se pode gabar de ter), a Holland Car. E na Sérvia, a Zastava (anteriormente conhecida por Yugo) continua a fabricar o Fiat 128 (modernizado com injecção electrónica) com preço base de 3500€.

Quanto ao Ford Figo, começou a vender-se na África do Sul e na Índia, onde o modelo-base custa o equivalente a 6.200€.
O Luis Filipe Madeira Caeiro é que não vai ganhar nenhum royalty por ter tornado popular em todo o Mundo o nome português de um fruto muito saboroso.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ele é que não gostou nada

Agora a sério: conhecendo-se os hábitos da Coreia do Norte (onde, por exemplo, os navios da Marinha não têm quaisquer meios de salvação para impedir deserções), eu não gostaria de estar na pele dos jogadores ou do técnico.